Brasil
MCTI anuncia cerca de R$ 65 milhões para estimular a diversidade na ciência
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em articulação com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e outros órgãos do Governo do Brasil, lançou nesta terça-feira (30) um pacote de investimentos de cerca de R$ 65 milhões. Serão cinco novas chamadas públicas, além de programas de inclusão de mulheres, população negra, indígenas e comunidades tradicionais na produção científica nacional.
Sob a premissa de que a ciência se constrói com igualdade étnico-racial e de gênero, os novos editais unem esforços com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), Ministério das Mulheres, Ministério da Educação (MEC), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Petrobras e Instituto Rio Branco.
Para a ministra Luciana Santos, a iniciativa marca uma inflexão na forma de financiar o conhecimento no País. “Esse é um daqueles momentos em que a política pública encontra seu propósito mais profundo, que é transformar realidades e ampliar horizontes”, declarou, durante a cerimônia. A formulação de políticas públicas precisas exige uma base diversificada de pesquisadores e evidências sólidas.
Conheça as iniciativas
O maior aporte individual assegura o Projeto InspirAÇÃO. O Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes) financia a ação com R$ 30,24 milhões para inserir alunas negras do ensino médio na cultura científica, focando em áreas estratégicas como energia e sustentabilidade. As estudantes receberão bolsas de iniciação científica (modalidade ATP-B) no valor de R$ 560 mensais. Já o Programa Asas para o Futuro destina R$ 7,55 milhões para qualificar 3.520 jovens mulheres nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem, na sigla em inglês). A ação prioriza adolescentes em situação de vulnerabilidade e distribui os recursos entre custeio, capital e bolsas mensais de R$ 300 durante os cursos de formação sociopolítica e profissional.
A internacionalização acadêmica ganha força com a segunda edição da Chamada Atlânticas (Beatriz Nascimento). Com R$ 4,92 milhões previstos, o edital apoia pesquisadoras negras, quilombolas, indígenas e ciganas em doutorados e pós-doutorados no exterior. Já o Programa Lélia Gonzalez direciona R$ 5 milhões para estudos que investiguem o racismo estrutural e as disparidades na sociedade brasileira. As propostas recebem até R$ 250 mil cada, incluindo repasses para bolsas de Iniciação Científica (IC) e Apoio Técnico (AT).
O Governo do Brasil também instituiu a Rede Nacional de Pesquisa em Igualdade Racial. O projeto recebe R$ 15 milhões para conectar universidades e instituições de ciência e tecnologia (ICTs), sob a coordenação-geral da professora e ex-ministra Nilma Lino Gomes (Universidade Federal de Minas Gerais). A rede mapeia, diagnostica e avalia políticas públicas em todo o território nacional. Outro R$ 1 milhão sustenta pesquisas focadas em aprimorar o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), priorizando a participação de povos de terreiro, ciganos, pessoas com deficiência e a população LGBTQIA+.
Para ampliar a presença de grupos sub-representados em espaços de poder globais, o Programa de Ação Afirmativa (PAA) aplica R$ 210 mil em uma nova frente. A iniciativa concede sete Bolsas Vocação Diplomacia (R$ 30 mil cada uma) voltadas exclusivamente para mulheres negras de baixa renda, fortalecendo a parceria de duas décadas com o Instituto Rio Branco. “Ciência não se faz apenas com excelência, ciência também se faz com equidade. E não há verdadeira excelência onde há exclusão”, afirmou a ministra. Ela explicou que o ecossistema tecnológico demanda diversidade para gerar resultados que dialoguem com os problemas reais da população. “Para ser mais forte, a ciência precisa ser feita por muitas mãos, muitas vozes, cores, olhares e pensamentos”, afirmou a ministra.
Brasil
Ministro Luiz Marinho visita Museu Hip-Hop e destaca qualificação profissional no setor cultural em Porto Alegre (RS)
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, visitou, neste sábado (27), o Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), onde conheceu o trabalho desenvolvido pela instituição, que oferece cursos de formação em gestão cultural com ênfase no movimento hip hop. As capacitações qualificam jovens trabalhadores gaúchos em áreas como captação de recursos, prestação de contas, elaboração e apresentação de projetos, além de estratégias de comunicação e marketing.
O ministro foi recebido pelo rapper e fundador do Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul, Rafa Rafuagi, que, juntamente com os instrutores da escola, apresentou as ações desenvolvidas pelo espaço, que já formou duas turmas desde o ano passado.
“Começamos aqui em um terreno baldio e, a partir desse espaço, construímos nossa estrutura. Por meio do programa de qualificação profissional, estamos repassando nosso conhecimento aos jovens que se interessam pelo movimento hip hop”, afirmou Rafael, que atua na disseminação da cultura por meio da iniciativa.
Os cursos foram iniciados em 2024, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Senac Nacional, com apoio da Associação da Cultura Hip-Hop (ACHE) e do Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul.
As formações são gratuitas e contam com o apoio da Gerência de Cultura do Sesc gaúcho e do Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul. A primeira turma, direcionada aos integrantes do movimento hip-hop, teve como objetivo formar multiplicadores para disseminar o conhecimento em suas comunidades.
“A iniciativa fortalece não apenas o movimento hip hop, mas também diversos setores culturais, oferecendo oportunidades de empreendedorismo por meio das políticas de qualificação e das iniciativas solidárias”, destacou o ministro, que percorreu a história do movimento ao conhecer os diferentes espaços do museu.
Inclusão produtiva
O Acordo de Cooperação Técnica promove a inclusão produtiva e o empreendedorismo, aliados aos princípios da economia popular e solidária, como autogestão, cooperação, solidariedade, igualdade, sustentabilidade e valorização do trabalho humano.
Durante a visita, o ministro esteve acompanhado do superintendente Regional do Trabalho e Emprego do Rio Grande do Sul, Claudir Nespolo, que ressaltou a importância de investir no segmento.
“São cursos gratuitos voltados à atuação em eventos e produção cultural, ampliando as oportunidades de geração de renda e inserção produtiva”, explicou o superintendente.
A iniciativa prevê a oferta de até 3.800 vagas para o curso de Produção Cultural, por meio do Programa Manuel Querino de Qualificação Profissional do MTE.
Luiz Marinho destacou a importância da iniciativa para o setor cultural. “A oferta dos cursos amplia as oportunidades de inclusão produtiva na área cultural”, ressaltou o Luiz Marinho ao conversar com instrutores e jovens participantes da formação.
Para o fundador do Museu da Cultura Hip-Hop do Rio Grande do Sul, Rafa Rafuagi, “a falta de conhecimento técnico, muitas vezes, limita o acesso do setor a benefícios e parcerias oferecidas à área cultural”.
Confira os cursos gratuitos da Trilha Formativa em Gestão Cultural e inscreva-se: https://trilha.sc.senac.br/mte
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