Agro
Tecnologia no agro em 2026: mecanização inteligente e agricultura regenerativa impulsionam nova era no campo
O agro brasileiro na era da transformação digital
O agronegócio nacional vive uma das fases mais intensas de modernização de sua história. A combinação entre mecanização inteligente, biotecnologia aplicada e plataformas digitais integradas está redesenhando o futuro do campo, tornando o setor mais produtivo, sustentável e conectado.
Segundo levantamento da Data Bridge Market Research, o mercado global de transformação digital deve ultrapassar US$ 5 trilhões até 2031, com o agronegócio figurando como um dos principais vetores dessa evolução. Para 2026, as frentes tecnológicas devem se consolidar com foco em eficiência operacional, sustentabilidade e inclusão digital.
Mecanização inteligente: máquinas guiadas por dados
O campo brasileiro está deixando de depender apenas da força das máquinas para operar com base em dados e conectividade. A mecanização inteligente permite que tratores e colheitadeiras funcionem como plataformas tecnológicas, equipadas com GPS de alta precisão, piloto automático e sistemas de telemetria capazes de monitorar o desempenho em tempo real.
De acordo com Micael Duarte, analista de Inovação Sênior na YANMAR South America, a empresa japonesa tem direcionado seus esforços para democratizar o acesso à tecnologia no campo.
“Hoje, as máquinas agrícolas vão muito além da força bruta. Elas são plataformas inteligentes que otimizam o trabalho do produtor e aumentam a produtividade”, afirma Duarte.
Entre as inovações da marca está o SMART-ASSIST REMOTE, sistema embarcado em tratores e colheitadeiras que permite o monitoramento remoto por celular ou computador, acompanhando tempo de operação, desempenho e alertas preventivos.
Segundo o executivo, o grande desafio está em tornar essas tecnologias acessíveis também aos pequenos e médios produtores.
“A YANMAR trabalha para desenvolver soluções que realmente façam diferença no dia a dia do agricultor, mantendo eficiência e praticidade”, reforça.
Biotecnologia e bioinsumos impulsionam a agricultura regenerativa
A agricultura regenerativa vem se consolidando como uma das principais tendências do agronegócio brasileiro. O conceito, que busca equilibrar produtividade e saúde do solo, ganha força com o avanço dos bioinsumos e o crescimento da biotecnologia aplicada.
Segundo Ivan Moreno, CEO da Orbia, maior plataforma digital integrada do agro na América Latina, o aumento nas compras de bioinsumos confirma essa transformação.
“Os agricultores estão atentos às inovações e buscam alternativas mais naturais e complementares aos insumos tradicionais”, destaca Moreno.
Dados da CropLife Brasil mostram que o mercado de bioinsumos cresceu 15% na safra 2023/24, movimentando cerca de R$ 5 bilhões.
“O futuro do agro passa pela diversidade de escolhas e pela valorização de práticas que respeitam o solo, o ambiente e o produtor”, complementa o executivo.
Plataformas digitais integradas transformam a rotina do produtor
A digitalização do campo já é uma realidade. Com plataformas integradas, o produtor rural consegue comprar insumos, realizar pagamentos e acumular benefícios em um único ambiente online.
“Nosso objetivo é ser um parceiro do agricultor, ajudando-o a atingir suas metas de forma mais eficiente e sustentável”, afirma Moreno.
Atualmente, a Orbia reúne mais de 330 distribuidores, cobertura nacional e 265 mil produtores brasileiros cadastrados, número que chega a 315 mil em toda a América Latina. A empresa é considerada a única plataforma digital completa do agronegócio, reunindo soluções de compra, logística e fidelização em um só sistema.
O futuro do agro: eficiência, inclusão e propósito
O avanço tecnológico no agronegócio deve se intensificar em 2026, com soluções cada vez mais inteligentes, acessíveis e conectadas. A integração entre dados, sustentabilidade e inovação está transformando a forma como o campo produz, tornando o agro brasileiro um setor guiado por eficiência, competitividade e propósito sustentável.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Crédito rural para a agricultura empresarial soma R$ 65,7 bilhões nos dois primeiros meses da safra 2026/2027
Nos dois primeiros meses da safra 2026/2027, de julho a agosto de 2026, os produtores rurais enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e os Demais Produtores Rurais contrataram R$ 65,7 bilhões em operações de crédito rural.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil.
As Cédulas de Produto Rural (CPRs), títulos que permitem ao produtor obter recursos mediante o compromisso de entrega futura de produtos agropecuários, responderam por R$ 32,4 bilhões do total contratado no bimestre, o equivalente a 49,2% das operações. O volume ficou acima do registrado nas operações de custeio convencional, que somaram R$ 23 bilhões, ou 34,9% do total.
Do total destinado ao custeio da produção, os demais produtores empresariais responderam por R$ 12 bilhões, equivalentes a 52,2% do custeio contratado. Os produtores enquadrados no Pronamp contrataram R$ 11 bilhões, correspondentes a 47,8%.
Para a comercialização da produção agropecuária, foram contratados R$ 4 bilhões em crédito no período. Já as operações destinadas à industrialização somaram R$ 2,9 bilhões. Em ambos os casos, os recursos ficaram concentrados entre médios e grandes produtores.
As operações de investimento, destinadas à aquisição de máquinas e equipamentos, irrigação e modernização de estruturas produtivas, somaram R$ 3,5 bilhões no bimestre. Entre os programas específicos, o Pronamp Investimento registrou R$ 428 milhões em contratações, enquanto o RenovAgro somou R$ 413 milhões.
SEGMENTAÇÃO POR PORTE DO PRODUTOR
Na análise por segmento, os demais produtores rurais, fora do Pronamp, responderam por R$ 22 bilhões, equivalentes a 33,5% do total concedido no período. O Pronamp registrou R$ 11,4 bilhões em concessões, o equivalente a 17,3% do total.
Ao todo, a agricultura empresarial registrou 70.657 contratos de crédito rural no bimestre. Desse total, 23.478 foram operações de CPRs, que representaram parcela significativa das contratações realizadas nos dois primeiros meses da safra.
Entre as regiões do país, o Sul concentrou o maior número de contratos, com 22.631 operações, e registrou R$ 11,7 bilhões em crédito. Na sequência aparecem o Sudeste, com R$ 9,6 bilhões, e o Centro-Oeste, com R$ 7,2 bilhões. O Nordeste e o Norte registraram, respectivamente, R$ 3,2 bilhões e R$ 1,7 bilhão em concessões no bimestre.
O levantamento também mostra diferenças no valor médio das operações entre as regiões. O Nordeste apresentou o maior valor médio por contrato, de R$ 1,05 milhão, seguido pelo Centro-Oeste, com R$ 1,03 milhão. O Sul, apesar de registrar o maior número de contratos e o maior volume de crédito entre as regiões, apresentou o menor valor médio, de R$ 516,5 mil.
FONTES DE RECURSOS
Entre as fontes de recursos utilizadas no financiamento do crédito rural, os Recursos Obrigatórios (parcela dos depósitos à vista que as instituições financeiras devem destinar ao crédito rural) foram a principal fonte controlada no período, com R$ 9,9 bilhões, equivalentes a 41% do total de fontes controladas.
A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada somou R$ 6,7 bilhões, correspondentes a 28% das fontes controladas.
Entre as fontes não controladas, formadas por recursos captados livremente pelas instituições financeiras no mercado, a LCA Livre foi a principal, com R$ 7,6 bilhões destinados ao crédito rural.
RECURSOS EQUALIZÁVEIS
A programação orçamentária de recursos equalizáveis para a safra 2026/2027 totaliza R$ 97,6 bilhões, conforme a Portaria MF nº 2.170, de 22 de julho de 2026. Esses recursos são destinados a linhas de crédito com taxas de juros controladas pelo Governo Federal, com a equalização da diferença em relação às taxas de mercado.
Nos dois primeiros meses da safra, foram concedidos R$ 10,9 bilhões em recursos equalizáveis.
Entre os programas de investimento com recursos equalizáveis, o RenovAgro registrou o maior volume de contratações no período, com R$ 412,9 milhões, seguido pelo Pronamp, com R$ 380,3 milhões, e pelo Moderfrota, com R$ 250,2 milhões.
Nas operações equalizáveis de investimento, Banco do Brasil e BNDES concentraram, juntos, cerca de 77% das concessões do período, com participações de 39,8% e 36,8%, respectivamente.
Nas linhas equalizáveis de custeio e comercialização, o Banco do Brasil respondeu por 45,6% das concessões, seguido pelo Sicredi, com 16,7%, e pela Cresol, com 12,9%.
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