Educação
Fórum de reitores da AL e Caribe inicia em Foz do Iguaçu (PR)
O Ministério da Educação (MEC) deu início, nesta segunda-feira, 29 de junho, ao 1º Fórum de Reitoras e Reitores da América Latina e do Caribe, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR). O evento, que se encerra na terça-feira (30), busca debater temas como autonomia universitária, educação como direito, cooperação solidária, soberania e integração regional entre universidades brasileiras e da região.
Na plenária de abertura, o MEC foi representado pelos secretários de Educação Superior, Marcus David, e de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli, e pelo assessor especial para Assuntos Internacionais, Felipe Dutra.
David explicou que o evento terá duas funções fundamentais: defender a autonomia das universidades e fortalecer a resposta acadêmica a desafios globais. “Alguns movimentos políticos na América Latina e no Caribe estão questionando a legitimidade das universidades enquanto instituições essenciais no processo de desenvolvimento econômico e social. Então, esse encontro busca pensar em maneiras de sustentar a autonomia das universidades, ao mesmo tempo em que une esforços para criar parcerias em respostas a desafios globais, como as questões ambientais, a transição energética e a superação das desigualdades”, defendeu.
Bregagnoli comentou sobre o papel da educação profissional e tecnológica (EPT) para o progresso econômico da região: “A integração das instituições de ensino superior brasileiras com as da América Latina e do Caribe é uma determinação dessa gestão do governo federal, para que possamos trazer novas possibilidades de projetos, cooperação e programas que visem sobretudo o desenvolvimento atrelado à qualidade de vida, à inclusão e ao bem-estar social. Nos institutos federais, que contam com unidades em praticamente todas as fronteiras, conseguimos atender a esta demanda por integração, promovendo geração de emprego e renda por meio da educação profissional e tecnológica”.
“Esse é um evento inédito, que reúne 17 países em torno de um tema muito importante para o desenvolvimento de qualquer país: a educação superior”, afirmou a reitora da Unila, Diana Araújo. “Para a universidade, que está localizada na fronteira entre três países, é uma honra receber essa reunião, vem ao encontro da nossa missão de promover a integração regional. Receber as delegações faz parte desse momento de crescimento, consolidação e fortalecimento da Unila.”
O fórum ocorre em um momento estratégico para a Unila, marcado pelo avanço das obras do Campus Arandu, que deverá concentrar as atividades da universidade e fortalecer sua missão de integração regional. O empreendimento conta com o apoio da Itaipu Binacional, que participa da execução das obras por meio de investimentos destinados à consolidação da infraestrutura universitária.
Programação – A programação será dividida por painéis temáticos estratégicos, momentos de discussões e reuniões bilaterais, culminando na elaboração da Carta de Foz do Iguaçu, que trará as contribuições e propostas do evento para implementação no futuro próximo por governos e instituições de ensino. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, participará da programação do segundo dia, às 11h (horário de Brasília), quando assinará um termo de compromisso do programa Move la América, além de visitar as obras do Campus Arandu da Unila.
Confira o cronograma de atividades:
29/6
- 9h – 10h30: Cerimônia de Abertura com a presença de representantes institucionais
- 10h30 – 12h45: Painel 1 – Plenária da Educação Superior na América Latina
- 14h – 16h45: Almoço cultural no restaurante que marca as três fronteiras
- 16h30 – 17h30: Conversas bilaterais
30/6
- 9h30 – 11h: Painel 2 – Sistema Regional de Educação Superior
- 11h – 12h30: Fala do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e representantes de autarquias vinculadas ao MEC e assinatura do termo de compromisso Move la América
- 12h30 – 14h: Almoço
- 14h – 17h: Painel 3 – Educação Superior como Direito
- 17h: Mesa de encerramento
Participam da organização do evento a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), a Itaipu Binacional e a Unila. O evento também conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Assessoria Internacional (AI)
Fonte: Ministério da Educação
Educação
Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação
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