Paraná
Vivência nos EUA marca memória de alunos do Paraná no Ganhando o Mundo Agrícola
Após quatro meses vivendo a rotina acadêmica de uma universidade norte-americana, 46 estudantes do programa Ganhando o Mundo Agrícola retornam ao Brasil neste sábado (16). O grupo é formado por alunos dos colégios agrícolas da rede estadual de ensino e integram a edição 2026 do maior programa público de intercâmbio estudantil da América Latina. O programa foi criado pelo Governo do Paraná em 2022, é executado pela Secretaria da Educação (Seed-PR) e já beneficiou 4.540 estudantes até 2026.
Durante o intercâmbio, os estudantes tiveram acesso a visitas técnicas e atividades ligadas ao agronegócio na University of Northern Iowa. Além do aperfeiçoamento técnico e do contato com novas tecnologias e métodos de produção, a experiência proporcionou aos alunos vivências culturais, desenvolvimento da autonomia, aprimoramento do inglês e ampliação das perspectivas acadêmicas e profissionais, com impacto direto na formação pessoal e no futuro dos estudantes.
Entre os participantes está Julia Ribeiro, de 16 anos, estudante do Colégio Estadual João XXIII, de Mamborê, município próximo a Campo Mourão, que viveu pela primeira vez a rotina de uma instituição de ensino superior americana. Hospedada na estrutura estudantil da UNI, uma das maiores instituições de ensino do estado de Iowa, ela participou de aulas, atividades práticas e convivência multicultural dentro do campus.
“As aulas de inglês eram todos os dias pela manhã. À tarde, tínhamos matérias como empreendedorismo, agronegócio e matemática”, conta. Segundo a estudante, o modelo de ensino foi um dos aspectos que mais chamou atenção durante o período. Além das aulas teóricas, os alunos participavam de visitas técnicas a empresas, feiras e propriedades ligadas ao setor agrícola. “Eles trabalham muito com atividades práticas. Isso ajuda a entender como tudo funcionava fora da sala de aula”.
A vivência dentro do campus também marcou a intercambista. “Lá, os alunos estudam, trabalham e vivem dentro da própria universidade. Isso me surpreendeu muito”, afirma. Júlia também destaca o contato direto com a cultura americana. No restaurante universitário, os estudantes têm acesso a refeições de diferentes países e convivem com professores e alunos norte-americanos. “Os americanos demonstravam muito interesse pela nossa cultura e os professores sempre tiveram paciência conosco”.
Entre as experiências mais marcantes do período no Exterior, a estudante destaca a primeira vez que viu neve e a cerimônia de graduação realizada ao fim do intercâmbio, quando os estudantes receberam os certificados de conclusão.
FUTURO PROFISSIONAL – Enquanto Julia destaca a vivência dentro do campus universitário, Anthonella de Morais afirma que o intercâmbio ampliou sua confiança no idioma e sua visão sobre o futuro profissional. A estudante, de 17 anos, do Colégio Estadual Sagrada Família, de Siqueira Campos, no Norte Pioneiro, passou os últimos meses na mesma universidade de Iowa, onde participou de aulas voltadas ao empreendedorismo e ao agronegócio.
Ela também esteve em atividades práticas e visitas técnicas em empresas como Hansen’s Dairy, Tractor Cab Assembly Operation-John Deere, Corteva e World Food Prize. Durante a experiência, Anthonella acompanhou de perto como a tecnologia, a automação e a inovação vêm transformando o setor agrícola e agregando mais valor à produção no campo.
Entre os projetos desenvolvidos durante as atividades acadêmicas, a estudante participou da criação de um sistema de aquaponia, tecnologia que integra a criação de peixes ao cultivo de plantas de forma sustentável. “Foi muito interessante conhecer a aquaponia porque é uma tecnologia sustentável e que pode ter bastante aplicação no Paraná, principalmente nas regiões agrícolas. Vimos que é possível produzir alimentos de forma mais eficiente, economizando água e aproveitando melhor os espaços”, afirma.
Segundo ela, um dos momentos mais importantes foi perceber a evolução no idioma durante a convivência diária com estudantes americanos. “Minha primeira conversa totalmente em inglês com um nativo é inesquecível”, relembra.
O período fora do país exigiu adaptação, principalmente pela distância da família e pelas diferenças culturais, mas Anthonella considera a experiência transformadora. “Hoje vejo que nada é impossível quando você acredita nos seus objetivos”, destaca.
UNIVERSITY OF NORTHERN IOWA (UNI) – Localizada na cidade de Cedar Falls, cerca de 200 km da capital do estado, reúne cerca de 9,2 mil estudantes de graduação e pós-graduação de 53 países. Considerada uma das principais universidades públicas regionais do Meio-Oeste dos Estados Unidos, a instituição oferece mais de 160 cursos de graduação e especialização.
A universidade foi escolhida pela Secretaria de Estado da Educação pelo modelo personalizado de ensino voltado ao high school (ensino médio) norte-americano, com foco em empreendedorismo, agronegócio e técnicas agrícolas aplicadas à formação profissional. A proposta serve de referência para práticas desenvolvidas nos colégios agrícolas, florestais, Casas Familiares Rurais e instituições da rede estadual que ofertam cursos técnicos em agronegócio.
NOVAS VAGAS – O Paraná vai ofertar 1.000 vagas internacionais na próxima edição do programa Ganhando o Mundo. Coordenada pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná, a iniciativa levará estudantes da rede estadual para intercâmbios na Austrália (100 vagas), Canadá (500), Irlanda (100), Nova Zelândia (150) e Reino Unido (150).
As inscrições foram encerradas em 23 de abril, e o resultado final da classificação será divulgado a partir de 22 de maio no site da Seed-PR. Os embarques estão previstos para 2027, e o cronograma detalhado das viagens deverá ser divulgado ao longo da execução do programa. Cada nova edição do programa representa mais oportunidades para que estudantes da rede estadual tenham acesso a experiências internacionais de formação acadêmica, cultural e pessoal.
Para o chefe do Núcleo de Articulação Acadêmica e Intercâmbio da Seed-PR, Marlon Mateus, o Paraná consolidou uma política pública no país, que democratiza o intercâmbio estudantil e leva jovens da escola pública a universidades e instituições de referência no exterior. “O Ganhando o Mundo se tornou uma ferramenta de transformação social e educacional. Muitos estudantes passam a enxergar novas possibilidades acadêmicas, profissionais e pessoais a partir dessa experiência internacional’, afirma.
PROGRAMA – Criado em 2022 pelo Governo do Paraná, o programa de intercâmbio internacional da rede estadual já beneficiou 4.540 estudantes até 2026, com investimento acumulado de R$ 403 milhões. A iniciativa oferece formação acadêmica em instituições estrangeiras aliada a experiências culturais e pedagógicas, promovendo a ampliação de repertórios, a troca de conhecimentos e o fortalecimento da educação pública paranaense.
Fonte: Governo PR
Paraná
Bombeiros lançam Operação de Combate a Incêndios Florestais e fortalecem integração entre órgãos
O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) lançou nesta terça-feira (2), em Curitiba, a Operação de Combate a Incêndios Florestais 2026 (OPCIF). O lançamento, que contou com a presença do vice-governador Darci Piana, ocorre no período de maior incidência de incêndios florestais no Estado.
A solenidade acontece em conjunto ao 2º Simpósio da Operação Estadual Integrada de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, que reúne representantes de instituições estaduais, federais e entidades parceiras para alinhar estratégias, compartilhar experiências e apresentar ações voltadas à prevenção e resposta.
“Um evento como este fortalece o trabalho integrado para enfrentar os incêndios florestais no Paraná. Temos uma corporação preparada e bem equipada, que é um orgulho de todos nós, atuando em conjunto com outros órgãos para fazer frente a esses desastres”, disse o vice-governador. “O Paraná é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e referência em sustentabilidade. Os incêndios florestais representam um risco para a nossa produção, por isso essa preparação é essencial”.
A Operação de Combate a Incêndios Florestais, que será realizada entre junho e outubro, busca reduzir a incidência dessas ocorrências e mitigar suas consequências por meio da prevenção, do monitoramento constante, da preparação das equipes e da atuação integrada entre instituições públicas, entidades parceiras e a sociedade.
“O Paraná é referência estadual no combate a incêndios florestais, e hoje damos início a essa operação junto com diversos órgãos estaduais, federais e civis”, salientou o secretário estadual da Segurança Pública, Saulo Sanson. “Com o inverno chegando e a previsão de estiagem, é a hora de nivelar todos os nossos operadores para termos mais eficiência no combate aos incêndios florestais”.
Essa integração envolve também, além dos órgãos oficiais, as brigadas municipais, brigadistas de unidades de conservação, brigadas de montanhistas, comunidades tradicionais e órgãos ambientais, formando uma ampla rede de prevenção e resposta em todo o Paraná.
“O Corpo de Bombeiros coordena a Operação de Combate a Incêndios Florestais no Paraná e entende que a integração é um dos pilares para o sucesso desse trabalho. Este encontro permite alinhar estratégias, compartilhar informações e potencializar recursos entre todas as instituições envolvidas”, afirmou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Antônio Hiller.
Ele ressaltou que a atuação coordenada amplia a capacidade de prevenção aos incêndios florestais “Essa integração ajuda a fortalecer a resposta operacional e reduz os impactos dos incêndios para a população, para o meio ambiente e para a economia do Estado”, destacou.
MONITORAMENTO – A diretora-executiva do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Vanessa D’Ávila, explicou que o período mais seco no outono e no inverno favorece a incidência de focos de incêndio no Estado. “Normalmente este é período de seca prolongada, com menores índices de chuva. Quando há uma permanência muito grande desse período de estiagem, acaba tendo problemas com focos de incêndio”, disse.
“Mesmo com a previsão de El Niño, sabemos que o fenômeno tem atuações diferentes, podendo ter um maior volume de chuva ora na metade Norte ou na metade Sul do Estado em alguns períodos”, ressaltou. “Então mesmo a incidência no El Niño não é garantia que não haverá incêndios. E ainda tem possibilidade de ele contribuir com maiores períodos de estiagem”.
O Simepar é gestor da plataforma VFogo, sistema de vigilância de incêndios e focos de calor desenvolvido com softwares livres. A ferramenta combina dados geográficos e de sensoriamento remoto para identificar ocorrências em tempo real e auxiliar a tomada de decisões das equipes envolvidas na prevenção e no combate aos incêndios.
“Ela é baseada em imagens de satélite e dados de estações meteorológicas e identifica os focos de calor no Estado, o que ajuda o Corpo de Bombeiros na mobilização e identificação de pontos de incêndio. O VFogo é uma ferramenta essencial nesse período de seca”, explicou Vanessa. “Temos trabalhado em conjunto com a corporação há muitos anos, inclusive nas situações mais difíceis que ocorreram nos últimos anos, e colaboramos para a mobilização do Estado”.
MAIS EFETIVO E ESTRUTURA – Nos últimos anos, o Governo do Estado reforçou a estrutura de combate aos incêndios florestais com novos equipamentos, viaturas especializadas e aeronaves. Entre os recursos empregados estão o helicóptero Arcanjo 01, equipado com helibalde para lançamento de água sobre focos de incêndio, além do apoio de aviões disponibilizados por meio da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil.
O Estado acabou de finalizar a compra de oito robôs de combate a incêndios de grandes dimensões. Uma equipe da Defesa Civil está na Europa para receber e treinar o uso e manuseio dos equipamentos, que são fabricados por uma empresa alemã.
“Estamos destinando uma série de equipamentos ao Corpo de Bombeiros, inclusive esse robôs de alta vazão, com cerca de 6 mil litros por minuto de vazão de água”, explicou o coordenador-executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Ricardo Fernandes. “Nossa equipe está na Alemanha recebendo esses equipamentos e imaginamos que nas próximas semanas já tenhamos os robôs em atuação no Paraná”.
Os robôs são uma das soluções tecnológicas mais avançadas disponíveis, reunindo, em uma única plataforma, capacidades de ventilação tática, supressão térmica por névoa d’água e operação remota em ambientes críticos, permitindo atuação mais segura e eficiente em cenários de risco elevado para as equipes de resposta.
Além de equipamentos ultramodernos, uma nova turma com 698 novos bombeiros iniciaram, no mês passado, o Curso de Formação de Praças (CFP) 2026. O grupo representa a maior turma de soldados que já ingressou na corporação em toda a história da instituição. Eles vão reforçar os batalhões de todo o Paraná e poderão ser destacados nas operações de combate a incêndios mesmo durante o período de formação.
CONSCIENTIZAÇÃO – Além do fortalecimento da capacidade de resposta, a operação também tem como foco a prevenção. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), cerca de 90% dos incêndios florestais têm origem em ações humanas, tornando a conscientização uma das ferramentas mais eficazes para reduzir ocorrências.
Nesse contexto, o Corpo de Bombeiros desenvolve ações educativas em parceria com diferentes instituições. Uma delas é a cartilha Turma dos Guardiões da Floresta, produzida em conjunto com a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE), que utiliza linguagem acessível e personagens infantis para conscientizar crianças e famílias sobre os riscos das queimadas e a importância da preservação ambiental.
SIMPÓSIO – O simpósio reúne diversos órgãos e entidades envolvidas com o tema, como a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, o Simepar, do Instituto Água e Terra (IAT), o ICMBio e a APRE. Os incêndios florestais são classificados como desastre devido aos impactos que provocam sobre o meio ambiente, a economia, a saúde pública e a segurança da população.
Embora o termo remeta às áreas de floresta, qualquer fogo não planejado ou fora de controle que consome áreas de vegetação, sejam florestas nativas ou plantadas, pastagens ou capoeiras, é classificado como incêndio florestal. No Paraná, a maior parte das ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros ocorre em vegetação de terrenos baldios.
Fonte: Governo PR
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