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Política Nacional

Sessão pelos 200 anos celebra papel de Arquivo e Biblioteca na democracia

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Em um trecho da obra mais antiga do acervo da Biblioteca do Senado, Descrição das Índias Ocidentais, do século 17, o geógrafo holandês Johannes de Laet elogiava os nativos da América por “conservarem a memória da antiguidade”. A mesma constatação foi feita nesta quarta-feira (8) pelos convidados da sessão especial que comemorou os 200 anos da Biblioteca e do Arquivo do Senado: há dois séculos ambas as instituições preservam o passado, a serviço do presente e do futuro.

Os documentos guardados desde 1826 hoje servem de fonte de informações para projetos de lei, reportagens que esclarecem discussões atuais e garantem posteridade a opiniões que tiveram pouco espaço no passado.

Na sessão, solicitada pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), os participantes apontaram as duas instituições como símbolos da democracia e do desenvolvimento. Izalci apontou os números do Arquivo — 43 mil caixas com documentos que remontam a 1788 — e da Biblioteca  — mais de 230 mil livros e 403 mil fascículos de revistas — como evidências da grandeza do acervo.

— Este acervo não pertence a um gabinete, a um partido ou a um mandato, pertence ao povo brasileiro. Qualquer pessoa pode entrar, pesquisar, consultar livremente. Isso não é apenas conservação: é democracia sendo exercida todos os dias, em silêncio — afirmou Izalci.

A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) argumentou que a democracia precisa de informação correta. Citou o período da pandemia da Covid-19, em que, segundo ela, o combate às fake news salvou milhares de vidas. 

— Quem mais empodera um povo é informação, e sem informação não tem democracia. É tanto que, nas ditaduras, a primeira coisa que se faz é calar bocas — argumentou.

História da criação

Doze dias após a criação do Arquivo, o Senado instituiu sua Biblioteca, em 18 de maio de 1826. A proposta sofreu oposição do senador Marquês de Maricá, que a considerava uma “despesa enorme e desnecessária, visto os senadores terem os seus próprios livros, devendo consultá-los em casa”. Ironicamente, essa opinião é conhecida graças aos documentos arquivados pelo próprio Senado, lembrou Osmar Carmo Arouck Ferreira, coordenador da Biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho (nome oficial da biblioteca).

— A Biblioteca do Senado está inserida no conflito democrático. Por isso seus conteúdos não podem ser unânimes nem representar uma única visão de mundo. Só assim ela poderá subsidiar com qualidade e responsabilidade decisões que impactam todo o país — concluiu, lembrando que o acervo inclui mais de 1.700 obras raras, disponíveis na internet, e uma seção voltada à pesquisa acadêmica, avaliada com nota máxima pelo Ministério da Educação. 

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Segundo o coordenador do Arquivo, Diogo Guerra, o Arquivo do Senado foi criado na mesma data da instalação oficial do Senado: 6 de maio de 1826. No entanto, estava previsto desde 1823, durante a elaboração da primeira Constituição brasileira.

— Antes da instalação do Legislativo, os constituintes de 1823 já haviam compreendido uma premissa fundamental: não se concebe o funcionamento de um Parlamento sem a proteção do acervo documental. Eles sabiam que um Senado sem arquivo seria uma nação sem memória — lembrou Guerra em seu discurso.

Papel das mulheres

A diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, destacou o papel relevante das mulheres na manutenção do arquivo, citando como exemplo Sara Ramos de Figueiredo, diretora do setor entre 1985 e 1987. 

— São áreas naturalizadas das mulheres. Acho que não é coincidência, talvez porque a mulher esteja associada ao cuidado. Quem não cuida da sua história não tem memória, e quem não tem memória não é capaz de cuidar do futuro de um país — disse Ilana.

Daliane Aparecida Silverio de Sousa, diretora da Secretaria de Gestão de Informação e Documentação (SGIDOC) — responsável por gerir o Arquivo, a Biblioteca e o Museu do Senado —, afirmou que o Senado faz justiça e reparação histórica com o projeto Escritoras do Brasil, criado em 2018 para publicar obras de mulheres de séculos passados.

— Gostaria que cada um imaginasse que está no século 18, que possui capacidade de produzir uma obra literária transformadora, mas que, por conta do contexto da época, não circulará. Porém, muitos anos depois, a Biblioteca do Senado encontra sua obra, a resgata e faz com que ela possa ser lida. Ela chega às escolas, é estudada. Como se sentiria? — afirmou.

Subsídio para as leis

O Arquivo e a Biblioteca do Senado auxiliam os senadores na elaboração das propostas legislativas, lembrou Maciel Rodrigues Pereira, coordenador-geral da SGIDOC.

— Em muitas proposições legislativas há o DNA do Arquivo e da Biblioteca. O Arquivo faz parte do processo legislativo não apenas como destino final das proposições, mas apoiando a adequada gestão dos documentos legislativos. As complexas pesquisas feitas pela Biblioteca são fontes de informação e dão suporte à elaboração de projetos de lei pelos parlamentares — explicou Pereira.

Acervo arquivístico

Documentos históricos em papel, como a Lei Áurea, de 1888, e a carta de renúncia do ex-presidente Jânio Quadros, de 1961, são exemplos dos 152 mil documentos textuais guardados no Arquivo.

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O local também possui mais de 40 mil imagens, em suporte papel, desde a antiga sede do Senado, no Palácio Monroe, no Rio de Janeiro. A partir de 1998, as fotografias referentes à atividade legislativa estão sob a custódia da Agência Senado em meio digital, disponíveis em tempo real para download no Banco de Imagens da Agência Senado

O livro mais antigo é de 1633: Novus Orbis seu Descriptionis Indiae Occidentalis, (“O Novo Mundo, ou uma Descrição das Índias Ocidentais”), de Johannes de Laet. Trata-se de uma descrição da América, com especial destaque para o Brasil. 

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Trecho em latim de Johannes de Laet, de 1633, em que reconhece importância da preservação do conhecimento, em tradução livre: “Os peruanos […] não conheciam nenhum tipo de escrita antes da chegada dos espanhóis; […] não obstante, preservavam a memória da antiguidade […] Eram, de fato, extremamente diligentes em transmitir aos mais jovens aquilo que tinham recebido dos mais velhos […] Supriam a falta de letras em parte com pinturas.”

Arquivo S

A pluralidade típica dos debates realizados no Parlamento e os documentos históricos servem de base para reportagens mensais que explicam, em linguagem acessível, momentos importantes do passado que têm relevância atual. Trata-se do Arquivo S, mencionado pelo senador Izalci, publicado em parceria do Arquivo com a Agência Senado desde 2014.

Na primeira sexta-feira de cada mês, de fevereiro a dezembro, é publicada uma nova matéria no portal Senado Notícias. Os textos são compilados em um livro publicado a cada ano, com versões impressa e em audiobook.

Homenagens

Durante a sessão, o Senado agraciou Daliane de Sousa com o Diploma de Honra ao Mérito do Senado Federal de Cultura Brasileira. Também receberam troféus comemorativos a senadora Zenaide, Sara Ramos de Figueiredo e Simone Bastos Vieira, diretora da Biblioteca entre 1996 e 2012.

O Coral do Senado participou da sessão, interpretando o Hino Nacional e outras duas composições. Também falaram na comemoração o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Américo Lucchesi; o diretor financeiro do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis), Petrus Elesbão; e a professora Angelica Marques, do curso de Arquivologia da Universidade de Brasília (UnB).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

Câmara aprova projeto que proíbe cobrança de tarifa mínima de consumo sobre água e esgoto

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A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que proíbe a cobrança de tarifa mínima de consumo pelos serviços públicos de água e esgoto. A proposta, que altera a Lei do Saneamento Básico, será enviada ao Senado.

De autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), o Projeto de Lei 1845/25 foi aprovado na forma do substitutivo do relator, deputado Kim Kataguiri (Missão-SP). “Ao cobrar por volume que não foi necessariamente consumido, a franquia mínima pode penalizar usuários de baixo consumo, como famílias de menor renda ou pessoas que vivem sozinhas, e estimular o desperdício”, disse Kataguiri.

Ele explicou que a cobrança de “tarifa mínima” ou “franquia de consumo” parte de uma lógica de volume presumido que, embora historicamente utilizada para assegurar previsibilidade de receita, produz efeitos socialmente injustos e ambientalmente inadequados.

Segundo o texto aprovado pela Câmara, somente uma das opções da Norma de Referência 13/25, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vai bancar os custos recorrentes do serviço que não dependem do volume consumido: a tarifa fixa e básica sem franquia de consumo.

Atualmente, a norma de referência traça regras gerais que devem ser seguidas pelas agências reguladoras da prestação do serviço nos estados e permite o uso de uma parcela fixa calculada com base em uma franquia de consumo mínimo. Nessa situação, quer o usuário tenha ou não tenha consumido o volume definido, ele é cobrado em toda conta.

No entanto, o texto aprovado pelos deputados continua a remeter à norma de referência da ANA a definição dos parâmetros para calcular esse valor fixo.

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A parcela variável conforme o volume consumido continua a fazer parte da composição total da tarifa final. Desde que haja disponibilidade regular do serviço ao usuário, a parcela fixa não dependerá da existência de consumo efetivo.

Kim Kataguiri defendeu a existência de tarifa composta por uma parcela fixa e uma parcela variável, correspondente ao consumo real. A tarifa básica destina-se a remunerar a disponibilidade da infraestrutura e os custos fixos, enquanto a parcela variável garante que o usuário pague pelo que consumiu.

“É como se você entrasse no bar e tivesse R$ 50 de consumação. O que a gente quer fazer é que quem não consumiu nada paga R$ 15 e quem consumiu, paga os R$ 15 e o que consumiu”, explicou.

O relator lembrou que esse modelo já é adotado por concessionárias de abastecimento de água como as de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e Distrito Federal. “A estrutura proposta induz o uso racional da água, aumenta a transparência e garante a modicidade tarifária, preservando ao mesmo tempo a sustentabilidade econômica dos prestadores”, declarou.

Habitações coletivas
Em condomínios (residenciais ou comerciais), a tarifa fixa será cobrada de cada unidade, mesmo onde haja um hidrômetro único, e será devida em razão do dimensionamento da capacidade instalada do sistema para o conjunto das unidades atendidas.

Já a tarifa variável será baseada no volume total consumido.

Esgotamento sanitário
No caso da tarifa de esgoto, a lógica será a mesma, sem consumo mínimo, franquia de volume ou mecanismo equivalente que imponha cobrança desvinculada do volume de água faturada.

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O serviço de esgotamento sanitário também terá tarifa fixa cobrada de cada unidade, inclusive em locais com ligação única.

Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas legislativas.
Projeto foi aprovado pelos deputados em sessão do Plenário

No caso de usuários abastecidos por fontes alternativas de abastecimento de água, a cobrança dos serviços de esgotamento sanitário seguirá a norma de referência da agência.

Plano de transição
O texto determina que os contratos e outros instrumentos de outorga de prestação de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em vigor deverão ser adequados às novas regras no prazo de quatro anos a partir da vigência, com plano de transição aprovado pela entidade reguladora competente.

Enquanto não aprovado esse plano de transição pela entidade reguladora, a estrutura tarifária vigente será prorrogada automaticamente.

A adequação da estrutura tarifária deverá ser realizada, preferencialmente, no momento da revisão tarifária periódica seguinte à data de publicação do projeto como lei.

O texto aprovado exige ainda que essa alteração seja precedida de estudo de impacto tarifário e socioeconômico, assegurada a sustentabilidade econômico-financeira da prestação e a preservação do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

Retroatividade
Se o projeto virar lei, a vigência começará depois de 180 dias da publicação. As regras mudadas não se aplicam aos fatos geradores ocorridos antes da implementação efetiva do plano de transição em cada contrato.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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