Política Nacional
Debate aponta urgência no combate ao racismo e à misoginia, que vêm crescendo
Reconhecer a misoginia como crime de ódio é essencial para romper o ciclo de impunidade que alimenta o feminicídio. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (25) em audiência pública sobre a violência praticada contra mulheres negras e indígenas.
Houve crescimento de 4,7% na taxa de feminicídio e 79% das mulheres negras são as principais vítimas de violência letal — disse a secretária-executiva adjunta do Ministério da Igualdade Racial, Bárbara Souza.
Entre 2014 e 2023, o aumento da violência contra mulheres indígenas foi de 258%. A média nacional nesse mesmo período, entre brasileiras de todas as raças, foi de 207%, destacou a representante da Secretaria dos Povos Indígenas do Pará, Ana Grimath.
Assistente de coordenação do Programa de Enfrentamento à Violência da ONG Criola, Patrícia Carvalho apontou a importância de pensar em novas estratégias para enfrentar a crescente violência contra as mulheres, passados 20 anos da sanção da Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006).
Políticas articuladas
A audiência pública foi promovida pela Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher, presidida pela deputada Luizianne Lins (PT-CE), que propôs a realização da audiência pública.
— A força da articulação das políticas públicas em favor das mulheres, sobretudo negras e indígenas, depende da articulação do governo federal, governos estaduais e prefeituras. 37,5% das mulheres com mais de 16 anos sofreram algum tipo de violência em 2025, o que demanda uma resposta mais efetiva do Estado brasileiro — defendeu Bárbara Souza.
Presidente do Conselho de Governança do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Wania Sant’Anna disse que as mulheres sempre estiveram envolvidas profundamente nos processos de paz pelo mundo. Ela ressaltou que um mundo sem paz e de guerra sempre vai penalizar mais as mulheres e as meninas. E defendeu a realização de uma campanha nacional preventiva, de no mínimo dez anos, de combate à violência contra a mulher.
— A gente está fracassando miseravelmente. A gente precisa ter dados, mas nós chegamos ao ponto que não é mais sobre isso, [de ter mais] indicadores e evidências de mulheres que morrem vítimas de feminicídio ou medidas protetivas. Nós estamos precisando fazer um debate fundamental e político sobre o que querem fazer com as mulheres brasileiras. A gente tem que dizer que a violência contra a mulher é inaceitável. Esse debate precisa ser da sociedade — afirmou.
‘Remédio certo’
Luizianne Lins pontuou que a elaboração de políticas públicas exige diagnósticos precisos, além de recursos que possibilitarão a oferta do remédio certo a cada situação.
Por sua vez, a representante do Observatório Nacional da Mulher na Política da Câmara dos Deputados, Cristiane Bernardes, afirmou que a violência tem como um dos piores resultados a expulsão das mulheres do campo político.
Liderança do Coletivo Matriarcado Ancestral, Mônica Lima apontou a constante violação de direitos, a ameaça aos territórios e disse que as mulheres indígenas “estão fadadas à inexistência, quanto mais no contexto urbano”.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
Carreiro de boi terá dia nacional em 6 de setembro
O dia 6 de setembro passou a ser o Dia Nacional do Carreiro de Boi. A homenagem está prevista na Lei 15.495, de 2026, sancionada pelo presidente da República e publicada nesta sexta-feira (4) no Diário Oficial da União (DOU).
No passado, o carro de boi era usado para transportar pessoas e mercadorias, principalmente na produção agrícola. A tradição dos carreiros, no entanto, permanece viva e hoje faz parte de manifestações culturais em diferentes regiões do país.
A lei tem origem no Projeto de Lei (PL) 1.036/2024, da deputada Flávia Morais (PDT-GO). No Senado, a proposta foi aprovada em decisão terminativa na Comissão de Educação e Cultura (CE), ou seja, sem necessidade de passar pelo Plenário, com parecer favorável da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO).
Segundo a relatora, a escolha de 6 de setembro coincide com a data estabelecida pela Lei estadual 16.313, de 2008, que reconhece o Dia Estadual do Carreiro de Boi em Goiás. Para Dorinha, a instituição da data nacional amplia o reconhecimento da atividade e contribui para preservar os conhecimentos ligados ao ofício.
“A padronização nacionaliza, pois, o reconhecimento de um ofício que, embora apresente calendários distintos em estados como Alagoas, Rio de Janeiro e Santa Catarina, compartilha a mesma essência de integração do território e de salvaguarda dos saberes ancestrais”, afirma a senadora no parecer.
A relatora também destacou o potencial da data para fomentar o turismo e contribuir para que as novas gerações conheçam a importância histórica e cultural do ofício.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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