Brasil
Alunos do projeto Jovens Defensores Populares celebram formatura com “bailão” em São Paulo
São Paulo, 06/03/2026 – Mais de 160 alunos que participaram do projeto Jovens Defensores Populares receberam o certificado de conclusão da formação no último sábado (28), na Ocupação 09 de Julho, em São Paulo (SP). A iniciativa é realizada pela Secretaria Nacional de Acesso à Justiça (Saju), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A solenidade contou com um “bailão de formatura” para celebrar os graduandos, todos vindos de comunidades periféricas das zonas sul e leste, da região metropolitana, do ABC Paulista, do centro e do interior do estado de São Paulo. Os jovens vivenciaram um percurso formativo voltado ao conhecimento, à promoção e à defesa de direitos, além da identificação de violações de direitos nas regiões onde vivem.
Por meio de oficinas, laboratórios de pesquisa e estratégias de atuação nos territórios, os jovens agora estão aptos a promover a cidadania e defender o direito à saúde em suas comunidades.
O projeto é realizado no âmbito do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e orienta jovens de 18 a 29 anos, moradores de regiões periféricas da Bahia (BA), Distrito Federal (DF), Pará (PA), Pernambuco (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), a identificar e enfrentar violações de direito à justiça em suas comunidades.
O curso acontece ao longo de dez meses, com vivência teórica e prática por meio de encontros presenciais e on-line, elaboração de pesquisas de campo, laboratórios de criação e atuação direta nas comunidades.
Cultura e celebração
Poesia e música de diversos ritmos deram um tom eclético à celebração, que contou com a presença do poeta Sérgio Vaz, da Bateria da Escola de Samba Vai-Vai e dos artistas KL Jay, Preta Ferreira e DJ Bibo Quesada, além do Coletivo BlackInLakech e do Budah. Também participaram o núcleo de educação popular Pagode na Disciplina, o grupo de black Baile do Jamaica, que resgata a memória do Quilombo Saracura, e o Pagode Na Lata, iniciativa de redução de danos na Cracolândia.
A mesa de honra da solenidade foi presidida pela secretária nacional da Saju, Sheila de Carvalho, que ressaltou a importância do acesso à justiça no dia a dia das comunidades. “Quando formamos jovens para reconhecer violações, orientar suas comunidades e construir soluções coletivas, fortalecemos a democracia na base”, pontuou.
O diretor da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), Marco Antônio Carneiro Menezes, representou a Fiocruz e saudou os formandos: “Se a Fiocruz é uma instituição estratégica do Estado brasileiro, é para este Estado que queremos atuar. Vocês já somam à nossa instituição na parceria e ajudam a levantar os grandes problemas da saúde pública do País, e da nossa sociedade em geral”, afirmou.
Estiveram presentes na cerimônia a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara; a representante da Secretaria Nacional de Juventude Adjunta, Jessy Dayane; o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP); a deputada estadual Paula Nunes (PSOL-SP); e a vereadora de Ribeirão Preto (SP), Duda Hidalgo (PT).
Também participaram lideranças sociais como a coordenadora do MSTC, Carmen Silva; a diretora-executiva do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Suelaine Carneiro; o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu; e o coordenador-geral da UneAfro Brasil, Douglas Belchior.
Brasil
Brasil recebe 75,6 mil pedidos de refúgio em 2025 e ultrapassa 165 mil refugiados reconhecidos
O levantamento mostra que o número de pessoas reconhecidas como refugiadas cresceu 5,9% entre 2024 e 2025. Desde 2010, o País acumulou 551.072 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado.
Realizado no Palácio da Justiça, em Brasília (DF), o evento reuniu representantes do Governo Federal, organismos internacionais, academia, sociedade civil e comunidades refugiadas para debater os desafios da proteção internacional e os avanços do Brasil no acolhimento e na integração de pessoas refugiadas.
O relatório também registra uma mudança no perfil dos solicitantes de refúgio. Pela primeira vez, Cuba ultrapassou a Venezuela em número de novos pedidos e respondeu por 55,4% das solicitações registradas em 2025. Os venezuelanos representaram 28,1% do total. O levantamento identificou ainda solicitantes oriundos de 177 países.
Durante a abertura do evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, enfatizou a importância histórica da Convenção de 1951 e o compromisso brasileiro com a proteção internacional.
“Essa data não marca apenas a assinatura de um tratado, mas a reafirmação da própria dignidade da pessoa humana diante do desafio do deslocamento forçado. Ao reconhecer a pessoa refugiada como sujeito de direitos, o Estado cumpre uma de suas funções mais elevadas: servir à lei, à justiça e à dignidade humana”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda que o Brasil tem consolidado políticas voltadas à proteção e à integração de pessoas refugiadas, citando instrumentos como o reconhecimento da condição de refugiado, os vistos humanitários e o Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário.
“Os relatórios apresentados hoje reforçam a relevância de políticas públicas baseadas em dados e evidências para qualificar a atuação estatal. O Brasil segue sendo reconhecido internacionalmente como um País capaz de proteger, acolher e reconhecer em cada pessoa refugiada uma vida com direitos, capacidades e futuro”, declarou.

- Dia Mundial do Refugiado. Foto: Isaac Amorim/ MJSP
Acolhimento e integração
A secretária nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Maria Rosa Loula, destacou que a política de refúgio tem papel estratégico para o desenvolvimento social e para a promoção dos direitos humanos.
“O refúgio é um instrumento de transformação da sociedade brasileira e do mundo. O Brasil consegue dar exemplo de um paradigma que reúne segurança, direitos humanos, acolhimento e desenvolvimento social”, enfatizou.
Segundo a secretária, o trabalho desenvolvido pelo Estado brasileiro é resultado da atuação articulada entre Governo Federal, organismos internacionais, academia e sociedade civil. “Trata-se de uma política pública fundamental, construída coletivamente e comprometida com a proteção da dignidade humana”, acrescentou.
Desafios globais
O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Davide Torzilli, destacou que o contexto atual reforça a relevância da Convenção de 1951 e da cooperação internacional para garantir proteção às pessoas deslocadas à força.
Segundo ele, os números globais evidenciam a necessidade de fortalecer os sistemas de proteção. “Mais de 117 milhões de pessoas estão deslocadas à força em todo o mundo. Esses dados lembram que a necessidade de proteção internacional não diminuiu; ela se tornou ainda mais urgente”, observou.
Torzilli também reconheceu o papel desempenhado pelo Brasil no fortalecimento das políticas de acolhimento e integração. “O Acnur agradece ao Brasil por continuar promovendo espaços de diálogo, fortalecendo seu sistema de proteção internacional e buscando soluções que permitam não apenas proteger, mas também integrar pessoas refugiadas, deslocadas e apátridas”, disse.
O relatório Tendências Globais, com dados sobre deslocamento forçado no mundo e nas Américas, também foi apresentado no primeiro painel do evento. Acesse o relatório aqui: https://www.acnur.org/br/noticias/comunicados-imprensa/relatorio-tendencias-globais-2025

- Cantora e refugiada iraniana Mah Mooni compartilha sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil. Foto: Isaac Amorim/MJSP
Programa é institucionalizado
Durante o evento, o ministro Wellington Lima assinou o ato de institucionalização do Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário. Coordenado pelo MJSP, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e outros órgãos do Governo Federal, e implementado em parceria com a sociedade civil, o Acnur e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o programa constitui uma iniciativa inovadora da política brasileira de acolhida humanitária.
Implementado inicialmente como projeto-piloto voltado à população afegã, o programa tem promovido a acolhida, a proteção e a integração de pessoas em situação de vulnerabilidade por meio do engajamento direto de organizações da sociedade civil e comunidades locais. Sua institucionalização representa um passo importante para consolidar a experiência e permitir sua expansão gradual a outros grupos que necessitam de proteção e acolhida humanitária.
Programação
Além da apresentação dos relatórios Refúgio em Números 2026, o encontro contou com um bate-papo com a cantora e refugiada iraniana Mah Mooni, que compartilhou sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil.
A programação também incluiu um painel dedicado aos 75 anos da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, reunindo especialistas, representantes do governo, da academia, da sociedade civil e de organismos internacionais para discutir os desafios atuais da proteção internacional e as perspectivas para o fortalecimento das políticas de refúgio no Brasil.
Também compuseram a mesa de abertura o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; a secretária-executiva adjunta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Isadora Lacava; a secretária de Comunidades Brasileiras no Exterior e Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Márcia Loureiro; o subprocurador-geral da República, André de Carvalho Ramos; e o representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli.
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