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Moagem de cana recua no Norte e Nordeste e produção de açúcar sofre impacto da crise climática e do mercado externo

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A safra 2025/26 de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste do Brasil segue marcada por desafios climáticos, pressão no mercado internacional e mudanças estratégicas no mix de produção. Dados divulgados pela NovaBio apontam que a moagem acumulada até 31 de março alcançou 55,6 milhões de toneladas, volume 2,1% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Segundo a entidade, o cenário reforça a tendência de direcionamento maior da matéria-prima para a produção de etanol, movimento impulsionado pela volatilidade dos preços globais do açúcar e pelas dificuldades no comércio exterior.

Do total de cana processada nas duas regiões, 54,96% foram destinados à fabricação de biocombustíveis.

Nordeste concentra maior volume de moagem

No recorte regional, o Nordeste respondeu pela maior parte do processamento, com 48,6 milhões de toneladas moídas, retração de 1,6% em comparação com a temporada passada. Já a Região Norte somou 6,9 milhões de toneladas, queda de 5,5%.

De acordo com o presidente-executivo da NovaBio, Renato Cunha, as irregularidades climáticas tiveram forte influência sobre o desempenho da safra.

Além das adversidades no campo, o setor também enfrenta impactos externos relevantes, especialmente relacionados à instabilidade geopolítica e à pressão sobre os preços internacionais do açúcar.

Outro fator que afetou o mercado foi a limitação das exportações brasileiras para os Estados Unidos, agravada pelas tarifas comerciais impostas pelo governo do ex-presidente Donald Trump e pelas restrições de cotas destinadas ao açúcar produzido no Norte e Nordeste.

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Produção de açúcar despenca e etanol ganha espaço

A produção acumulada de açúcar nas duas regiões atingiu 3,128 milhões de toneladas até o fim de março, representando queda de 16% frente ao mesmo intervalo da safra passada.

Na direção oposta, a produção total de etanol avançou de forma significativa. O volume acumulado chegou a 2,989 milhões de metros cúbicos, acima dos 2,249 milhões registrados anteriormente.

O crescimento foi impulsionado tanto pelo etanol de cana quanto pelo avanço da produção de etanol de milho.

Entre os derivados da cana, o etanol anidro somou 892,1 mil metros cúbicos, alta de 4,2% na comparação anual. Já o hidratado registrou 1,365 milhão de metros cúbicos, com leve retração de 2%.

No caso do etanol de milho, a produção alcançou 732 mil metros cúbicos, sendo:

  • 637,5 mil m³ de etanol anidro;
  • 94,5 mil m³ de etanol hidratado.
Qualidade da cana também recua

Os indicadores de Açúcar Total Recuperável (ATR), referência para medir a qualidade da matéria-prima, também apresentaram desempenho negativo na safra 2025/26.

Segundo os dados da NovaBio, houve queda de 7,7% no ATR total dos produtos finais. Já o índice de ATR por tonelada de cana registrou retração de 5,7% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

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O desempenho reforça os efeitos das condições climáticas adversas sobre a produtividade e a qualidade da cana nas duas regiões produtoras.

Safra se aproxima do encerramento

Até 31 de março, o setor já havia executado 94,2% da moagem estimada para toda a temporada 2025/26.

Na Região Norte, onde as operações praticamente se encerraram ainda em dezembro de 2025, o índice de execução permaneceu em 97%.

No Nordeste, a moagem atingiu 93,8% do total projetado para a safra.

Estoques de etanol caem quase 24%

Os estoques totais de etanol também apresentaram retração expressiva.

Até o fim de março, o volume armazenado de etanol de cana somava 210,2 mil metros cúbicos, distribuídos entre:

  • 109,8 mil m³ de hidratado;
  • 100,4 mil m³ de anidro.

Já os estoques de etanol de milho totalizaram 33,3 mil metros cúbicos, sendo:

  • 30,5 mil m³ de anidro;
  • 2,8 mil m³ de hidratado.

Com isso, o estoque total de etanol encerrou o período em 243,6 mil metros cúbicos, volume 23,95% inferior ao observado no mesmo intervalo da safra anterior.

O etanol anidro acumulou queda de 30% nos estoques, enquanto o hidratado recuou 15,3%, refletindo o aumento da demanda e o maior direcionamento do mercado para os biocombustíveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões

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O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.

A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.

A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.

Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.

A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.

O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.

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Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.

Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.

As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.

A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.

Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.

Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.

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Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.

Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.

O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.

A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.

Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.

A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.

Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.

Fonte: Pensar Agro

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