Brasil
Turismo plural é estratégia de competitividade, defendem especialistas no Fórum Internacional de Mulheres no Turismo
Ir além do óbvio e incluir recortes de gênero, raça, idade e ancestralidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de competitividade e mercado para os destinos brasileiros. Essa avaliação marcou o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, realizado nesta quinta-feira (4), durante o segundo dia do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB). O debate reuniu especialistas em afroturismo, turismo 60+ e turismo indígena para discutir como diferentes trajetórias, identidades e territórios influenciam a forma de viajar, empreender e consumir turismo no país.
A coordenadora-geral de Turismo Responsável e Sustentável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, destacou que as políticas públicas voltadas às mulheres precisam considerar essa pluralidade. “As mulheres viajam de maneiras diferentes, vivem realidades diferentes e se relacionam com os destinos de formas distintas. Pensar em um turismo mais inclusivo significa reconhecer essa diversidade e construir experiências que contemplem todas elas”, afirmou.
Afroturismo
Especialista em afroturismo, Thaís Rosa Pinheiro defendeu que os destinos brasileiros avancem no reconhecimento da diversidade racial presente no país e valorizem histórias que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
Segundo ela, os turistas buscam cada vez mais experiências autênticas, ligadas à identidade, à cultura e à memória dos territórios. ”O turismo é feito de pessoas para pessoas. As belezas naturais são importantes, mas o que conecta o visitante aos destinos são as histórias, a cultura e a identidade de quem vive nesses lugares”, ressaltou.
Para Thaís, ampliar o olhar sobre o afroturismo também significa qualificar o acolhimento e combater situações de discriminação, que ainda afetam viajantes negros em diferentes etapas da experiência turística.
Turismo 60+
A criadora do blog Sentidos do Viajar, Sylvia Yano, chamou a atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de o setor desenvolver produtos e experiências mais adequados a esse público. Segundo ela, muitas mulheres acima dos 60 anos ainda não se reconhecem na comunicação e na oferta turística disponíveis atualmente.
Dados apresentados pela especialista mostram que 74% das pessoas com mais de 60 anos não se enxergam representadas no turismo. Atualmente, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que tende a crescer nas próximas décadas.
”A população está envelhecendo e o turismo precisa se preparar para isso. Não estamos falando apenas de acessibilidade, mas de experiências significativas, autênticas e alinhadas aos interesses desse público”, ressaltou.
Protagonismo indígena
Representando a Rota dos Encantados Potiguara, a empreendedora indígena Îasypytã Potiguara defendeu que os povos originários deixem de ser vistos apenas como atrativos turísticos e passem a ocupar o papel de protagonistas na construção e na gestão das experiências oferecidas aos visitantes.
Segundo ela, iniciativas de etnoturismo sustentável têm contribuído para preservar tradições, fortalecer economias locais e gerar renda para mulheres indígenas em seus próprios territórios. ”Quem melhor para contar a história de um povo do que as pessoas que pertencem a ele? Quando os povos indígenas assumem o protagonismo do turismo, fortalecem sua cultura, preservam seus territórios e transformam a realidade das comunidades”, afirmou.
Encerrando o painel, as participantes defenderam que a ampliação da diversidade no turismo não deve ser vista apenas como uma pauta de inclusão, mas como uma estratégia para tornar os destinos mais competitivos, autênticos e preparados para atender aos diferentes perfis de viajantes que movimentam o setor.
Por Natália Moraes e Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
Brasil
Lei prorroga aplicação de recursos do FGTS a entidades hospitalares filantrópicas que atuam no SUS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira (6/8) o Projeto de Lei nº 2465/2026, que prorroga o prazo para aplicação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em operações de crédito destinadas a entidades hospitalares filantrópicas e instituições sem fins lucrativos que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS).
A lei reabre o Programa Caixa Hospitais FGTS, linha de crédito especial que utiliza recursos do fundo para financiar Santas Casas, hospitais filantrópicos e instituições sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência e prestem serviços de forma complementar ao SUS, e prorroga, até 2030, o prazo para a aplicação dos recursos do FGTS.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve presente na cerimônia e destacou o papel das entidades no atendimento à população. “As Santas Casas e os hospitais filantrópicos são parceiros históricos do SUS. As novas condições de financiamento permitem que essas instituições invistam em equipamentos, na estrutura das unidades e na oferta de cirurgias, exames e outros atendimentos”, afirmou.
O objetivo é fortalecer a sustentabilidade econômico-financeira do setor hospitalar, com foco na manutenção e ampliação da capacidade assistencial do SUS de média e alta complexidade, em especial com entidades que aderiram ao Programa Ministerial Agora Tem Especialistas.
Na solenidade, houve a formalização de contratos da Caixa nesta nova edição do programa com o Instituto do Câncer do Ceará (Fortaleza/CE), no valor de R$ 46 milhões; com a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia (Goiânia/GO), no valor de R$ 33 milhões; e com a Santa Casa de Misericórdia de Barretos (Barretos/SP), no valor de R$ 30 milhões. Os financiamentos serão destinados à ampliação da capacidade e à melhoria da infraestrutura hospitalar das instituições beneficiadas.
Na mesma cerimônia, a Caixa e o Ministério da Saúde assinaram um Protocolo de Intenções para reforçar a implementação do Programa Caixa Hospitais FGTS. O instrumento registra a intenção da Caixa de promover a contratação da totalidade dos recursos atualmente disponíveis para o programa, estimados em R$ 2,11 bilhões. O protocolo destaca que a Caixa já possui uma esteira de negócios de R$ 1,58 bilhão, distribuída em 78 entidades em negociação, demonstrando a demanda existente e o potencial de aplicação dos recursos em apoio à rede hospitalar filantrópica e complementar ao SUS.
Dos R$ 8,5 bilhões disponibilizados para a edição 2026 do Programa Caixa Hospitais FGTS, o potencial efetivo de contratação atualmente alcança R$ 5,52 bilhões, considerando apenas as modalidades já regulamentadas e aptas à operação. Desse montante, R$ 3,41 bilhões já foram contratados. Com isso, permanecem R$ 2,11 bilhões disponíveis para novas contratações, volume que a Caixa busca direcionar às entidades elegíveis com a retomada do programa.
Santas Casas
Em 2025, as Santas Casas realizaram 1.326.982 internações. Em 2026, até maio, já foram registrados 547.914 desses procedimentos. Os atendimentos ambulatoriais somaram 74.181.027 em 2025 e alcançaram 104.912.583 entre janeiro e maio de 2026.
1,5 mil hospitais filantrópicos
O Brasil conta com 1.525 hospitais filantrópicos, distribuídos em 1.145 municípios. Essas unidades complementam a rede pública, recebem pacientes de diferentes cidades e garantem atendimento em áreas como urgência e emergência, terapia intensiva, cardiologia, assistência materno-infantil e tratamento de doenças crônicas. Em muitos municípios, são a principal referência hospitalar da população e evitam que pacientes precisem se deslocar para centros urbanos distantes em busca de atendimento.
353 milhões de procedimentos
Entre 2020 e 2025, as Santas Casas ofereceram mais de 353 milhões de procedimentos ambulatoriais e realizaram mais de 7 milhões de internações pelo SUS. Nesse período, foram registradas mais de 3 milhões de cirurgias hospitalares e 3 milhões de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais. Em 2025, o setor filantrópico realizou 1,8 milhão das 14,9 milhões de cirurgias eletivas feitas pelo SUS. São consultas, exames, internações, cirurgias e tratamentos que ajudam a manter o cuidado disponível em diferentes regiões do país.
Combate ao câncer
Na assistência às pessoas com câncer, 205 dos 338 estabelecimentos habilitados para o atendimento oncológico de alta complexidade são filantrópicos, o equivalente a 60,7% da rede. Representam 38 dos 49 Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e 167 das 289 Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Em 2025, esses serviços responderam por 66% das 4,7 milhões de quimioterapias e por 73% dos 189,8 mil procedimentos de radioterapia realizados pelo SUS. Além disso, 82 aceleradores lineares foram destinados a entidades sem fins lucrativos de 20 estados, fortalecendo a estrutura disponível para o tratamento do câncer.
Transplantes
As instituições também são fundamentais para a rede de transplantes do país. Entre 2012 e maio de 2026, as entidades sem fins lucrativos foram responsáveis por 59,7% dos transplantes realizados pelo SUS, totalizando 157.565 procedimentos. A atuação inclui transplantes de coração, fígado, pulmão, rim, intestino, córnea e medula óssea, que oferecem a milhares de pessoas a possibilidade de recuperar a saúde, a autonomia e a qualidade de vida. A participação dessas unidades permite que o SUS mantenha uma rede capaz de oferecer procedimentos de alta complexidade que salvam vidas e ajudam os pacientes a recuperar a saúde e a autonomia.
Benefícios
As medidas asseguram benefícios para a população e a sociedade como um todo, para as economias locais, para o SUS e as políticas públicas de saúde. Os recursos disponibilizados garantem mais dignidade no atendimento, com mais estrutura, equipe e qualidade; mais acesso a especialistas, menos fila, menos espera, menos deslocamento; maior valorização profissional, menor sobrecarga em outras unidades, e expansão da oferta de especialidades e ampliação da capacidade operacional do SUS, entre outras melhorias.
Conheça as entidades beneficiadas com os recursos do Programa Caixa Hospitais FGTS:
- Instituto do Câncer do Ceará – Localizado em Fortaleza, trata-se de uma instituição privada e filantrópica de referência em oncologia, além de estruturas voltadas à assistência hospitalar, ensino, pesquisa, inovação, saúde suplementar e responsabilidade social. As áreas de atuação envolvem assistência médico-hospitalar, com especialização em oncologia, abrangendo prevenção, diagnóstico, tratamento, cuidado integral ao paciente oncológico, ensino, pesquisa, inovação em saúde e ações sociais de apoio a pacientes do SUS.
- Santa Casa de Misericórdia de Goiânia – A Santa Casa de Misericórdia de Goiânia é uma instituição filantrópica de referência regional, dedicada à assistência hospitalar, ambulatorial e laboratorial, com forte atuação no atendimento ao SUS. Vinculada à PUC Goiás como hospital de ensino, oferece formação e residência médica. Atua como hospital de ensino credenciado, oferecendo programas de residência em diversas especialidades e desenvolvendo atividades assistenciais, educacionais e laboratoriais.
- Santa Casa de Misericórdia de Barretos – A Santa Casa de Misericórdia de Barretos é uma instituição hospitalar filantrópica com mais de um século de atuação no setor de saúde, consolidando-se como hospital geral de grande porte e referência regional na prestação de serviços de média e alta complexidade. Atualmente, atua como unidade estruturante do SUS na região, atendendo também pacientes de convênios e particulares, e prestando serviços em diversas áreas, incluindo urgência e emergência, internações clínicas e cirúrgicas, procedimentos de alta complexidade e apoio diagnóstico.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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