Agro
Como o Clima Pode Redefinir a Sojicultura Brasileira
O clima é um dos principais determinantes da produtividade agrícola, podendo responder por até 50% dos rendimentos finais das culturas, segundo a Engenheira Agrônoma Bárbara Faria Sentelhas. A soja, em especial, é altamente sensível às condições climáticas, o que torna essencial discutir o cenário climático para entender o futuro da sojicultura brasileira.
Eventos Climáticos Extremos e Riscos à Lavoura
Fenômenos como veranicos prolongados, excesso de chuva em fases críticas e altas temperaturas representam ameaças reais ao desenvolvimento e à produtividade da soja. O déficit hídrico é apontado como o fator mais crítico, principalmente durante o florescimento e o enchimento de grãos, quando mesmo curtos períodos de seca podem gerar perdas significativas.
Mudanças no Cerrado e Sul do Brasil
Estudos indicam que regiões produtoras do Cerrado e do Sul do país já enfrentam maior irregularidade na distribuição das chuvas e aumento da frequência de veranicos. Além disso, a soja possui limites fisiológicos estreitos: temperaturas acima de 36 °C podem provocar abortamento floral e redução no número de vagens, afetando diretamente os rendimentos.
Simulações agroclimáticas apontam alterações nas janelas de plantio, com períodos seguros encurtando ou se deslocando, exigindo revisão dos calendários agrícolas e maior atenção ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).
Estratégias para Resiliência Climática
Para reduzir a vulnerabilidade da soja às mudanças climáticas, é necessário antecipar os impactos e adotar estratégias integradas, incluindo:
- Desenvolvimento de cultivares tolerantes a estresses abióticos;
- Uso de simulações agroclimáticas, bioinsumos e agricultura de precisão;
- Manejo agrícola adequado, com escolha correta da época de semeadura, escalonamento de plantios, cobertura do solo e uso racional de insumos.
Promover um ambiente de raízes profundas e solos estruturados, ricos em matéria orgânica e livres de compactação, aumenta a resistência à seca e contribui para uma produção mais sustentável.
Do Desafio à Oportunidade
Diante de cenários climáticos extremos cada vez mais frequentes, a sojicultura brasileira tem acesso a conhecimento técnico, inovação genética e ferramentas de manejo que permitem transformar riscos em soluções. Estratégias de adaptação, planejamento e uso eficiente dos recursos naturais são essenciais para garantir produtividade, segurança alimentar e resiliência do agronegócio nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Arranjo da Borracha movimenta R$ 3,1 milhões e fortalece renda de famílias extrativistas na Amazônia
O Arranjo da Borracha vem se consolidando como uma das principais iniciativas de fortalecimento da sociobioeconomia na Amazônia, com presença nos municípios de Manicoré, Eirunepé, Pauini, Barcelos e Canutama, no Amazonas. A iniciativa, facilitada pelo Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus), já beneficiou centenas de famílias extrativistas ao estruturar crédito educativo e ampliar o acesso de associações de seringueiros a mercados mais organizados e responsáveis.
Entre as safras 2022/2023 e 2024/2025, o número de negócios comunitários participantes passou de sete para onze. Apenas na safra 2024/2025, o arranjo movimentou cerca de R$ 3,1 milhões, beneficiando diretamente 636 famílias, com a valorização da borracha nativa e a criação de relações comerciais mais estáveis.
Crédito estruturado fortalece associações extrativistas
O modelo do Arranjo da Borracha funciona por meio de operações de crédito vinculadas a contratos de venda. Na prática, as associações recebem capital de giro para viabilizar a produção e a entrega da borracha, superando desafios históricos como baixa escala produtiva, dificuldades logísticas, falta de previsibilidade de oferta e acesso restrito ao crédito.
Esse formato contribui para dar maior estabilidade às atividades extrativistas e fortalece a organização econômica das comunidades envolvidas.
Conexsus estrutura crédito educativo e apoio técnico
A Conexsus atua diretamente na estruturação das operações e na oferta de crédito educativo sem custo para as associações participantes. O modelo também conta com parceiros estratégicos que aportam capital catalítico, ajudando a reduzir riscos e a cobrir custos operacionais relacionados à gestão e à assistência técnica.
Além do crédito, a iniciativa promove ações de capacitação e fortalecimento organizacional, com foco em gestão, protocolos comerciais, boas práticas de mercado e adequação a padrões de rastreabilidade e indicadores de impacto socioambiental.
Conta escrow aumenta segurança e transparência das operações
Um dos principais mecanismos do Arranjo da Borracha é a utilização de uma conta escrow, uma conta vinculada na qual o comprador deposita o valor da produção. Os recursos são liberados somente conforme as condições previamente acordadas entre as partes.
Esse sistema aumenta a segurança das transações, reduz riscos operacionais e garante maior transparência, além de proporcionar previsibilidade financeira tanto para produtores quanto para compradores.
Gestão aprimorada e acompanhamento das operações
Na safra 2025/2026, o arranjo passou a adotar um protocolo de gestão mais estruturado, permitindo desembolsos de acordo com a demanda específica de cada negócio comunitário participante.
Os repasses estão sendo realizados entre agosto e dezembro de 2025, respeitando o calendário produtivo de cada associação. Todo o processo é monitorado pelo Veredas – Programa de Assessoria a Negócios Comunitários, responsável pelo acompanhamento do uso dos recursos e pelo suporte à sustentabilidade das operações.
Revitalização da cadeia da borracha nativa na Amazônia
Ao incentivar a produção e a comercialização da borracha nativa, o Arranjo da Borracha contribui para a revitalização de uma cadeia produtiva tradicional da região amazônica.
A iniciativa integra conhecimentos tradicionais dos seringueiros às demandas atuais por produtos com impacto socioambiental positivo, fortalecendo a autonomia econômica das associações e ampliando a previsibilidade de renda das famílias envolvidas.
Conexsus destaca modelo como referência em negócios comunitários
Segundo o diretor de programas e inovação financeira da Conexsus, Pedro Frizo, o Arranjo da Borracha se destaca como um exemplo de conexão entre negócios comunitários e empresas compradoras.
Ele ressalta que o crédito educativo, aliado à assistência técnica e financeira, tem potencial para fortalecer organizações e ampliar a capacidade de geração de renda. O modelo também serve de referência para o desenvolvimento de outras iniciativas voltadas à ativação de cadeias de valor da sociobioeconomia amazônica.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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