Agro
Trégua entre EUA e China e foco fiscal no Brasil marcam cenário econômico da semana, aponta Rabobank
Fed corta juros e trégua comercial traz alívio temporário
O relatório semanal “Entre Tarifas e Apertos de Mãos”, divulgado pelo Rabobank, aponta que a economia global vive um momento de alívio momentâneo após a redução dos juros pelo Federal Reserve (Fed) e o anúncio de uma trégua tarifária entre Estados Unidos e China. O acordo prevê um ano de ajustes e retomada parcial do comércio bilateral, mas não elimina tensões estruturais entre as duas potências.
Segundo o banco, o corte de 25 pontos-base nos juros norte-americanos, para a faixa de 3,75% a 4%, já era esperado pelo mercado. Entretanto, o presidente do Fed, Jerome Powell, indicou que um novo corte em dezembro ainda é incerto, o que mantém os investidores em compasso de espera.
Dólar deve encerrar 2025 a R$ 5,55, projeta Rabobank
Apesar da volatilidade global e da incerteza tarifária, o relatório aponta que o real teve desempenho positivo em outubro, com valorização de 0,18% frente ao dólar, encerrando o mês a R$ 5,38. O Rabobank prevê que a moeda americana encerre o ano cotada a R$ 5,55, sustentada por fatores externos e dúvidas sobre o cenário fiscal brasileiro.
Inflação desacelera, mas desafios persistem
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu 0,36% em outubro, revertendo a alta do mês anterior, impulsionado pela queda nos preços de commodities agrícolas. O banco revisou sua projeção de inflação medida pelo IGP-M de 1,0% para -0,5% no fechamento de 2025.
Para o IPCA, o Rabobank estima inflação de 4,6% neste ano e 4,2% em 2026, ainda acima do centro da meta. “O cenário inflacionário mostra sinais de moderação, mas núcleos de preços continuam pressionados, especialmente no setor de serviços”, aponta o relatório.
Contas públicas seguem no vermelho
Em setembro, o Tesouro Nacional registrou déficit de R$ 14,5 bilhões no resultado do Governo Central, o sétimo mês consecutivo de saldo negativo. A despesa cresceu 5,7% em termos reais, enquanto a receita teve avanço modesto de 0,6%. O déficit primário do setor público consolidado chegou a R$ 17,5 bilhões, mantendo a trajetória de alta da dívida bruta, que atingiu 78,1% do PIB.
Para 2025, o Rabobank projeta novo déficit fiscal de R$ 81,5 bilhões, o equivalente a 0,6% do PIB. A relação dívida/PIB deve alcançar 81,4% no fim do ano.
Emprego formal avança e desemprego atinge mínima histórica
O mercado de trabalho segue mostrando força. O Caged registrou criação líquida de 213 mil vagas formais em setembro, acima das expectativas. A taxa de desemprego medida pela PNAD ficou em 5,6%, o menor nível desde o início da série histórica, em 2012.
A renda média real chegou a R$ 3.507, novo recorde, e a massa salarial somou R$ 354,5 bilhões. Segundo o Rabobank, o ritmo de geração de empregos deve moderar nos próximos meses, acompanhando a esperada desaceleração do PIB no segundo semestre.
Copom deve manter Selic em 15% por mais tempo
O banco projeta que o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá a Selic em 15% na próxima reunião, reforçando a postura conservadora diante das incertezas fiscais e internacionais. Apesar de alguma melhora nas expectativas de inflação, o Rabobank avalia que os efeitos defasados da política monetária ainda não foram totalmente absorvidos.
Cenário para 2026: crescimento menor e dólar mais alto
Para 2026, o Rabobank estima que o PIB brasileiro cresça 1,6%, com inflação de 4,2% e câmbio a R$ 5,70. A taxa Selic deve recuar para 12,5% ao longo do próximo ano, acompanhando a esperada moderação dos preços e a redução gradual do diferencial de juros em relação ao exterior.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Segunda safra de milho deve alcançar 115,8 milhões de toneladas, mas rentabilidade preocupa produtores
A segunda safra de milho 2025/26 confirma o elevado potencial produtivo do agronegócio brasileiro, mas também evidencia os desafios enfrentados pelos produtores ao longo da temporada. Após a conclusão do Rally da Safra, a Agroconsult revisou para cima sua estimativa para a produção nacional da safrinha, projetando uma colheita de 115,8 milhões de toneladas.
Embora o volume represente uma recuperação em relação à estimativa inicial de 112 milhões de toneladas divulgada em maio, o resultado permanece abaixo das 125,3 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.
A revisão incorpora as informações coletadas pelas equipes técnicas em campo e as análises de imagens de satélite realizadas pela plataforma CropData, utilizada para monitoramento e classificação das áreas cultivadas.
Calendário de plantio definiu o desempenho das regiões produtoras
Segundo o levantamento, o comportamento da safra foi bastante heterogêneo entre os principais estados produtores, refletindo principalmente o impacto do calendário de plantio e das condições climáticas.
As regiões com melhor desempenho foram o Médio-Norte e Oeste de Mato Grosso, Sul de Mato Grosso do Sul, Oeste do Paraná e Sul de São Paulo. Nessas áreas, o plantio ocorreu dentro da janela considerada ideal, favorecendo o desenvolvimento das lavouras e garantindo elevados índices de produtividade.
Em um segundo grupo aparecem Maranhão, Piauí, Tocantins, Norte do Paraná, Sudoeste paulista e parte do Leste de Mato Grosso. Nessas regiões, atrasos na implantação das lavouras aumentaram os riscos, embora o potencial produtivo tenha permanecido satisfatório.
Já Goiás, Sudeste de Mato Grosso, Norte de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais concentraram os maiores impactos negativos da temporada. O plantio fora da janela ideal coincidiu com a interrupção antecipada das chuvas entre abril e maio, reduzindo tanto a área cultivada quanto a produtividade.
Área cultivada permaneceu praticamente estável
A área nacional destinada ao milho segunda safra foi estimada em 18,2 milhões de hectares, mantendo estabilidade em relação ao ciclo anterior.
Apesar disso, houve diferenças significativas entre os estados. Mato Grosso ampliou sua área em 2%, Mato Grosso do Sul registrou crescimento de 5,2%, Paraná avançou 4,2% e Rondônia expandiu 10,3%.
Em sentido contrário, Goiás reduziu a área plantada em 5,9%, Minas Gerais teve retração de 4,7% e a região do MATOPIBA registrou queda de 9,1%.
As condições climáticas tiveram papel decisivo ao longo da temporada. O excesso de chuvas em março atrasou a semeadura em diversas regiões, enquanto a seca registrada entre abril e maio comprometeu o enchimento dos grãos em importantes áreas produtoras do Centro-Oeste. As precipitações observadas em junho contribuíram para amenizar parte das perdas, mas não foram suficientes para recuperar plenamente o potencial produtivo.
Mato Grosso lidera produtividade; Goiás registra maior queda
Entre os estados avaliados pelo Rally da Safra, Mato Grosso apresentou novamente os melhores indicadores de produtividade, com média de 130 sacas por hectare, apenas 1,4% abaixo da safra anterior.
O bom desempenho foi impulsionado principalmente pelas regiões Médio-Norte e Oeste, onde o calendário agrícola favoreceu elevada população de plantas e excelente formação das espigas.
Em Goiás, entretanto, o impacto climático foi um dos mais severos da temporada. A produtividade média caiu para 83 sacas por hectare, retração de 34,6% em relação ao ciclo anterior.
No Mato Grosso do Sul, a média ficou em 99,3 sacas por hectare, beneficiada pelo desempenho das áreas do Sul do estado. Já o Paraná alcançou produtividade média de 97,9 sacas por hectare, com destaque para a região Oeste.
Em Minas Gerais, a redução da produtividade foi de 22,2%, enquanto a região do MATOPIBA registrou retração de 14,9%.
Segundo André Debastiani, coordenador do Rally da Safra, o elevado volume de produção não significa necessariamente maior rentabilidade ao produtor.
“A produção brasileira continua expressiva, mas é importante diferenciar volume produzido de resultado econômico. Nessa safra, o produtor enfrentou uma combinação de custos elevados e preços pressionados, o que reduz a rentabilidade da atividade.”
Produção total de milho é revisada para 144,1 milhões de toneladas
Com a atualização dos números da segunda safra, a produção total de milho do Brasil em 2025/26 passou a ser estimada em 144,1 milhões de toneladas, acima da projeção de 140,5 milhões divulgada em maio.
Mesmo assim, o volume permanece inferior às 152,3 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.
A área total cultivada com milho no país alcança 22,6 milhões de hectares.
Mercado interno ganha força, mas exportações enfrentam maior concorrência
No mercado doméstico, o crescimento do consumo pela indústria de ração animal e pela produção de etanol de milho continua sustentando a demanda.
Por outro lado, o ambiente internacional tornou-se mais competitivo. A expectativa de grandes colheitas nos Estados Unidos e na Argentina amplia a oferta global e tende a pressionar as exportações brasileiras, limitando o potencial de recuperação dos preços.
Além disso, a colheita ainda em andamento em áreas do Paraná e de Mato Grosso do Sul mantém produtores atentos às condições climáticas, especialmente ao risco de frio sobre lavouras em fase de enchimento de grãos.
Rally da Safra realizou maior expedição da história
A edição 2026 do Rally da Safra percorreu mais de 104 mil quilômetros entre janeiro e junho, mobilizando 23 equipes técnicas — sendo 17 dedicadas à soja e seis ao milho.
Durante a expedição foram avaliadas aproximadamente 2,5 mil lavouras e quase 44 mil pontos georreferenciados em todas as principais regiões produtoras do país, tornando esta a maior operação já realizada pelo levantamento.
Perspectivas
A tendência para os próximos meses é de manutenção de uma oferta elevada de milho no mercado interno, favorecida pelo avanço da colheita da segunda safra. O consumo doméstico deve continuar aquecido, impulsionado principalmente pelos setores de proteína animal e etanol de milho.
No entanto, a rentabilidade do produtor seguirá pressionada pelo elevado custo de produção e pela concorrência internacional, especialmente diante das grandes safras previstas nos Estados Unidos e na Argentina. Nesse cenário, o comportamento do câmbio, da demanda externa e da logística de exportação será determinante para a formação dos preços ao longo do segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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