Agro
Ibovespa oscila após queda e mercados globais operam mistos com pressão da inflação e juros nos EUA
Ibovespa inicia o dia em ajuste após queda forte na véspera
O Ibovespa abriu o pregão desta quinta-feira (14/05/2026) em clima de estabilidade com leve viés de correção, após encerrar o dia anterior (13/05) em queda de 1,8%, abaixo da marca dos 178 mil pontos.
O movimento reflete a continuidade da aversão ao risco nos mercados globais, com investidores reagindo a pressões inflacionárias e ao cenário de juros elevados por mais tempo nas economias desenvolvidas.
No início do dia, o índice oscila na faixa entre 177 mil e 179 mil pontos, com atenção redobrada para os papéis de maior peso na carteira teórica.
Fatores que influenciam o mercado brasileiro:
- Persistência de incertezas inflacionárias no Brasil e no exterior
- Expectativa de manutenção de juros elevados por bancos centrais
- Fluxo de capital estrangeiro mais seletivo
- Commodities em ajuste, afetando exportadoras
Entre os principais ativos monitorados estão as ações de peso de empresas como Vale e Petrobras, além do setor financeiro, que segue determinante para a direção do índice.
Wall Street fecha sem direção única com inflação pressionando expectativas do Fed
Nos Estados Unidos, os principais índices de ações encerraram o último pregão de forma mista, refletindo a leitura de novos dados de inflação ao produtor acima do esperado.
O cenário reforçou a expectativa de que o Federal Reserve poderá manter os juros em patamar elevado por mais tempo, prolongando o aperto monetário.
Desempenho dos índices americanos:
- Dow Jones: -0,14%
- S&P 500: +0,50%
- Nasdaq: +1,20%
A divergência entre os índices mostra um mercado dividido entre setores mais sensíveis a juros e o segmento de tecnologia, que ainda sustenta ganhos.
Europa fecha em alta com recuperação moderada dos mercados
As bolsas europeias encerraram o último pregão em tom positivo, sustentadas por ajustes técnicos e algum apetite por risco em setores industriais.
- DAX (Alemanha): +0,76%
- CAC 40 (França): +0,35%
- FTSE 100 (Reino Unido): +0,58%
O movimento reflete um cenário de cautela, mas sem ruptura negativa relevante, com investidores aguardando novos indicadores econômicos da região.
Ásia tem forte desempenho com Xangai no maior nível em 11 anos
Na Ásia, os mercados encerraram em alta, com destaque para o desempenho da bolsa chinesa.
O índice Shanghai Composite avançou 0,7%, atingindo o maior nível desde julho de 2015. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,2%, enquanto o Nikkei, no Japão, avançou 0,8%.
O movimento foi impulsionado por expectativas em torno das relações comerciais entre Estados Unidos e China, além de ajustes no setor de tecnologia.
Perspectiva: volatilidade segue no radar e mercados permanecem sensíveis a juros e inflação
O cenário global segue dominado por dois vetores principais: inflação persistente e política monetária restritiva nas principais economias.
Para o Brasil, isso significa um ambiente de maior volatilidade no Ibovespa, com impacto direto sobre commodities, fluxo estrangeiro e ações de grandes exportadoras — fator relevante também para o agronegócio, que depende do comportamento do dólar e dos preços internacionais de insumos e produtos.
A tendência é de que o mercado continue reagindo fortemente a novos dados econômicos dos Estados Unidos e às sinalizações dos bancos centrais ao longo das próximas sessões.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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