Brasil
Vozes das Infâncias nas Políticas Públicas: MMA lança pacto para garantir escuta de crianças e adolescentes na agenda ambiental
Crianças e adolescentes participaram do evento “As Vozes das Infâncias nas Políticas Públicas – Legados da COP30 para a Educação Ambiental e a Democracia Climática”, que reuniu representantes do Governo do Brasil, sociedade civil, educadores e estudantes para discutir a participação das infâncias nas políticas públicas ambientais e na agenda climática.
Promovido no início de março de 2026 pelo Departamento de Educação Ambiental e Cidadania (DEA) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em Brasília (DF), o encontro abordou as reivindicações de crianças e jovens para o cumprimento dos compromissos da COP30, a Conferência da ONU sobre Mudança do Clima realizada em Belém (PA) em 2025.
O ponto alto foi o lançamento do “Pacto pelas Vozes das Infâncias nas Políticas Públicas – Por uma Democracia Climática Intergeracional e Permanente”. O documento foi elaborado com a participação de diversas instituições que atuam na promoção da participação social e na proteção e inclusão das infâncias nas políticas públicas e nas negociações internacionais.
Representantes de diferentes regiões do país chegaram a manifestar apoio simbólico ao pacto, que agora permanece aberto à adesão de instituições interessadas em fortalecer a iniciativa.
“É importante pensar nas infâncias, porque são fases distintas que exigem abordagens diferentes para a construção desse pacto e para o acompanhamento do que foi deliberado na conferência e do que representou a experiência da COP30. Precisamos parar de queimar, parar de desmatar e avançar na construção do pacto pelas vozes das infâncias nas políticas públicas. Também é necessário firmar um compromisso entre nós para implementar o que essas vozes estão trazendo. Sem a participação da sociedade, não é possível que essa política seja efetiva”, reforçou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, durante o evento.
O pacto defende que a democracia climática deve ser intergeracional, estruturada e permanente e estabelece compromissos para garantir a escuta e a participação de crianças e adolescentes na formulação de políticas públicas ambientais, nas decisões das Conferências das Partes (COPs) e em outros espaços institucionais.
O diretor do DEA, Marcos Sorrentino, afirmou que o pacto busca fortalecer a continuidade das ações na área ambiental. “Os grandes eventos têm papel mobilizador, mas as transformações de que o mundo, que o planeta, que o Brasil precisam têm que ser continuadas, têm que ser construídas no dia a dia, no cotidiano”, declarou.
Durante o encontro também foi exibido o minidocumentário “Benevides – As vozes das crianças da Amazônia”, produzido pelo grupo Allma em parceria com a prefeitura do município paraense. O filme reúne depoimentos de estudantes da rede municipal sobre mudanças climáticas e preservação ambiental. A prefeita de Benevides, Luziane Solon, apresentou iniciativas de educação ambiental desenvolvidas no município.
Para o estudante Miguel Peixoto, 14 anos, do 1º ano do Ensino Médio do Centro de Ensino Médio 09 de Ceilândia (DF), “preservar a natureza é preservar vidas e garantir dignidade às presentes e futuras gerações”. Peixoto foi delegado do DF na VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, realizada em 2025.
“As crianças são pessoas que se importam verdadeiramente com a natureza”, afirmou João Vitor Kaeder, 11 anos, aluno do Ensino Fundamental da cidade de Benevides (PA), que veio a Brasília com a mãe e a irmã especialmente para participar do encontro.
A apresentação do filme marcou o lançamento nacional do documentário, produzido pelo grupo Allma em parceria com a Prefeitura de Benevides (PA). O curta, de 12 minutos, reúne respostas criativas e inusitadas de estudantes da rede municipal de ensino a perguntas como o que fariam para que líderes mundiais se comprometessem com o enfrentamento da mudança do clima, no âmbito do Balanço Ético Global – BEG adaptado ao público infantojuvenil.
Também foi apresentado um vídeo de dois minutos produzido por alunos do Centro de Ensino Fundamental 26 de Ceilândia sobre “As vozes da periferia na COP 30”. Os estudantes também contribuíram para uma exposição de desenhos sobre a temática ambiental, aberta no saguão do MMA.
O encontro terminou com a projeção do longa “O Diário de Pilar na Amazônia”, seguida de debate com a autora da série “Diário de Pilar”, Flávia Lins. O filme, atualmente em cartaz no circuito comercial, reforça a centralidade das infâncias e da cultura amazônida, assim como das florestas, como horizonte simbólico da política climática brasileira e global.
Clique aqui para fazer a adesão ao Pacto pelas Vozes das Infâncias nas Políticas Públicas.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Brasil
Ministério da Saúde mobiliza SAMU 192 para treinar equipes e apoiar estudo clínico com polilaminina
O Ministério da Saúde mobilizou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) da capital paulista para apoiar a identificação e o encaminhamento de pacientes ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP). Os voluntários elegíveis poderão participar de um estudo clínico sobre o uso da polilaminina no tratamento de lesões agudas da medula espinhal.
Em reunião com o Ministério da Saúde nesta sexta-feira (18), foi definido que o SAMU fará adaptação no protocolo desses casos e treinamento específico das equipes para identificar as pessoas que se enquadrem nos critérios dos ensaios, previstos para começarem no dia 24 deste mês.
A polilaminina será aplicada em cinco voluntários, que tenham sofrido lesão na medula há menos de 72 horas e atendam aos demais critérios estabelecidos pelo protocolo da pesquisa. A ação representa um avanço regulatório e científico no país ao viabilizar o desenvolvimento de uma nova terapia para pacientes com lesões na medula espinhal e integrar a pesquisa clínica diretamente à assistência no Sistema Único de Saúde (SUS).
Baseada em um protocolo validado e conduzida por pesquisadores capacitados, a parceria exige que o SAMU de São Paulo identifique prontamente os casos com o perfil exigido, viabilizando o rápido encaminhamento ao HC-FMUSP.
Articulação
Além do SAMU, a articulação do Ministério da Saúde envolve o HC-FMUSP e o laboratório responsável pela pesquisa. Também foi acertado que o treinamento das equipes da capital paulista poderá ser utilizado por serviços de urgência de cidades próximas, caso seja identificada a necessidade de ampliar a área de encaminhamento de pessoas socorridas para o estudo.
O estudo foca especificamente em pacientes com lesões agudas completas da medula espinhal torácica (entre as vértebras T2 e T10), ocorridas há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica. A previsão é recrutar cinco voluntários nesta etapa. A inclusão no estudo dependerá de atendimento rigoroso aos critérios clínicos. Após a aplicação da polilaminina, os pacientes serão acompanhados por seis meses.
A polilaminina é um medicamento desenvolvido a partir da laminina, proteína naturalmente produzida pelo organismo humano e fundamental para a manutenção da estrutura celular e regeneração do tecido nervoso. Em casos de trauma medular, ocorre
o rompimento das estruturas responsáveis por conduzir os impulsos nervosos entre o cérebro e o restante do corpo.
Pesquisa clínica
Os estudos são desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália.
A fase 1 do ensaio clínico foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e visa confirmar a segurança da polilaminina. Caso os resultados sejam positivos, o estudo poderá avançar para as fases 2 e 3, quando a eficácia do tratamento será avaliada de forma mais ampla. O registro comercial do medicamento só poderá ser solicitado após a conclusão da terceira etapa.
Ao longo da estruturação do projeto, o Ministério da Saúde investiu recursos na pesquisa básica, contribuindo para a construção de uma base científica sólida antes da aplicação em seres humanos. A pesquisa busca desenvolver alternativas para a regeneração tecidual e funcional.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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