Brasil
InvestSUS 2.0 integra dados financeiros, execução e planejamento para apoiar gestores do SUS
A gestão dos recursos do SUS ganhou uma ferramenta de integração de informações: o InvestSUS 2.0, nova experiência da plataforma do Fundo Nacional de Saúde (FNS), que amplia a integração de dados estratégicos para apoiar estados, municípios e Distrito Federal. A página reúne, em uma única leitura, dados financeiros, execução local, informações declaradas e homologadas no Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS) e instrumentos de planejamento.
A atualização permite que o gestor visualize de forma integrada o montante disponível nas contas do Fundo de Saúde, valores a receber, repasses realizados, execução dos recursos, pendências que exigem acompanhamento e a situação dos principais instrumentos de planejamento e prestação de contas. A proposta é facilitar a identificação de prioridades e apoiar a tomada de decisão, sem substituir as funcionalidades operacionais já existentes na plataforma.
“O InvestSUS 2.0 muda a forma como organizamos e disponibilizamos informações para os gestores do SUS. Ao integrar dados sobre recursos, execução, planejamento e prestação de contas, damos mais condições para que estados e municípios identifiquem prioridades, acompanhem a aplicação dos recursos e tomem decisões com mais segurança. Qualificar a gestão é fundamental para fazer com que o financiamento do SUS se traduza em melhores serviços e mais acesso à saúde para a população”, destaca o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda.
Visão integrada da gestão
Nesta primeira etapa, a página inicial está organizada em quatro grandes áreas: Visão Geral do Gestor; Atenção e Planejamento; Dados de Execução; e SIOPS: Receitas e Despesas. Juntas, elas permitem acompanhar desde a entrada dos recursos até a execução financeira e os instrumentos de planejamento do SUS.
Na Visão Geral do Gestor, o usuário encontra uma síntese da situação financeira do Fundo de Saúde ao qual está vinculado. A plataforma apresenta saldo em conta, total a receber, repasses realizados no exercício e execução financeira, relacionando os recursos transferidos pelo FNS às despesas pagas declaradas e homologadas no SIOPS.
A nova organização permite que essas informações sejam analisadas em conjunto, dando ao gestor uma visão inicial de quanto há disponível, quanto já foi transferido e como os recursos estão sendo executados. A partir dessa leitura, é possível avançar para informações mais detalhadas disponíveis no próprio sistema.

- Infográfico com informações do InvestSUS 2.0
Planejamento e pendências no mesmo ambiente
Outra novidade é a aproximação entre as informações financeiras e o ciclo de planejamento e prestação de contas do SUS. No bloco Atenção e Planejamento, o gestor encontra pendências que exigem acompanhamento, informações sobre conformidade e a situação dos principais instrumentos de gestão vinculados ao ente.
As pendências podem ter origem em diferentes sistemas e fontes, como SIOPS, SISMOB, InvestSUS e Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA). A plataforma destaca os itens que demandam providências e apresenta uma leitura consolidada para auxiliar na definição do que precisa ser tratado primeiro.
Já em Meu Planejamento de Saúde, são apresentadas informações do DigiSUS sobre o Plano de Saúde, os três Relatórios Detalhados do Quadrimestre Anterior (RDQA) e o Relatório Anual de Gestão (RAG). Com isso, o gestor consegue acompanhar planejamento e prestação de contas no mesmo ambiente em que consulta saldo, repasses e execução.
Acompanhamento da execução dos recursos
O InvestSUS 2.0 também permite comparar os repasses realizados pelo FNS com as despesas pagas declaradas e homologadas no SIOPS. A leitura ajuda a identificar diferenças na execução e pode ser detalhada por subfunção, ampliando as possibilidades de acompanhamento dos recursos federais transferidos.
Na área dedicada ao SIOPS: Receitas e Despesas, o gestor também pode consultar informações sobre a receita realizada e a despesa paga declaradas e homologadas no sistema, por origem e de forma consolidada. A integração desses dados com as demais informações da página inicial amplia a capacidade de analisar o financiamento da saúde no território.
Informação para apoiar decisões
A nova página foi estruturada para transformar diferentes dados em uma sequência de informações úteis à gestão. A partir dela, é possível verificar quanto há disponível e quanto já foi transferido, acompanhar a execução, identificar diferenças entre repasses e despesas, verificar pendências que exigem providências e acompanhar a situação dos instrumentos de planejamento.
Para dar mais segurança à leitura, cada indicador apresenta a origem dos dados, a competência de referência e, quando disponível, a data da última atualização. Quando não há dado disponível, a plataforma informa a indisponibilidade, evitando que a ausência da informação seja interpretada como valor zero.
Com a atualização, o InvestSUS passa a oferecer, já na página inicial, uma camada gerencial que conecta entrada financeira, execução local, informações do SIOPS e instrumentos de planejamento. A proposta é oferecer uma leitura única para apoiar a identificação de prioridades e qualificar o acompanhamento do financiamento e da gestão do SUS.
Acesse o Manual do InvestSUS 2.0 para conhecer os detalhes da atualização
Thamirys Santos
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Brasil
Vacinas, consultas e brincadeiras: veja como o SUS cuida dos primeiros anos de vida
Uma criança saudável tem mais oportunidades de aprender, brincar e desenvolver seu potencial. No dia Nacional da Infância, celebrado nesta segunda-feira (24/08), o Ministério da Saúde reforça que cuidar dos primeiros anos de vida é uma das estratégias mais importantes para promover saúde e reduzir desigualdades. No Sistema Único de Saúde (SUS), o acompanhamento começa antes mesmo de a criança nascer.
Os exames de pré-natal preparam o caminho. Depois vêm a atenção ao parto e ao recém-nascido, a vacinação, o aleitamento materno, as consultas, o acompanhamento do peso e da altura, a vigilância do desenvolvimento, as visitas domiciliares e a orientação para as famílias.
A base para um futuro saudável
A mortalidade neonatal teve uma redução de cerca de 23% em dez anos, passando de aproximadamente 9,9 óbitos por mil nascidos vivos em 2014 para 7,62 em 2024. A amamentação contribui para a redução da morbimortalidade infantil e atingiu o maior patamar da série histórica nos anos de 2024 e 2025, com 57% dos bebês de até seis meses acompanhados na Atenção Primária estavam em aleitamento materno exclusivo, conforme os dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).
Dados apontam, também, aumento da cobertura vacinal infantil. O número de crianças que não receberam nenhuma dose das vacinas básicas caiu de 360 mil, em 2023, para cerca de 50 mil, em 2025, uma redução significativa de aproximadamente 86% em dois anos, de acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Brasil deixou de integrar a lista dos 20 países com maior número de crianças dose zero e apresentou aumento de 19 pontos percentuais na cobertura da primeira dose da vacina tríplice bacteriana entre 2019 e 2025, o segundo maior crescimento entre os países avaliados.
Esses indicadores refletem os efeitos de ações como pré-natal, atenção ao parto e ao recém-nascido, vacinação, aleitamento materno, nutrição e fortalecimento da Atenção Primária.
O “check-up” começa cedo
Para o Ministério da Saúde, não basta a criança sobreviver. É preciso garantir condições para que ela cresça, aprenda, brinque, crie vínculos e desenvolva suas habilidades. A primeira infância é uma fase de intensa transformação. É quando se estruturam bases importantes para a linguagem, as funções cognitivas, o desenvolvimento emocional e social e a saúde ao longo da vida. Por isso, quanto mais cedo os cuidados chegam, maiores são as oportunidades de prevenir problemas e favorecer o desenvolvimento.
Na Atenção Primária, uma das metas é garantir a primeira consulta até o 30º dia de vida, pelo menos nove consultas e nove registros de peso e altura até os dois anos, duas visitas domiciliares por agentes comunitários de saúde nos primeiros seis meses e o esquema vacinal recomendado. O objetivo é acompanhar de perto para perceber cedo quando alguma coisa não vai bem e, principalmente, ajudar a criança a se desenvolver da melhor maneira possível.
Caderneta da Criança – Passaporte da Cidadania
Entregue ainda na maternidade, ela acompanha a criança até os nove anos e reúne informações importantes sobre vacinação, crescimento, desenvolvimento, alimentação, saúde bucal e prevenção de acidentes e violências.
A versão digital, integrada ao Meu SUS Digital, já ultrapassou 3,5 milhões de acessos. Em 2024, foram distribuídas mais de 6,5 milhões de cadernetas impressas; em 2025, foram quase 4,9 milhões.
SUS e as desigualdades no Brasil
De acordo com o “Perfil Síntese da Primeira Infância e Famílias no Cadastro Único”, o Brasil possui mais de 18 milhões de crianças de 0 a 6 anos e, em outubro de 2023, mais de 10 milhões delas estavam inscritas no Cadastro Único, o equivalente a 55,4% da população dessa faixa etária registrada no Censo de 2022.
Demandam atenção especial as crianças em situação de pobreza e insegurança alimentar, negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e de outros povos e comunidades tradicionais. Para enfrentar essas desigualdades, o SUS vem fortalecendo a territorialização e a busca ativa, as visitas domiciliares, a vigilância do crescimento e desenvolvimento e a articulação intersetorial.
O novo cofinanciamento federal da Atenção Primária à Saúde (APS) incorpora um componente de equidade que considera o Índice de Vulnerabilidade Social, o porte populacional e critérios demográficos e de vulnerabilidade, incluindo crianças menores de cinco anos e pessoas beneficiárias de programas de proteção social. Somam-se a essas ações a Primeira Infância Antirracista, a Unidade Amiga da Primeira Infância (UAPI), estratégia do UNICEF Brasil voltada a crianças de 0 a 6 anos, a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA) e a integração entre SUS e Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O objetivo é não só melhorar as médias nacionais, mas identificar quais crianças estão ficando para trás e organizar respostas proporcionais às barreiras que enfrentam.
Guilherme Gomes
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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