Brasil
Primeira turma indígena do Pronasci Juventude fortalece protagonismo de jovens no interior do Amazonas
Belém do Solimões, 19/5/2026 – Em alusão ao Dia dos Povos Indígenas na América, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), realizou, na segunda-feira (18), a aula inaugural da primeira turma 100% indígena do projeto Pronasci Juventude, desenvolvido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad).
Formada por jovens das etnias Ticuna e Kokama, a turma atua na comunidade, localizada na zona rural de Tabatinga (AM), fortalecendo ações de inclusão social, cidadania e prevenção à violência entre juventudes indígenas.
Localizada a mais de 1.100 km de Manaus (AM), Belém do Solimões é considerada uma das maiores comunidades indígenas da região do Alto Solimões e do País. Inserida em um território de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, seus habitantes enfrentam desafios históricos relacionados ao acesso a políticas públicas, educação, qualificação profissional e inclusão social para os jovens.
A programação do evento, promovido em parceria com o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), contou com a presença da equipe nacional do projeto em uma agenda voltada à valorização da identidade cultural local e ao fortalecimento do diálogo com os jovens participantes.
As atividades incluíram apresentações culturais com danças e manifestações tradicionais indígenas, roda de conversa com os jovens, exposição da mostra de saberes das atividades desenvolvidas no projeto e itinerância territorial, momento em que os integrantes conheceram as áreas de atuação do Pronasci Juventude na comunidade.
Ao comentar os momentos vivenciados durante a programação, a assessora técnica do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e integrante da gestão do Pronasci Juventude, Monalyza Alves, ressaltou a força da identidade cultural indígena e o impacto da integração entre comunidade, jovens e equipes do projeto no território amazônico.
“O dia foi marcado por momentos muito significativos em Belém do Solimões, como a execução do hino nacional em Ticuna, as apresentações culturais dos jovens, a visita a espaços importantes da comunidade e a integração entre jovens, oficineiros e professores do Pronasci Juventude. Tudo isso reforça a convicção de que o principal objetivo do programa é transformar vidas. A riqueza do projeto está nas pessoas envolvidas, no cuidado, na esperança e no compromisso coletivo com o fortalecimento da juventude brasileira”, ressaltou.
Dos cem jovens atendidos pelo Pronasci Juventude no território de Tabatinga, 30 integram a turma indígena de Belém do Solimões, onde participam de oficinas, ações formativas e atividades de acompanhamento voltadas à construção de projetos de vida, ao fortalecimento da identidade cultural, à cidadania e à inserção social qualificada.
A iniciativa atua diretamente na prevenção às violências e no fortalecimento do protagonismo juvenil, promovendo oportunidades para que os jovens desenvolvam novas perspectivas de futuro sem renunciar a suas raízes culturais e identitárias.
Visitas institucionais
Nesta terça-feira (19), a equipe segue para um momento de integração acadêmico-cultural com a turma do polo sede de Tabatinga, formada por 70 jovens da zona urbana do município.
A agenda com as duas turmas de Tabatinga integra as atividades institucionais do Pronasci Juventude Amazonas entre os dias 18 e 22 de maio, nos quatro territórios contemplados pelo projeto.
Brasil
Brasil e Canadá formalizam cooperação internacional em saúde com assinatura de memorando e adesão à Coalizão Global do G20
Após duas décadas sem acordos estruturados na área da saúde entre Brasil e Canadá, os dois países retomaram, nesta terça-feira (19), a cooperação bilateral com a assinatura de um memorando de entendimento no terceiro dia da missão oficial do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Genebra. A iniciativa consolida a agenda internacional da saúde no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e inaugura uma nova etapa da parceria entre os países em temas estratégicos como saúde e clima, adaptação dos sistemas de saúde às mudanças climáticas, saúde digital, fortalecimento de sistemas públicos universais e transferência de tecnologia.
Outro resultado do encontro foi a manifestação formal de interesse do Canadá em integrar a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo em Saúde, iniciativa liderada pelo Brasil e, atualmente, presidida pelo ministro Padilha. A adesão reforça o protagonismo internacional brasileiro na agenda de saúde global e amplia a articulação entre países do Norte e do Sul Global em torno de uma agenda comum de acesso equitativo à saúde.
Em carta encaminhada à Coalizão, a vice-ministra da Saúde do Canadá, Shalene Curtis-Micallef, e a presidente da Agência de Saúde Pública do Canadá, Nancy Hamzawi, reafirmaram o compromisso do país com a cooperação internacional voltada à ampliação do acesso a vacinas, diagnósticos, terapêuticos e outras tecnologias em saúde, especialmente para populações em situação de vulnerabilidade e doenças negligenciadas, em alinhamento aos princípios da Carta de Genebra, documento que marca a criação da iniciativa.
“A Coalizão responde a uma das maiores prioridades do governo do presidente Lula: reduzir a dependência externa do Sul Global na produção de medicamentos, vacinas, diagnósticos e equipamentos de saúde, por meio do fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. O Brasil tem orgulho de contar com instituições públicas de excelência, como a Fiocruz e o Instituto Butantan, e reafirma seu compromisso com o acesso equitativo, porque inovação sem acesso não é inovação, é injustiça”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O Canadá também indicou representantes para integrar o Comitê Diretor da Coalizão, responsável pelas decisões estratégicas da iniciativa. A entrada do país fortalece o peso político e técnico da Coalizão, diante da reconhecida capacidade canadense em pesquisa biomédica, inovação, regulação sanitária e produção biofarmacêutica, especialmente após os investimentos realizados para ampliar sua capacidade de resposta a futuras pandemias.
O ministro Alexandre Padilha anunciou a adesão de quatro organismos internacionais à Coalizão: a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a Medicines for Malaria Venture (MMV), o Medicines Patent Pool (MPP) e o South Centre. Com isso, a Coalizão amplia sua articulação internacional e passa a contar com 28 organizações participantes, reunindo atores estratégicos das áreas de inovação, pesquisa, financiamento, produção e políticas públicas em saúde.
O presidente da Fiocruz e secretário-executivo da Coalizão, Mario Moreira, destacou que a iniciativa representa um avanço estratégico para a soberania sanitária global. “Precisamos superar a lógica em que alguns países apenas produzem, enquanto outros permanecem dependentes de tecnologias em saúde. Essa discussão trata de soberania, resiliência e do direito de cada país desenvolver suas próprias capacidades científicas, tecnológicas e produtivas”, afirmou.
Durante a reunião, o Canadá também aderiu ao Plano de Ação de Belém, iniciativa internacional voltada à adaptação dos sistemas de saúde frente aos impactos da crise climática. Com isso, o país passa a integrar os esforços liderados pelo Brasil para fortalecer sistemas de saúde mais resilientes e sustentáveis.
O encontro também reforçou a parceria entre a Anvisa e a agência reguladora canadense. As duas instituições ocupam atualmente as vice-presidências da Associação Internacional de Agências Reguladoras e vêm ampliando a articulação conjunta em temas regulatórios, produção local e vigilância sanitária.
Dengue como pauta central da Coalizão
Em março deste ano, durante reunião de alto nível dos membros da Coalizão, a dengue foi definida como o primeiro desafio prioritário da iniciativa. Atualmente, quase metade da população mundial está em risco de contrair a doença, com estimativas entre 100 milhões e 400 milhões de infecções por ano
“A dengue, que historicamente afetava países tropicais, hoje está presente em mais de 100 países e em todos os continentes. As mudanças climáticas ampliaram as condições para transmissão da doença e reforçam a necessidade de integrar as arboviroses ao Plano de Ação de Belém”, afirmou Padilha.
O ministro destacou ainda a importância da inovação e da produção regional de tecnologias em saúde no enfrentamento da doença. “A vacina Butantan-DV representa uma esperança concreta para o Brasil e demonstra a importância de fortalecer capacidades nacionais e regionais de pesquisa, desenvolvimento e produção”, ressaltou.
Padilha também convidou governos, instituições de pesquisa, organizações internacionais, financiadores e o setor privado a participarem da primeira Chamada de Propostas da Coalizão, aberta até 1º de julho. “Os desafios globais exigem respostas ambiciosas e coordenadas. Esta chamada representa apenas o início de uma agenda internacional de cooperação voltada à inovação, produção regional e acesso equitativo à saúde”, concluiu.
Sobre a Coalizão Global do G20
Criada a partir da assinatura da Carta de Genebra, durante a 78ª Assembleia Mundial da Saúde, a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo em Saúde atua para reduzir desigualdades no acesso a tecnologias em saúde e promove a produção local e regional, o fortalecimento das cadeias de suprimento e a cooperação internacional em pesquisa, inovação e desenvolvimento produtivo.
A iniciativa é multissetorial e reúne governos, organizações internacionais, setor privado, instituições públicas, filantrópicas, academia e sociedade civil. A Coalizão tem secretariado executivo da Fiocruz e foi concebida durante a presidência brasileira do G20, em 2024, e consolida-se como uma das principais iniciativas internacionais voltadas à soberania sanitária e à redução das desigualdades globais em saúde.
Carolina Miltão
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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