Connect with us


Agro

Soja recua em Chicago após frustração com China e avanço da safra sul-americana pressiona mercado global

Publicado em

O mercado global da soja encerra a semana sob forte pressão nas bolsas internacionais, em meio à combinação de realização de lucros, enfraquecimento da demanda norte-americana e frustração dos investidores diante da ausência de novos anúncios de compras chinesas de soja dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, as projeções de safra recorde no Brasil e o aumento da oferta na Argentina reforçam o viés baixista para os preços da commodity.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros acumulam perdas expressivas após os fundos de investimento ampliarem as vendas técnicas, especialmente depois de as cotações atingirem importantes níveis de resistência. Nesta sexta-feira (15), os futuros voltaram a operar abaixo da linha psicológica dos US$ 12 por bushel.

O contrato julho da soja recuava para US$ 11,84 por bushel nas negociações da manhã, enquanto o setembro trabalhava próximo de US$ 11,69. Na sessão anterior, o vencimento julho fechou com queda de 36,50 centavos, ou 2,96%, a US$ 11,92 1/2 por bushel.

Além da soja em grão, o farelo e o trigo também seguem pressionados. O óleo de soja, por outro lado, voltou a subir acompanhando a recuperação do petróleo no mercado internacional.

Mercado decepcionado com China e acordo comercial

O principal fator de pressão veio das sinalizações vindas de Pequim após as reuniões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping. O mercado esperava anúncios de ampliação das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos, especialmente soja, o que não se confirmou.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a questão envolvendo as compras de soja pela China “já está resolvida”, indicando que o atual acordo comercial permanece sem mudanças significativas.

A avaliação predominante entre analistas é de que a China dificilmente aumentará substancialmente as compras de soja norte-americana neste momento, especialmente diante da ampla competitividade da soja brasileira e da demanda doméstica chinesa mais enfraquecida.

Leia mais:  Vetos ao marco temporal estão na pauta do Congresso nesta quinta, 9
Exportações dos EUA seguem abaixo do esperado

Outro fator negativo para os preços foi o desempenho fraco das exportações norte-americanas.

As vendas líquidas semanais de soja dos Estados Unidos somaram apenas 102,1 mil toneladas da safra 2025/26 e mais 80,8 mil toneladas da temporada 2026/27, ficando abaixo das expectativas do mercado, que projetava volumes entre 135 mil e 600 mil toneladas.

Apesar disso, o USDA confirmou vendas privadas de 252 mil toneladas de soja para destinos não revelados, sendo parte da safra velha e parte da nova temporada comercial.

No farelo de soja, entretanto, o cenário permanece mais sustentado, com demanda considerada firme e prêmios resilientes na Argentina e na Europa.

Safra recorde do Brasil amplia pressão global

As perspectivas de ampla oferta na América do Sul também pesam fortemente sobre o mercado internacional.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a projeção da safra brasileira de soja 2025/26 para 180,1 milhões de toneladas, crescimento de cerca de 5% sobre o ciclo anterior. Para o milho, a estimativa também subiu, alcançando 140,2 milhões de toneladas.

Na Argentina, a Bolsa de Comércio de Rosário revisou para cima sua projeção de produção de soja, agora estimada em 50 milhões de toneladas, diante dos bons resultados observados nas regiões centrais e do norte do país.

O aumento da oferta sul-americana fortalece a competitividade do Brasil no mercado internacional e reduz espaço para recuperação consistente das cotações em Chicago no curto prazo.

Mercado brasileiro acompanha pressão externa

No Brasil, o mercado físico também sentiu os reflexos das perdas internacionais.

No Rio Grande do Sul, a colheita da soja atingiu 95% da área cultivada, com produtividade média de 2.871 quilos por hectare. O desempenho, porém, segue bastante heterogêneo, com áreas de várzea apresentando produtividade elevada e perdas severas registradas no Oeste e Noroeste do estado.

Leia mais:  Manutenção de implementos é essencial para garantir precisão e alto rendimento na safra, alerta especialista da FertiSystem

No Porto de Rio Grande, os preços recuaram tanto no mercado disponível quanto nos contratos futuros para junho.

Em Santa Catarina, o mercado mostrou maior sustentação, impulsionado pela atuação das cooperativas e pela demanda local. Já no Paraná, onde a colheita alcançou 99% da área, problemas de abastecimento de diesel em algumas regiões elevaram a preocupação logística.

No Mato Grosso do Sul, a produtividade média caiu 22,4%, reduzindo margens de produtores, principalmente em áreas arrendadas. Em Mato Grosso, apesar da produção recorde estimada em 51,56 milhões de toneladas, o setor enfrenta desafios relacionados à armazenagem e ao ritmo mais lento de comercialização.

Fundos ampliam realização de lucros

Além dos fundamentos ligados à oferta e demanda, o mercado também passa por um movimento intenso de realização de lucros por parte dos fundos de investimento.

Após a recente recuperação das commodities agrícolas impulsionada por tensões geopolíticas, guerra comercial e expectativa de acordos entre China e Estados Unidos, investidores passaram a reduzir posições compradas diante da ausência de novos gatilhos altistas.

Esse movimento técnico ampliou a volatilidade não apenas na soja, mas também no milho e no trigo, aumentando a pressão sobre todo o complexo agrícola internacional.

Perspectiva segue volátil para os próximos dias

O mercado segue monitorando atentamente o comportamento da demanda chinesa, o avanço da comercialização da safra sul-americana e os desdobramentos geopolíticos entre Estados Unidos e China.

Enquanto isso, o aumento da oferta global e o ritmo ainda lento das exportações norte-americanas mantêm o ambiente de cautela entre investidores e agentes do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook

Agro

Exportação de açúcar do Brasil ganha força em maio e line-up supera 1,8 milhão de toneladas

Published

on

Line-up de açúcar cresce nos portos brasileiros

O line-up de exportação de açúcar nos portos brasileiros voltou a avançar em maio, reforçando o forte ritmo dos embarques do setor sucroenergético em 2026.

Levantamento da agência marítima Williams Brasil aponta que 47 navios aguardavam carregamento de açúcar na semana encerrada em 13 de maio, acima das 43 embarcações registradas na semana anterior.

O volume total programado para exportação alcança 1,837 milhão de toneladas, contra 1,791 milhão de toneladas na semana passada, indicando continuidade da forte movimentação logística nos principais portos do país.

Porto de Santos concentra maior volume de açúcar

O Porto de Santos segue liderando os embarques brasileiros de açúcar, concentrando a maior parte da carga prevista para exportação.

Confira os volumes programados por porto:

  • Porto de Santos: 1.465.638 toneladas
  • Porto de Paranaguá: 270.589 toneladas
  • Porto de São Sebastião: 56 mil toneladas
  • Porto de Maceió: 9,8 mil toneladas
  • Porto do Recife: 21.943 toneladas
  • Porto de Suape: 14 mil toneladas
Leia mais:  Synerjet entrega primeira aeronave Ipanema EMB 203 no Paraguai e amplia presença da aviação agrícola na América do Sul

O line-up considera navios já atracados, embarcações em espera e aquelas com previsão de chegada até 8 de junho.

Açúcar VHP domina exportações brasileiras

A maior parte da carga programada corresponde ao açúcar VHP, principal produto exportado pelo Brasil no segmento.

Do total previsto:

  • 1.775.970 toneladas são de açúcar VHP;
  • 56 mil toneladas equivalem a VHP ensacado;
  • 6 mil toneladas correspondem ao açúcar refinado A45.

O cenário confirma a forte presença brasileira no mercado global de açúcar bruto, especialmente voltado às refinarias internacionais.

Exportações avançam em volume, mas preços recuam

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras de açúcar e melaços seguem em ritmo acelerado em maio.

A receita diária média obtida com os embarques alcança US$ 48,092 milhões nos cinco primeiros dias úteis do mês.

O volume médio diário exportado chega a 136,651 mil toneladas.

Na parcial de maio, o Brasil embarcou 683.255 toneladas de açúcar, gerando receita de US$ 240,461 milhões.

O preço médio da commodity ficou em US$ 351,90 por tonelada.

Leia mais:  Açúcar recua nas bolsas internacionais, mas mercado interno segue firme com leve alta
Volume sobe mais de 28%, mas preço médio cai

Na comparação anual, o setor registra crescimento expressivo no volume exportado.

O embarque médio diário avançou 28,4% frente às 106,386 mil toneladas registradas em maio de 2025.

Já a receita diária apresenta alta moderada de 1,1% na comparação anual.

Por outro lado, o preço médio do açúcar exportado caiu 21,3% em relação aos US$ 447,10 por tonelada observados no mesmo período do ano passado.

O movimento reflete a maior oferta global da commodity, além da pressão exercida pelas oscilações internacionais do mercado de açúcar.

Mercado acompanha clima, produção e demanda global

O setor sucroenergético segue atento às condições climáticas no Centro-Sul do Brasil, ao ritmo da moagem e à demanda internacional, especialmente de grandes importadores asiáticos e do Oriente Médio.

Além disso, o comportamento do câmbio continua influenciando diretamente a competitividade do açúcar brasileiro no mercado externo, impactando preços e margens de exportação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262