Agro
Produção de açúcar na Paraíba cai 24% na safra 2025/2026 e usinas reforçam produção de etanol
A produção de açúcar na Paraíba e em outros estados do Nordeste registrou queda significativa na safra 2025/2026, acompanhando a tendência de retração observada na região. Segundo o Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool), a moagem de cana-de-açúcar caiu pouco mais de 7%, enquanto a produção de açúcar recuou cerca de 24%, evidenciando impactos não apenas climáticos, mas também econômicos e estratégicos.
O cenário pressionou especialmente a rentabilidade dos produtores de cana, afetando tanto grandes usinas quanto pequenos e médios fornecedores, cuja remuneração depende diretamente do desempenho do açúcar e do etanol.
Quebra de safra e clima irregular afetam produção
De acordo com o Sindalcool, a redução na moagem de cana está ligada a um ciclo climático irregular, que combinou seca nas fases iniciais do canavial e chuvas excessivas no período de colheita. Essa combinação comprometeu tanto o volume quanto a qualidade da cana.
“Se o problema fosse apenas agrícola, a produção de açúcar teria caído proporcionalmente à moagem. O que observamos é uma redução muito maior, superior a 24%, resultado de decisões estratégicas das usinas frente à queda de preços e incertezas do mercado”, explica Edmundo Barbosa, presidente-executivo do Sindalcool.
Impacto do mercado internacional e perda de cotas preferenciais
A recomposição da oferta global de açúcar em 2025 provocou queda nos preços internacionais, tornando menos rentável a produção para exportação no Nordeste, onde custos industriais e logísticos são mais elevados.
Além disso, a perda do acesso a mercados preferenciais, como a cota americana, agravou a situação, reduzindo a proteção histórica que esses mercados ofereciam aos produtores locais.
“O efeito foi sentido especialmente pelas usinas da Paraíba, que passaram a reavaliar projetos de expansão de capacidade produtiva e ajustar a produção à realidade econômica”, completa Barbosa.
Situação na Paraíba e efeito sobre produtores locais
No estado, os projetos de investimento para aumentar a capacidade produtiva de açúcar foram desacelerados, refletindo a pressão sobre a rentabilidade da cana.
Pequenos e médios fornecedores, que dependem do pagamento proporcional ao desempenho do açúcar e do etanol, enfrentam dificuldades para manter investimentos, o que pode gerar impactos persistentes nos ciclos agrícolas, como redução na adubação e manutenção da produtividade.
Embora a moagem de cana tenha caído de forma contida, a produção de açúcar sofreu queda mais acentuada, resultado de perda de qualidade da matéria-prima e decisão estratégica das usinas de reduzir a fabricação do produto.
O Sindalcool disponibilizou o Boletim da Safra 2025/2026 na Paraíba (2ª quinzena de dezembro) para acompanhamento do setor: https://sindalcool.com.br/paraiba-safra-2025-2026-2a-quinzena-de-dezembro/.
Aumento da produção de etanol anidro como estratégia
Diante do cenário de baixa rentabilidade do açúcar, as usinas têm priorizado a produção de etanol, especialmente o anidro, que apresenta demanda interna garantida pela política de mistura obrigatória na gasolina.
Essa estratégia permite estabilidade de preços e fluxo de caixa, mesmo com menor disponibilidade de cana, protegendo a receita das usinas e garantindo a continuidade das operações.
Na Paraíba, o decreto estadual nº 47.764/2025 instituiu incentivo de ICMS ao Álcool Etílico Anidro Combustível (AEAC), com objetivos de:
- Estimular a produção local de etanol;
- Manter a competitividade do setor sucroenergético;
- Garantir estabilidade de preços no mercado de combustíveis;
- Promover o desenvolvimento regional e a sustentabilidade ambiental.
“Essa medida deve garantir saídas interestaduais e efetividade no incentivo, fortalecendo a produção local de etanol”, destaca Edmundo Barbosa.
Panorama regional: Alagoas e Pernambuco também sofrem impactos
Estados do Nordeste, como Alagoas — maior produtor regional — e Pernambuco, também enfrentaram desafios.
- Alagoas teve forte impacto devido à orientação exportadora da produção;
- Pernambuco sofreu efeitos do excesso de chuvas, que comprometeu o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), reduzindo a eficiência industrial.
No geral, a região registrou redução estimada entre 500 e 600 mil toneladas de açúcar na safra 2025/2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Reforma tributária no agro: regulamentação da CBS exige revisão fiscal, integração de sistemas e atenção ao fluxo de caixa
A regulamentação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), estabelecida pelo Decreto nº 12.955/2026, marca uma nova etapa da reforma tributária sobre o consumo no Brasil e já começa a provocar mudanças profundas na rotina financeira e fiscal das empresas do agronegócio. Mesmo antes da implementação integral da cobrança, o novo modelo redefine regras de tributação, aproveitamento de créditos e circulação de recursos dentro das operações empresariais.
Especialistas alertam que os impactos vão além da simples substituição de tributos federais. A nova estrutura exige adaptação imediata de sistemas, contratos, controles fiscais e integração entre áreas financeiras, tributárias e tecnológicas.
Segundo Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributária no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, a CBS inaugura uma lógica operacional mais complexa e dependente da qualidade das informações fiscais.
“A CBS amplia a não cumulatividade, o que teoricamente permite mais créditos tributários. Mas, na prática, só terá acesso a esses créditos quem possuir processos organizados, dados consistentes e integração entre as áreas. Quem não se preparar pode pagar mais imposto e ainda perder créditos importantes”, afirma.
Novo modelo tributário muda regras de cálculo e impacta contratos
A regulamentação estabelece que a CBS incidirá sobre praticamente todas as operações com cobrança, independentemente do formato jurídico adotado. Além disso, a base de cálculo passa a considerar diversos valores envolvidos na operação, exigindo revisão de contratos comerciais, políticas internas e formas de registro contábil.
Outro ponto considerado estratégico é a adoção da tributação no destino. Na prática, o imposto deixa de ser concentrado na origem da operação e passa a ser direcionado ao local de consumo.
Essa alteração exige ajustes em sistemas de gestão, revisão cadastral e nova parametrização fiscal, principalmente em operações interestaduais e cadeias produtivas longas, realidade comum no agronegócio brasileiro.
No setor agropecuário, onde existe grande volume de operações, diversidade de atividades e forte dependência de créditos tributários, o impacto tende a ser ainda mais significativo.
Erros fiscais podem gerar perdas financeiras diretas
De acordo com dados da Confederação Nacional dos Contadores, mais de 70% das empresas brasileiras já enfrentaram problemas relacionados a documentos fiscais, como classificação incorreta de produtos, ausência de informações obrigatórias ou inconsistências cadastrais.
Com a CBS, esse tipo de falha passa a representar risco financeiro direto.
Isso porque o aproveitamento de créditos tributários dependerá não apenas da emissão da nota fiscal, mas também da coerência entre operação, pagamento e apuração do imposto.
“O crédito passa a depender da consistência entre documentação, faturamento e efetivo pagamento. Qualquer divergência pode impedir o aproveitamento tributário e comprometer o capital de giro das empresas”, explica Altair Heitor.
Split payment muda dinâmica financeira das empresas
Outro ponto de atenção é a possibilidade de adoção do modelo de split payment, mecanismo em que o imposto pode ser recolhido automaticamente antes da disponibilidade integral dos recursos para a empresa.
Na prática, parte do valor da venda deixará de passar completamente pelo caixa das companhias, alterando a dinâmica financeira tradicional do setor.
No agronegócio, onde são comuns vendas parceladas, operações via tradings e diferentes modalidades de pagamento, o impacto pode ser ainda maior.
“O produtor rural está acostumado a receber os recursos e posteriormente organizar a parte tributária. Com o split payment, o imposto pode ser recolhido antes mesmo do valor estar disponível para a operação”, destaca o especialista.
Crédito tributário ganha importância estratégica no agro
O tema se torna ainda mais sensível em cadeias produtivas longas, como soja, milho, proteína animal, açúcar e insumos agrícolas, nas quais o crédito tributário funciona como instrumento essencial para equilíbrio financeiro das operações.
Falhas cadastrais, erros na classificação fiscal ou inconsistências entre documentos poderão impedir o reconhecimento de créditos ou atrasar pedidos de ressarcimento.
“Hoje, muitos erros geram apenas retrabalho. Com a CBS, eles podem representar perda financeira direta. No agronegócio, isso impacta margens e reduz capacidade de reinvestimento”, afirma Altair.
A regulamentação também estabelece novas regras para ressarcimento de créditos, com prazos definidos que poderão variar conforme o nível de conformidade fiscal da empresa.
Empresas do agro precisam acelerar adequações
Especialistas recomendam que produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e empresas do setor iniciem imediatamente processos de revisão cadastral, análise de sistemas e mapeamento de riscos fiscais.
Entre as medidas consideradas prioritárias estão:
- Revisão de cadastros de clientes e fornecedores;
- Conferência da qualidade das notas fiscais emitidas;
- Integração entre áreas fiscal, financeira e tecnologia;
- Testes em sistemas de gestão e faturamento;
- Revisão de contratos e operações interestaduais;
- Mapeamento de riscos tributários e operacionais.
Para Altair Heitor, a adaptação não pode mais ser tratada como um projeto futuro.
“As empresas precisam agir agora. Quem deixar para se adaptar apenas quando a cobrança estiver totalmente em vigor pode iniciar o novo modelo já acumulando perdas financeiras”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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