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Soja oscila em Chicago sob influência da geopolítica e do óleo; mercado brasileiro enfrenta desafios regionais

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O mercado da soja iniciou a semana com comportamento lateral na Bolsa de Chicago, refletindo a combinação de fatores técnicos, fundamentos e influências externas. Enquanto os preços testam variações dos dois lados da tabela, o cenário global segue marcado por incertezas geopolíticas e dados de oferta e demanda. No Brasil, o mercado apresenta dinâmicas distintas entre as regiões produtoras.

Soja oscila em Chicago e testa limites técnicos

Os contratos futuros da soja registraram movimentação lateral nesta terça-feira (7), chegando a operar tanto em alta quanto em baixa ao longo da manhã. Por volta das 8h15 (horário de Brasília), os principais vencimentos apresentavam ganhos entre 1 e 1,75 ponto, com o contrato de maio cotado a US$ 11,68 por bushel e o de julho a US$ 11,85.

O mercado foi inicialmente pressionado por um movimento de realização de lucros, em meio a um ambiente ainda fortemente influenciado pelo cenário geopolítico global. A soja também acompanhou as perdas observadas no milho e no trigo, enquanto o óleo de soja avançava e o farelo recuava.

Com a ausência de fatos novos relevantes, os futuros voltaram a subir ao longo do dia, sustentados por ajustes técnicos e pela cautela dos investidores, que evitam posições mais agressivas neste momento.

Fundamentos e andamento das safras seguem no radar

Além da geopolítica, os agentes de mercado mantêm atenção sobre os fundamentos, especialmente as condições das lavouras na América do Sul e o avanço da nova safra nos Estados Unidos.

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou seu primeiro relatório semanal da temporada 2026/27, indicando o início do plantio do milho no país, fator que influencia o comportamento geral das commodities agrícolas.

Esse conjunto de variáveis tem limitado movimentos mais expressivos nos preços da soja, mantendo o mercado em compasso de espera.

Alta do óleo de soja sustenta cotações internacionais

Apesar das oscilações, a valorização do óleo de soja tem oferecido suporte relevante aos preços. O derivado acumula forte alta no ano, impulsionado pela demanda por biodiesel e pelos preços elevados do petróleo.

De acordo com a TF Agroeconômica, outro fator de sustentação foi o desempenho das exportações norte-americanas, que superaram as expectativas do mercado, com destaque para a participação da China nas compras.

Esse cenário contribuiu para que os contratos mais próximos encerrassem o dia com ganhos moderados na Bolsa de Chicago.

Mercado brasileiro apresenta contrastes regionais

No Brasil, o andamento da safra segue marcado por diferenças importantes entre os estados produtores, impactando diretamente os preços e o ritmo de comercialização.

No Rio Grande do Sul, a colheita avança lentamente e enfrenta risco de paralisação devido ao desabastecimento de diesel, o que eleva os custos logísticos e pressiona a rentabilidade do produtor.

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Em Santa Catarina, a demanda da agroindústria sustenta os preços, especialmente nos portos, garantindo maior liquidez em comparação a outras regiões.

No Paraná, o mercado permanece estável, mesmo com oscilações cambiais, refletindo cautela nas negociações e impacto do frete elevado.

Já em Mato Grosso do Sul, os preços mostram firmeza pontual, mas o desinteresse das indústrias esmagadoras e a limitação de armazenagem reduzem o poder de negociação do produtor.

Em Mato Grosso, a combinação de dólar mais fraco e custos logísticos elevados mantém pressão sobre as cotações. A capacidade limitada de armazenagem segue forçando a comercialização, em um cenário de margens comprimidas.

Cenário exige cautela e atenção do mercado

Diante desse contexto, o mercado da soja segue equilibrado entre fatores de suporte e pressão. A ausência de novidades relevantes no curto prazo, somada às incertezas externas e aos desafios logísticos internos, mantém os preços em trajetória lateral.

A tendência é de continuidade da volatilidade moderada, com agentes atentos aos próximos dados de oferta e demanda, ao comportamento do petróleo e aos desdobramentos geopolíticos que possam influenciar o fluxo global de commodities.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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