Brasil
Barra de Mamanguape é reconhecido como território tradicional
Mais um território tradicional da pesca artesanal foi reconhecido como Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE). A criação do PAE Pesqueiro Território Barra de Mamanguape, localizado nos municípios de Rio Tinto e Marcação, na Paraíba, garante o direito de permanência e uso tradicional do território, além da inclusão das famílias no Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA).
O reconhecimento é fruto da parceria entre o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU).
O assentamento beneficiará 63 famílias e possui uma área estimada de 1.169,99 hectares. De acordo com o pescador da comunidade, José Welligton Freires, a criação do PAE pesqueiro em seu território fortalece o modo de vida de pescadores e pescadoras, preservando os recursos naturais que sustentaram as gerações passadas e que sustentarão as presentes e futuras.
“O trabalho foi de união e resistência para superar as dificuldades. A Barra de Mamanguape vive um momento de grande especulação imobiliária e turismo desordenado. Ter 63 famílias unidas, lutando para preservar sua identidade e garantir seus direitos, é o que nos move”, afirmou Welligton.
Desde 2025, o MPA vem estabelecendo diálogo com a comunidade sobre o PAE Pesqueiro, atuando na orientação das etapas do processo, além de receber e contribuir tecnicamente com a documentação e o mapeamento da área, até o envio da solicitação à Superintendência Regional do Incra na Paraíba.
Para o chefe da Divisão de Obtenção de Terras do Incra na Paraíba, Ivan Sérgio Campos, o reconhecimento possibilita a inclusão dessas famílias de pescadores no acesso às políticas públicas, fortalecendo seus vínculos com o território e garantindo melhores condições de vida e sustento.
Ivan acrescentou que o Incra participou do processo ao receber a demanda oriunda da comunidade, por meio do MPA, e formalizou a criação do Projeto Agroextrativista Pesqueiro. “O passo seguinte será o reconhecimento das famílias que se enquadram nos critérios de elegibilidade ao PNRA, regidos pela Lei nº 8.629/1993, e o acompanhamento do projeto de assentamento na implementação das políticas públicas”, destacou.
A participação do MPA nos processos de criação dos PAEs pesqueiros é resultado de parceria com o Incra, por meio da Coordenação-geral de Territórios Pesqueiros e Integração de Políticas Públicas (CGTIP), da Secretaria Nacional de Pesca Artesanal (SNPA). A iniciativa conta ainda com o acompanhamento e a parceria do Fórum Nacional da Pesca Artesanal (FNPA), da Articulação Nacional das Pescadoras (ANP) e do Movimento Nacional dos Pescadores e Pescadoras (MPP).
No processo de criação do PAE Pesqueiro Território Barra de Mamanguape, assim como nos demais que vêm sendo implementados no Brasil, a atuação da comunidade e de seus representantes é fundamental.
História e realidade
Historicamente, a ocupação da área está ligada aos povos indígenas potiguara, cuja presença permanece até hoje em aldeias distribuídas pela região, especialmente na margem norte do rio.
Atualmente, a Barra de Mamanguape constitui uma área costeira de grande relevância ambiental, social e cultural. Do ponto de vista físico, destaca-se pela presença de um amplo mosaico de ecossistemas, incluindo extensos manguezais, remanescentes de Mata Atlântica, restingas, dunas, falésias e recifes.
A coordenadora de Territórios Pesqueiros e Integração de Políticas Públicas da Secretaria Nacional de Pesca Artesanal do MPA, Suana Silva, afirma que a comunidade tem na pesca artesanal, incluindo a coleta de mariscos, uma de suas principais atividades econômicas.
“O conhecimento sobre os ecossistemas locais não só é fundamental para a reprodução social e cultural dessas comunidades, mas também para a preservação desses ecossistemas e para a manutenção da vida em geral. É, portanto, indiscutível a necessidade de garantir o uso e a permanência dessas populações em seus territórios, bem como assegurar às pescadoras e aos pescadores artesanais o acesso às políticas públicas do PNRA”, finalizou.
Brasil
Ministério do Turismo e UNESCO lançam edital para avaliar 21 ‘Destinos Turísticos Inteligentes em Transformação’ no Brasil
O Ministério do Turismo, em parceria com a UNESCO, lançou edital para contratação de empresa especializada que vai atuar no aperfeiçoamento e aprimoramento da gestão de 21 municípios brasileiros, que buscam se tornar Destinos Turísticos Inteligentes – denominação dada a cidades que adotam soluções e causam impactos positivos na vida da comunidade local e de seus visitantes.
O município se torna um destino turístico inteligente quando reúne um conjunto de ações estratégicas essenciais como, por exemplo, disponibilizar wi-fi público com um robusto monitoramento por câmeras, favorecer o desenvolvimento de startups, manter os espaços públicos bem conservados, promover a acessibilidade, respeitar a biodiversidade, criar um ambiente propício ao empreendedorismo e para a economia criativa, facilitar a mobilidade e ter a sustentabilidade como ponto de partida para atingir seus objetivos.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a iniciativa representa mais um passo no aprimoramento da gestão turística brasileira e na disseminação de boas práticas entre os destinos.
“Esse trabalho vai contribuir para qualificar ainda mais os municípios participantes e estimular soluções inovadoras e uma gestão mais eficiente e integrada do turismo no país”, afirmou.
Entenda
O Ministério do Turismo iniciou, em 2021, o projeto-piloto intitulado “Modelo DTI Brasil”, com o objetivo de adaptar a metodologia de Destinos Turísticos Inteligentes (criada na Espanha, em 2012) à realidade brasileira, contribuindo para o desenvolvimento das cidades turísticas do país, transformando-as em destinos mais competitivos, atraentes e inovadores tanto para os visitantes como para os habitantes, sem tirar o foco e a importância da sustentabilidade, da segurança e da acessibilidade.
O edital
A iniciativa de publicar o edital tem objetivo de avaliar se as 21 cidades trabalhadas até o momento têm obtido êxito com seus Planos de Transformação elaborados entre 2021 e 2023. O intuito é fazer o acompanhamento das iniciativas propostas nesses planos, orientando esses “DTIs em Transformação” para que se tornem Destinos Turísticos Inteligentes (DTIs).
Serão elaborados, por exemplo, relatórios analíticos focados no desempenho desses municípios. A empresa contratada também deverá apresentar um modelo simplificado da Metodologia DTI Brasil — a adaptação do modelo espanhol para a realidade nacional – para cidades com atividade turística menos consolidada interessadas em melhorar sua gestão e em transformar o seu turismo.
A contratação tem como objetivo fortalecer a gestão estratégica desses destinos turísticos brasileiros por meio da análise de resultados, da sistematização de experiências e da proposição de instrumentos que contribuam para o aprimoramento das políticas públicas de turismo inteligente no país.
Os relatórios deverão contemplar os seguintes “DTIs em Transformação”:
- Angra dos Reis (RJ)
- Belo Horizonte (MG)
- Bonito (MS)
- Brasília (DF)
- Campo Grande (MS)
- Curitiba (PR)
- Florianópolis (SC)
- Fortaleza (CE)
- Foz do Iguaçu (PR)
- Goiânia (GO)
- Gramado (RS)
- Joinville (SC)
- Palmas (TO)
- Ponta Grossa (PR)
- Recife (PE)
- Rio Branco (AC)
- Rio de Janeiro (RJ)
- Salvador (BA)
- Santos (SP)
- São Luís (MA)
- Vila Velha (ES)
Como funciona
Para se tornar um Destino Turístico Inteligente, a cidade precisa olhar para além do óbvio. O modelo DTI Brasil estrutura a gestão municipal em torno de nove pilares estratégicos: governança, acessibilidade, segurança, inovação, promoção e marketing, mobilidade e transporte, tecnologia, criatividade e sustentabilidade.
Essa abordagem multidisciplinar garante que o turismo cresça de forma ordenada e inclusiva. Por exemplo, ao investir no eixo de tecnologia, o destino pode implementar sistemas de dados para entender melhor o perfil do seu visitante e otimizar a gestão governamental. Já no eixo de criatividade, a cidade é estimulada a valorizar sua cultura local e economia criativa como diferenciais competitivos.
Serviço
- O que: Seleção de pessoa jurídica para elaboração de relatórios analíticos e atualização da Metodologia DTI Brasil
- Prazo para envio das propostas: até 16 de junho de 2026, às 17h
- Envio das propostas e edital: Podem ser conferidos na plataforma oficial de licitações da UNESCO. Clique aqui.
Por Bárbara Magalhães
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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