Paraná
Tecpar lança programa que certifica projetos e empresas para redução de carbono
O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) lançou um programa para apoiar empresas interessadas na validação e verificação de projetos e inventários de carbono e de gases de efeito estufa. Por meio do programa, o Tecpar Certificação avalia a metodologia utilizada na elaboração de projetos que mensuram a emissão, redução e remoção de carbono, e atesta se ela foi aplicada corretamente. O primeiro certificado emitido pelo programa foi entregue nesta quinta-feira (21) para o Instituto Neocarbon, sediado em Joinville (SC).
O programa exclusivo foi desenvolvido pela equipe técnica do Tecpar Certificação e segue uma série de procedimentos embasados em normas e literaturas de referência, como a NBR ISO 14065:2015, que trata dos requisitos para organismos de validação e verificação de gases de efeito estufa.
Além de validar as metodologias utilizadas por empresas e consultorias especializadas, o programa atende clientes que definiram uma maneira própria de quantificar a emissão e o estoque de carbono, sem a participação de intermediários.
“Seja nos inventários, que quantificam o estoque de carbono de uma propriedade, ou nos projetos florestais de carbono, que propõem ações e mecanismos para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, é necessário que a metodologia utilizada seja validada ou verificada por um órgão competente. Essa é atuação do Tecpar, que entra como uma terceira parte, para fazer essas validações de forma imparcial”, explica o gerente do Tecpar Certificação, Fábio Corrales.
MERCADO DE CARBONO – Os créditos de carbono permitem que as empresas reduzam sua pegada de carbono e se tornem mais sustentáveis. Eles podem ser negociados por meio de compra e venda, conforme a necessidade da empresa. Atualmente, existem o mercado de crédito de carbono vinculado ao ONU, que é o mercado regulado, e também o mercado voluntário.
“A nossa proposta é atender esse mercado voluntário, já que os critérios da ONU são muito restritivos e exigem um outro nível de investimento. Além disso, a validação feita pelo Tecpar facilita a negociação no mercado de carbono, já que ela só pode ser feita se metodologia utilizada no projetou ou inventário for validada ou verificada”, destaca Corrales.
A operacionalização pelo Tecpar, em parceria com outras instituições, de um novo programa de certificação com foco na redução de emissão de gases de efeito estufa está no Plano do Governo do Estado. A ideia do novo programa é que sejam certificadas áreas que promovam a remoção de carbono das florestas nativas e cultivadas outras que possibilitem a redução de carbono por meio de boas práticas de plantio.
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NEOCARBON – Fundado em 2019, o Instituto Neocarbon é uma entidade sem fins lucrativos que atua no registro de projetos de carbono e de pagamento por serviço ambiental no Brasil. Em 2021, implantou uma plataforma digital CarbonPlat e se tornou a primeira empresa brasileira a fazer esse tipo de registro de projetos de carbono e pagamento por serviços ambientais (PSA), principalmente de pequenas propriedades rurais, sendo este seu grande diferencial de mercado.
A metodologia desenvolvida pelo Instituto Neocarbon segue protocolos internacionais para a geração de crédito de carbono, a partir de ferramentas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), da ONU, e da legislação brasileira para florestas. Qualquer empresa privada, proprietário rural ou pessoa física pode utilizar essa metodologia para fazer projetos de carbono e publicar os resultados na plataforma de registro Carbonplat, que tem acesso aberto.
No entanto, após a conclusão o projeto deve passar pelo processo de auditoria, em que todos os cálculos são revistos por uma instituição independente, chamada de verificador ou validador de terceira parte.
Segundo Patrícia de Luca Lima Greff, presidente do Instituto NeoCarbon, ao buscar uma empresa para realizar as auditorias dos projetos que usam a metodologia da instituição, a escolha foi muito rígida. “Buscamos por uma empresa com alta qualidade, renomada e extremamente transparente. Eu entrei no site do Clean Development Mechanism (CDM), da ONU, onde constam as empresas com processo de acreditação em andamento como validadoras e verificadoras e o Tecpar estava lá. Eu fiquei muito feliz, porque sou paranaense, e falei: está tão perto daqui, por que estou indo procurar do outro lado do mundo?”, afirmou.
A parceria iniciou com um projeto-piloto realizado em uma propriedade no Mato Grosso. As auditoras do Tecpar foram ao local, verificaram a propriedade, os projetos que estavam sendo desenvolvidos, e fizeram a medição do inventário florestal. “Elas foram muito profissionais em todo o desenvolvimento da auditoria, bem minuciosas nas análises tanto em campo e de relatório, tiveram postura, qualidade e, principalmente, foram imparciais e pontuais, o que é muito importante”, disse Patrícia.
Para ela, a certificação dos projetos pela Tecpar agregou muito valor ao trabalho realizado pelo Instituto Neocarbon, principalmente na questão de qualidade e transparência internacional. Até o final do ano, existem mais oito projetos para serem auditados. “O fato de o Tecpar ser uma empresa pública dá mais credibilidade aos projetos que utilizam a nossa metodologia, principalmente, porque eles são acreditados ou verificados por uma empresa com know-how e com profissionais de fora da empresa, que não têm nenhum interesse particular. Isso é muito importante”, salientou.
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ETAPAS – O processo de certificação é feito em três etapas: análise documental, visita técnica e recálculo. Na primeira etapa, o objetivo é verificar se há condições de seguir com o processo e se há evidências de que tudo está sendo feito da forma correta. Na visita in loco, os técnicos analisam como o inventário ou projeto foi realizado.
Em seguida, com os dados fornecidos pelo cliente, é hora de refazer os cálculos e conferir na literatura se o que foi realizado está coerente para aquela área e tipo de vegetação e verificar se a quantificação do carbono que foi estocado ou que deixou de ser emitido, está de acordo com o que a metodologia prevê. Se houver alguma inconsistência ou irregularidade, o cliente recebe um relatório com apontamentos e áreas de preocupação, e tem o prazo de 30 dias para ajustar a informação. Por fim, o Tecpar Certificação valida se a metodologia foi aplicada de forma correta ou não.
Fonte: Governo PR
Paraná
Paraná sedia seminário internacional do BID de combate ao crime organizado
A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) sedia, com abertura nesta segunda-feira (1º), em Curitiba, o 2º Seminário de Discussão sobre Crime Organizado e Desenvolvimento na América Latina e Caribe. Promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o evento reúne gestores públicos e especialistas para debater estratégias integradas de governança e soluções coordenadas frente aos desafios socioeconômicos e de segurança causados pelas organizações criminosas.
O objetivo do encontro é apresentar estudos e levantamentos das atividades de grupos organizados nos países da região e discutir ações de enfrentamento. O foco está no compartilhamento de exemplos práticos para a criação de políticas públicas e na compreensão da dinâmica de atuação do crime organizado local e regionalmente.
Durante a solenidade, o secretário da Segurança Pública do Paraná, Saulo Sanson, destacou a importância da cooperação mútua e do intercâmbio de dados de inteligência para promover a asfixia financeira e operacional das facções que atuam de forma transnacional. De acordo com o secretário, o Estado mantém uma forte parceria com a instituição internacional. “Por meio de um convênio com o BID no programa Paraná Seguro, alcançamos resultados expressivos na redução dos índices de criminalidade”, explicou.
A Secretaria do Planejamento (Sepl) também participou da reunião. Ela coordenou a atuação estadual com o BID no Programa Paraná Seguro. O seminário segue com apresentações e discussões nesta terça-feira (2). O secretário Sanson apontou que o Paraná teve forte retração no índice de homicídios em 2025 na comparação com o ano de 2018, o que demonstra o êxito das políticas públicas adotadas. “Somos ainda recordistas em apreensões de drogas entre os estados brasileiros. Temos bases integradas avançadas em municípios de fronteira e divisas, o que garante o enfrentamento ao crime transnacional e interestadual”, afirmou.
O secretário citou que as ações contra o crime organizado são estruturadas em três eixos principais: acompanhamento, monitoramento e captura. “Os batalhões e delegacias de polícia acompanham com inteligência a ação dos criminosos para prender as lideranças e desarticular os grupos. Atacamos a descapitalização da cadeia logística do crime e impedimos a lavagem de dinheiro para o sufocamento de suas atividades”, detalhou.
O especialista setorial em segurança cidadã e justiça do BID, Rodrigo Pantoja, reforçou o compromisso da instituição financeira internacional em apoiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, dados e inovação tecnológica para mitigar o impacto da criminalidade no desenvolvimento regional. Segundo ele, a proposta foi realizar o workshop em um local com relevância operacional.
“A representação do BID no Brasil tem uma parceria muito boa com o Paraná. Estamos fechando o programa Paraná Seguro, que foi um sucesso, alcançando múltiplos resultados de redução de homicídios e de roubos, entre outros”, afirmou Pantoja. “O escopo do Paraná Seguro incluiu 27 municípios e tem convergência com o que se discute na América Latina e Caribe.”
O especialista também ressaltou que o fato de o Paraná liderar nacionalmente as apreensões de entorpecentes, mesmo sem figurar entre os estados brasileiros com maior consumo de drogas, demonstra um compromisso permanente no enfrentamento às organizações criminosas e aos crimes transnacionais, incluindo o tráfico de armas e o contrabando.
Fonte: Governo PR
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