Agro
Trigo em 2025: Superoferta global pressiona preços e expõe fragilidade do mercado brasileiro
O ano de 2025 consolidou um cenário desafiador para o mercado de trigo, tanto no Brasil quanto no exterior. A oferta global abundante, combinada com estoques elevados e preços pressionados, limitou a competitividade do trigo brasileiro.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, “a combinação de uma oferta confortável no mercado internacional reforçou a vulnerabilidade do setor interno à concorrência externa e restringiu a capacidade de formação de preços durante praticamente todo o ano”.
Produção brasileira estável, mas com redução de área plantada
A produção nacional manteve-se entre 7,4 e 7,8 milhões de toneladas, mesmo diante de uma retração de 15% a 25% na área cultivada, que recuou para cerca de 2,3 a 2,5 milhões de hectares.
Segundo Oliveira, essa redução foi resultado de margens negativas, aumento expressivo dos custos de produção — entre 30% e 60% nos últimos anos —, riscos climáticos recorrentes e maior atratividade de culturas concorrentes, como milho e sorgo.
Produtividade cresce, mas clima causa perdas regionais
A produtividade média nacional aumentou cerca de 19%, evitando queda mais acentuada da produção. Entretanto, o desempenho foi desigual entre as regiões.
Enquanto Centro-Oeste e Sudeste, especialmente Minas Gerais, apresentaram bons resultados, o Sul enfrentou perdas severas causadas por geadas no Paraná e chuvas excessivas no Rio Grande do Sul.
Déficit estrutural e dependência das importações
O Paraná produziu entre 2,6 e 2,7 milhões de toneladas, frente a uma demanda de 3,8 milhões para moagem, ampliando o déficit local. Já o Rio Grande do Sul, com 3,1 a 3,5 milhões de toneladas, enfrentou problemas de qualidade e logística.
Como consequência, o abastecimento interno permaneceu apertado, aumentando a dependência de importações, principalmente da Argentina.
Preços em queda e baixa liquidez ao longo de 2025
Os preços internos seguiram trajetória de queda, com média anual entre R$ 1.100 e R$ 1.500 por tonelada, encerrando o ano próximos do limite inferior.
Após um breve movimento de alta no início do ano — reflexo dos baixos estoques da safra anterior —, o mercado perdeu força a partir do segundo trimestre.
Entre maio e junho, os preços recuaram 6% a 8%, pressionados por real valorizado, ampla oferta externa e moinhos abastecidos.
Durante o segundo semestre, houve nova queda entre setembro e outubro, chegando a 10,7% no Paraná e 4% no Rio Grande do Sul, segundo o analista.
Importações recordes e domínio argentino no fornecimento
O Brasil registrou volume recorde de importações, entre 7,0 e 7,3 milhões de toneladas — o maior da série histórica.
A Argentina respondeu por 80% a 98% desse total, consolidando-se como principal fornecedora, beneficiada por preços competitivos e proximidade logística.
O Paraguai também teve participação pontual, com 1,4 milhão de toneladas embarcadas para o Brasil.
Exportações brasileiras recuam e qualidade limita competitividade
As exportações, concentradas no Rio Grande do Sul, somaram entre 1,8 e 2,0 milhões de toneladas, uma queda de 29% em relação a anos anteriores.
Problemas de qualidade reduziram a competitividade do trigo brasileiro no mercado externo, resultando em descontos de até 20% para uso em ração.
Mesmo com exportações ativas no Sul, o saldo comercial permaneceu claramente deficitário.
Produção recorde e estoques elevados no mercado internacional
Em nível global, a produção alcançou entre 837 e 838 milhões de toneladas, com estoques próximos de 275 milhões.
Rússia, Argentina, Austrália e Canadá lideraram a expansão, e a Rússia exportou até 45 milhões de toneladas.
Segundo Oliveira, “a abundância global neutralizou riscos geopolíticos e limitou qualquer reação mais consistente dos preços”.
Mesmo com tensões pontuais no Mar Negro e disputas comerciais, o mercado internacional manteve cotações historicamente baixas em Chicago, próximas de US$ 5,05 por bushel.
Perspectivas: 2026 exigirá política agrícola e eficiência produtiva
O balanço de 2025 revela um setor pressionado por custos elevados, riscos climáticos e concentração industrial, além da dependência de importações.
Para 2026, Oliveira destaca a necessidade de avanços em políticas agrícolas, aumento da eficiência produtiva e melhoria na qualidade do trigo nacional como fatores essenciais para reequilibrar o mercado interno.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
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