Brasil
Medicamento inovador ofertado no SUS reduz em até 85% as internações de pessoas com fibrose cística
O uso do medicamento Trikafta no tratamento da fibrose cística reduziu em até 84,8% as internações de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS). Os primeiros resultados do cuidado com a terapia de alto custo, ofertada gratuitamente na rede pública há quase dois anos, foram apresentados nesta quinta-feira (6), durante evento realizado na Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), em Brasília, com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Atualmente, mais de 2,4 mil pacientes são beneficiados com a terapia no sistema público. Na rede privada, uma caixa do Trikafta custa, em média, R$ 194,5 mil. Já o tratamento pode chegar R$ 2,5 milhões por paciente por ano.
“Estamos falando de salvar vidas e aliviar o bolso das famílias. Esses debates e estudos representam mais um passo para atrair a indústria a firmar novas parcerias com o SUS e ampliar a produção nacional de medicamentos. Com isso, garantimos um acesso mais sustentável aos tratamentos, reduzindo a necessidade de transplantes, internações e até do uso de antibióticos”, disse Padilha.
O Relatório Nacional de Monitoramento, realizado pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Fibrose Cística, evidencia que o medicamento também diminuiu em até 91,6% a necessidade de oxigenioterapia domiciliar das pessoas com a doença. Também foi observado uma redução de até 90% dos transplantes pulmonares após a oferta do medicamento, redução dos ciclos de inflamação e infecção, diminuição de 66,7% no uso de antibióticos sistêmicos, aumento médio de 10 a 14 pontos na função pulmonar e benefícios consistentes no estado nutricional.
O estudo de vida real ocorreu ao longo de um ano e avaliou 647 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, em tratamento com a terapia tripla moduladora elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor (Trikafta). O acompanhamento foi realizado em 39 Centros de Referência no Brasil. Um dos biomarcadores mais sensíveis da fibrose cística é o cloreto no suor, que apresentou redução após a utilização do Trikafta, proporcionando maior qualidade de vida, domínio físico e respiratório aos pacientes.
A fibrose cística é uma doença genética hereditária rara que faz o corpo produzir um muco muito grosso e pegajoso, que entope os pulmões e o aparelho digestivo, causando tosses constantes, infecções respiratórias e dificuldade para digerir os alimentos e ganhar peso. No SUS, o cuidado é realizado na atenção especializada, com 128 centros de referência habilitados em todo o país, iniciando com o diagnóstico por meio da triagem neonatal, realizada por meio do teste do pezinho, seguido de tratamento de qualidade e multiprofissional à população nos serviços de referência.
Oferta do Trikafta no SUS
O medicamento pode ser retirado pelo paciente nas farmácias de alto custo de todo o país, com a apresentação da receita médica devidamente emitida e carimbada pelo especialista. O medicamento é administrado em casa, por via oral, seguindo as diretrizes de tratamento de acordo com o quadro clínico de cada pessoa.
Até o momento, o Ministério da Saúde já entregou mais de 6 milhões de unidades do medicamento aos estados, que são responsáveis pela distribuição aos municípios. Ao todo, foram investidos R$ 2,8 bilhões em recursos federais.
Em 2023, o tratamento foi incorporado ao SUS para pacientes a partir de seis anos que apresentem, pelo menos, uma mutação F508del no gene CFTR, localizado no cromossomo 7, que produz uma proteína que controla a passagem de sal e água pelas células. Mutações ou erros neste gene impedem o fluxo correto de líquidos, tornando as secreções do organismo mais espessas, dificultando a sua eliminação e desencadeando sintomas como pneumonias, tosse crônica, dificuldade para ganhar peso e estatura e diarreia.
Taís Nascimento
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Brasil
Dia da Pessoa Idosa: Como o SUS se organiza para cuidar da população que mais cresce no País
Com cerca de 36 milhões de pessoas idosas no País, o Ministério da Saúde celebra 20 anos de Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) com mais de 500 milhões de produções na Atenção Primária à Saúde (APS), ampliação da vacinação pneumocócica atenção domiciliar.
Hoje, 1º de outubro, é celebrado o Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, data que, no Brasil, remete à aprovação do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003). Em meio a uma transição demográfica acelerada, na qual o Brasil envelheceu em poucas décadas o que países europeus levaram mais de um século, as pessoas idosas representam cerca de 17% da população brasileira, e aproximadamente 80% delas utilizam exclusivamente os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Cuidado presente no território
A atenção primária à saúde (APS) tem papel fundamental no cuidado das pessoas idosas, por estar próxima do território, acompanhar as pessoas ao longo do tempo e articular os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde. Em 2025, foram registrados 509,3 milhões de produções voltadas à população idosa. Esse volume englobou 201,8 milhões de procedimentos, 181,3 milhões de visitas domiciliares, 117,9 milhões de atendimentos individuais e 8,3 milhões de consultas odontológicas.
No primeiro semestre de 2026, foram 267,3 milhões de produções para pessoas idosas, incluindo 105,8 milhões de procedimentos, 96,8 milhões de visitas domiciliares, 60,5 milhões de atendimentos individuais e 4,3 milhões de atendimentos odontológicos.
SUS amplia estratégias para o cuidado da pessoa idosa
A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa tem como finalidade preservar, promover e recuperar a autonomia e a independência das pessoas idosas. Para isso, o SUS organiza ações que consideram as diferentes formas de envelhecer e as necessidades de cada pessoa.
Uma das ferramentas que contribuem para esse acompanhamento é o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20), incorporado pelo Ministério da Saúde ao Prontuário Eletrônico e-SUS APS em 2025. A ferramenta facilita uma avaliação multidimensional da pessoa idosa e auxilia as equipes de saúde na identificação de necessidades e na organização do cuidado de acordo com o perfil de cada usuário.
Desde a incorporação ao sistema, o IVCF-20 já foi aplicado mais de 4 milhões de vezes. A avaliação pode ser realizada anualmente a partir dos 60 anos e, conforme o resultado ou diante de mudanças importantes na condição de saúde e na vida da pessoa, pode ser reaplicada para apoiar o acompanhamento ao longo do tempo.
O cuidado no SUS também acontece em casa. O Ministério da Saúde criou recentemente o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), estratégia no âmbito da APS voltada à atenção domiciliar de pessoas idosas com maior necessidade de cuidados, especialmente aquelas com restrição ao leito ou ao domicílio.
O Padi Brasil é desenvolvido pelas equipes multiprofissionais (eMulti), em articulação com as equipes de Saúde da Família (eSF) e demais equipes da APS. A estratégia, que conta com incentivo financeiro do Ministério da Saúde, amplia a capacidade de cuidado no território e fortalece o acompanhamento das pessoas idosas em seus domicílios, considerando também a participação de familiares e cuidadores.
A atenção domiciliar no SUS também conta com o Programa Melhor em Casa, voltado a pessoas de diferentes faixas etárias que necessitam de cuidados de saúde no domicílio, inclusive em situações que demandam maior intensidade de cuidados e recursos de saúde. As duas estratégias integram a organização da atenção domiciliar no SUS, com níveis de cuidado distintos.
A promoção da saúde e a prevenção de agravos também fazem parte do cuidado integral à pessoa idosa. Como novidade no calendário vacinal, o Ministério da Saúde passou a ofertar a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo-20) nas Unidades Básicas de Saúde para a população com 85 anos ou mais, sem a exigência de pré-requisitos clínicos. A iniciativa amplia a proteção contra doenças pneumocócicas nessa população e integra as estratégias do SUS para promover um envelhecimento saudável.
Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa
Para apoiar as pessoas idosas no cuidado com a própria saúde e no acesso a informações e direitos, o Ministério da Saúde disponibiliza a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa. O material reúne informações sobre direitos, saúde e qualidade de vida e oferece espaço para registrar informações pessoais, condições de saúde, histórico de atendimentos e outros aspectos importantes para o acompanhamento ao longo do tempo.
A caderneta está disponível de forma gratuita no aplicativo ‘Meu SUS Digital’ e, em breve, será distribuída para todas as unidades da Federação
Com diferentes estratégias, o SUS articula ações para acompanhar as pessoas idosas em suas diferentes necessidades. “Celebrar o Dia da Pessoa Idosa é reconhecer as diferentes formas de envelhecer. E olhar para os 20 anos da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa também é pensar no cuidado que queremos construir para as próximas gerações de pessoas idosas”, destaca Camila Mendes, coordenadora de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde.
Saiba mais sobre saúde, direitos e cuidados na Caderneta da Pessoa Idosa
Guilherme Costa
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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