Agro
Exportações de Amendoim e Óleo Crescem de Forma Expressiva e Impulsionam Setor Brasileiro
Exportações de Amendoim Descascado Têm Maior Volume das Últimas Décadas
As exportações brasileiras de amendoim descascado atingiram 311 mil toneladas em 2025, o maior volume das últimas décadas e um crescimento de 37% em relação a 2024, quando o país exportou aproximadamente 227 mil toneladas.
Em valores, o resultado foi igualmente expressivo: o Brasil registrou US$ 367 milhões em vendas externas, cerca de 2% acima do total obtido em 2024 (US$ 360 milhões). Os dados são do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O desempenho reforça o papel do amendoim como produto versátil e de forte presença na mesa do consumidor, seja em sua forma verde e cozida, torrada e salgada, em doces como a paçoca ou na forma de óleo vegetal.
Principais Destinos do Amendoim Brasileiro
A Rússia manteve a liderança como principal destino das exportações de amendoim descascado, com 22% de participação nas vendas, seguida pela China (20%) e pela Argélia (12%).
De acordo com a pesquisadora Renata Martins Sampaio, do IEA, a Rússia mantém essa posição desde 2016, mas a China tem conquistado espaço relevante nas exportações brasileiras do produto.
Municípios Paulistas se Destacam na Exportação
O Estado de São Paulo segue na liderança das exportações de amendoim descascado. Os municípios com maior participação foram:
- Tupã — 21%
- Dumont — 14%
- Borborema — 14%
- Herculândia — 8%
- Jaboticabal — 6%
Essas regiões reforçam a importância do interior paulista como polo exportador do grão.
Exportações de Óleo de Amendoim Quase Triplicam
Outro produto em destaque é o óleo de amendoim em bruto, cujas exportações praticamente triplicaram entre 2024 e 2025, saltando de 51 mil para 154 mil toneladas.
A China foi o principal destino, absorvendo 88% do total exportado, reflexo do aumento do consumo doméstico de óleos vegetais.
Segundo a pesquisadora Renata Sampaio, China e Itália continuam entre os maiores importadores, consolidando o Brasil como um dos principais exportadores mundiais de óleo de amendoim.
China Lidera Produção e Consumo Global
A China é hoje o maior produtor e consumidor mundial de amendoim, responsável por mais de 35% da produção global.
Conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra chinesa de 2024/2025 alcançou 19 milhões de toneladas, levemente abaixo das 19,23 milhões de toneladas da temporada anterior.
Apesar da forte produção, o país asiático continua importando grandes volumes, especialmente de óleo de amendoim — cerca de 74% de todo o volume comercializado internacionalmente em 2025.
Produção Brasileira Cresce, Mesmo com Redução da Área Plantada
No Brasil, a safra 2024/25 registrou alta superior a 50% na produção de amendoim em casca, consolidando a força produtiva nacional.
O Estado de São Paulo segue como principal referência na cadeia produtiva, com destaque para Catanduva, que lidera o segmento de óleo, responsável por 21% dos embarques.
Por outro lado, houve redução de cerca de 30% na área plantada em comparação à safra anterior, reflexo do arrefecimento dos preços no mercado, segundo a Câmara Setorial do Amendoim de São Paulo.
Expectativas Positivas para a Safra 2025/2026
Com a colheita já em andamento no interior paulista, o cenário é de otimismo. As boas condições climáticas, com chuvas bem distribuídas, têm favorecido o desenvolvimento das lavouras.
O presidente da Câmara Setorial do Amendoim, José Antonio Rossato, avalia que a safra 2025/2026 deve apresentar melhor produtividade e qualidade dos grãos em relação aos dois ciclos anteriores.
“As condições climáticas têm sido mais equilibradas, o que deve resultar em grãos de melhor qualidade e ajudar a compensar a redução da área cultivada”, afirma Rossato.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Impasse entre parlamentares e governo trava socorro financeiro ao agronegócio
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as negociações com o Ministério da Fazenda em busca de um socorro financeiro para o setor, mas esbarrou em um impasse técnico que ameaça o planejamento da próxima safra.
Ao apresentar uma contraproposta com taxas de juros mais acessíveis e prazos estendidos, a bancada ruralista tenta reverter as restrições impostas pelo governo, que, até o momento, limita o auxílio apenas aos prejuízos causados por eventos climáticos, excluindo o impacto das oscilações de mercado que também comprimiram a receita dos produtores.
O agronegócio, motor de cerca de um quarto do PIB nacional, enfrenta um cenário de crescente pressão sobre o fluxo de caixa. Entre 2019 e 2025, uma sucessão de frustrações climáticas, somada à desvalorização dos preços das commodities, gerou um passivo significativo que agora trava a capacidade de investimento para o próximo ciclo produtivo. A urgência da FPA em encontrar uma solução baseia-se no temor de que a falta de crédito provoque uma retração na área plantada e no uso de tecnologia, impactando a produtividade de um setor que é pilar da balança comercial brasileira.
Disputa de números
A divergência entre as propostas em mesa reflete a busca pelo equilíbrio entre a viabilidade do produtor e a responsabilidade fiscal do governo. A FPA defende um modelo de renegociação mais abrangente: para perdas por eventos climáticos, a sugestão é de juros de 4%, 6% e 8% ao ano. Já para perdas causadas por movimentos de mercado, a bancada propõe taxas de 5%, 7% e 9% — valores escalonados conforme o porte do produtor. A entidade pede ainda um prazo de oito anos para pagamento, com dois de carência, e a ampliação do teto de financiamento para R$ 10 milhões por CPF.
O Ministério da Fazenda, contudo, mantém uma postura de maior rigor. A contraproposta do Executivo foca exclusivamente em perdas climáticas, com juros mais elevados — 6%, 9% e 12% ao ano — e um prazo menor de quitação: seis anos de pagamento com dois de carência. Além disso, a pasta sugere um limite de R$ 8 milhões por CPF para a renegociação.
Pontos de consenso e entraves
Embora o impasse nas taxas e na abrangência das dívidas persista, houve avanços em pontos estruturais. O governo concordou em manter o teto de R$ 50 milhões para financiamento a cooperativas, permitindo que estas atuem no repasse de crédito aos cooperados. Também houve progresso na discussão sobre um fundo garantidor e na flexibilização da regulamentação do crédito rural, permitindo que os bancos aproveitem melhor as garantias já existentes, atrelando-as à proporcionalidade da dívida.
Outro mecanismo em debate é a operação “mata-mata” para as Cédulas de Produto Rural (CPRs). A ideia é permitir que produtores emitam novos títulos para quitar dívidas anteriores, uma forma de organizar o passivo e destravar o fluxo financeiro. No entanto, o tratamento das dívidas privadas permanece como um dos pontos mais críticos; a FPA quer evitar que débitos remanescentes sejam renegociados a taxas próximas de 20%, defendendo uma trava atrelada à Selic para não inviabilizar a renegociação.
A expectativa é que um texto de consenso surja nos próximos dias, seja para a publicação de uma Medida Provisória, com vigência imediata, ou o envio de um projeto de lei em regime de urgência. A resolução rápida é tratada pela bancada ruralista como condição indispensável para garantir que o setor mantenha o ritmo de produção que sustenta a economia nacional.
Fonte: Pensar Agro
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