Agro
Novo marco do crédito rural exige responsabilidade socioambiental e rastreabilidade no acesso ao financiamento
Desde 1º de abril de 2026, o acesso ao crédito rural no Brasil passou a seguir novos critérios de conformidade socioambiental, conforme as Resoluções CMN n.º 5.193/2024, 5.267/2025 e 5.268/2025, que promoveram uma ampla atualização do Manual de Crédito Rural (MCR), sob coordenação do Banco Central (BC). As mudanças impactam diretamente produtores rurais, instituições financeiras, cooperativas de crédito e operadores jurídicos ligados ao agronegócio.
Crédito rural passa a exigir conformidade socioambiental obrigatória
De acordo com especialistas, a concessão de financiamento rural, que antes se concentrava principalmente na análise da viabilidade econômica e da capacidade de pagamento do produtor, agora incorpora critérios obrigatórios de conformidade ambiental.
Entre as novas exigências estão a rastreabilidade territorial e a responsabilidade socioambiental, que passam a ser condições objetivas para contratação, manutenção e renovação das operações de crédito rural.
Segundo o advogado especializado em agronegócio, Vinicius Souza Barquette, a mudança representa uma transformação estrutural no modelo de concessão de crédito no país.
Cadastro Ambiental Rural passa a ser condição obrigatória
A Resolução CMN n.º 5.193, em vigor desde 2024, estabelece que não poderá haver concessão de crédito rural para imóveis que não estejam inscritos no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR), ou cuja inscrição esteja cancelada ou suspensa.
Para o especialista, a regularidade do Cadastro Ambiental Rural (CAR) deixou de ser uma recomendação técnica e passou a ser uma exigência obrigatória para acesso ao financiamento.
Cruzamento de dados ambientais passa a ser exigido
Com as novas regras, a partir de 1º de abril de 2026, imóveis rurais com mais de quatro módulos fiscais deverão passar por análise de dados geoespaciais. Já para propriedades menores, a exigência passa a valer a partir de 4 de janeiro de 2027.
As instituições financeiras ficam obrigadas a cruzar informações do imóvel com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio do sistema Prodes, para identificar eventual supressão de vegetação nativa após 31 de julho de 2019.
Caso seja identificada irregularidade nesse período, a concessão do crédito deverá ser negada.
Crédito rural passa a integrar política ambiental
Segundo análise jurídica, as alterações promovidas pelas resoluções do Conselho Monetário Nacional representam uma mudança estrutural no papel do crédito agrícola no Brasil.
O financiamento rural deixa de ser apenas um instrumento de política financeira e passa também a atuar como ferramenta de política ambiental.
Conformidade ambiental será exigida durante todo o contrato
A modernização do Manual de Crédito Rural estabelece que o acesso ao financiamento passa a depender da comprovação de conformidade com a legislação florestal.
Além disso, será exigido monitoramento contínuo do uso da terra por meio de tecnologias de sensoriamento remoto, bem como o cumprimento permanente das obrigações socioambientais ao longo de toda a vigência dos contratos de crédito rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Missão na China pode gerar até US$ 110 milhões em negócios para cafés especiais do Brasil
A participação de empresários brasileiros do setor de cafés especiais em uma missão comercial na China e na feira internacional Hotelex Shanghai 2026 pode resultar em até US$ 109,89 milhões em negócios para o Brasil.
Ao todo, 19 empresas participaram da iniciativa, que gerou 436 contatos comerciais com importadores chineses. Desse total, US$ 1,34 milhão já foi fechado durante o evento, enquanto outros US$ 108,55 milhões estão projetados para os próximos 12 meses.
Estratégia fortalece presença do café brasileiro na China
A ação foi realizada por meio do projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation”, conduzido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
A iniciativa tem como objetivo ampliar a presença dos cafés especiais brasileiros no mercado chinês e consolidar uma estratégia estruturada para expansão na Ásia, aumentando as oportunidades comerciais para o setor.
Qingdao se destaca como hub logístico e estratégico
Na cidade de Qingdao, a missão teve foco institucional e técnico, incluindo visitas a cafeterias, torrefações e estruturas logísticas. A agenda permitiu uma análise aprofundada do mercado local e de suas tendências.
A região se mostrou estratégica do ponto de vista logístico, especialmente por contar com uma zona de livre comércio estruturada e conectada a diversos mercados asiáticos, o que a posiciona como potencial plataforma de importação e distribuição de café.
Segundo a BSCA, o mercado local apresenta sinais de evolução, com maior sofisticação, abertura para novos produtos e crescente interesse por cafés de maior qualidade.
Base de promoção reforça presença brasileira
Um dos principais resultados da missão foi a inauguração da “Base de Promoção do Café Especial do Brasil” em Qingdao.
A estrutura funcionará como plataforma permanente para ações de visibilidade, relacionamento comercial e fortalecimento da presença do café brasileiro no mercado chinês.
A programação também incluiu um fórum com representantes do governo local, entidades e empresas, no qual foram discutidas oportunidades de cooperação entre Brasil e China.
Durante o encontro, foram apresentados os diferenciais dos cafés especiais brasileiros, além da realização de sessões de degustação (cupping) com produtos certificados, destacando atributos como qualidade, rastreabilidade e consistência.
Hotelex Shanghai amplia conexões comerciais
Em Xangai, durante a Hotelex Shanghai 2026 — uma das principais feiras de hospitalidade da Ásia —, os empresários brasileiros intensificaram o contato direto com compradores, importadores, torrefações e cafeterias.
O estande brasileiro registrou forte presença de público qualificado e permitiu avançar negociações iniciadas durante a missão comercial, evidenciando a eficácia da estratégia integrada entre visitas técnicas e participação em eventos internacionais.
Cafés brasileiros ganham destaque pela diversidade sensorial
Os cafés especiais apresentados na feira tiveram alta aceitação, com destaque para perfis sensoriais diferenciados.
Bebidas com notas frutadas e cítricas despertaram interesse do público, contribuindo para ampliar a percepção sobre o Brasil como origem de cafés de alta qualidade e maior valor agregado.
Também foi identificado um crescimento na demanda por cafés mais complexos, inclusive para preparo em espresso, sinalizando a evolução do mercado chinês e sua abertura a novos perfis de consumo.
Todos os produtos apresentados contavam com certificação da BSCA, reforçando atributos como padronização, confiabilidade e rastreabilidade.
Missão consolida avanços e abre novas oportunidades
De acordo com avaliação dos participantes, a missão e a presença na feira geraram avanços importantes em três frentes principais: fortalecimento institucional, ampliação das conexões comerciais e validação do potencial dos cafés especiais brasileiros na China.
A iniciativa também estabeleceu bases sólidas para a continuidade das ações no país asiático e para o aprofundamento da presença brasileira em outros mercados da região.
Brasil amplia posicionamento estratégico na Ásia
A avaliação final do setor é de que o Brasil avança de forma consistente em um mercado promissor e em expansão.
Além de reforçar a qualidade e diversidade dos cafés nacionais, a missão contribuiu para estruturar relações institucionais e abrir novas frentes estratégicas, especialmente nas áreas de logística e posicionamento comercial.
O movimento fortalece a competitividade do café especial brasileiro e amplia sua conexão com importantes centros consumidores globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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