Agro
Soja oscila entre estabilidade no Brasil e volatilidade em Chicago com influência do clima e da demanda
O mercado da soja registrou estabilidade nas principais praças do Sul do país, segundo dados da TF Agroeconômica. No Rio Grande do Sul, as indicações de preços para pagamento em meados de setembro ficaram em R$ 142,00 nos portos. Já no interior, houve leve recuo, com negociações em torno de R$ 134,00 por saca em cidades como Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa.
Em Santa Catarina, o mercado também seguiu estável e com baixa movimentação. Em Rio do Sul, a saca permaneceu em R$ 128,00, enquanto em Palma Sola recuou para R$ 123,00. No porto de São Francisco do Sul, a soja foi cotada a R$ 140,82.
No Paraná, os preços apresentaram poucas variações. Em Paranaguá, a saca foi negociada a R$ 142,73 (+0,09%), em Cascavel a R$ 131,23 (+1,16%) e em Maringá a R$ 133,69 (+2,08%). Já em Ponta Grossa, o preço FOB foi de R$ 132,96 (+1,00%) e no balcão R$ 120,00. Em Pato Branco, o valor ficou em R$ 123,92.
Safra começa com otimismo no Centro-Oeste, mas custos trazem cautela
No Mato Grosso do Sul, o início da safra é acompanhado de otimismo, mas os custos de produção mantêm a cautela entre os produtores. No mercado físico, a soja se manteve firme em praças importantes: Dourados e Campo Grande registraram R$ 123,92 por saca, Maracaju R$ 124,71, Chapadão do Sul R$ 121,99 e Sidrolândia R$ 126,15.
Já no Mato Grosso, houve avanço nas cotações, impulsionado pela expectativa de chuvas. Em Campo Verde, a soja foi cotada a R$ 123,50, mesma referência observada em Rondonópolis e Primavera do Leste (R$ 123,49). Em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso, os preços ficaram em R$ 123,00 (+1,78%).
Chicago volta a subir com apoio do óleo e expectativas políticas
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos de soja retomaram valorização nesta terça-feira (16), após perdas na sessão anterior. Por volta das 7h15 (horário de Brasília), os ganhos variavam entre 3,50 e 3,75 pontos, levando o contrato de janeiro a US$ 10,65 e o de maio a US$ 10,93 por bushel. O julho superava a marca dos US$ 11,00, sendo cotado a US$ 11,03.
O movimento refletiu ajustes após realização de lucros, mas também a expectativa pela conversa entre Donald Trump e Xi Jinping marcada para sexta-feira (19), além de reuniões bilaterais realizadas nesta semana na Espanha.
Outro fator de sustentação veio dos futuros do óleo de soja, que subiam mais de 1% na CBOT, fortalecendo o grão. Paralelamente, o mercado segue atento ao clima no Brasil, onde o plantio ainda é incipiente e depende de chuvas mais consistentes esperadas para a segunda quinzena de setembro.
Realização de lucros limita ganhos e relatórios sustentam fundamentos
Na sessão anterior, segunda-feira (15), a soja havia encerrado o dia em leve queda na CBOT, pressionada pela realização de lucros. O contrato de novembro recuou 0,36% (-3,50 cents/bushel), para US$ 1.042,75, enquanto o de janeiro caiu 0,35% (-3,50 cents/bushel), a US$ 1.061,75.
No farelo, o contrato de outubro registrou queda de 0,83% (-US$ 2,40/ton curta), a US$ 285,20, enquanto o óleo de soja para outubro subiu 0,17% (+US$ 0,09/libra-peso), a US$ 51,76.
Apesar do fechamento negativo, os relatórios deram suporte ao mercado. O USDA apontou embarques semanais acima do esperado, 72% superiores ao da semana anterior. Além disso, a NOPA indicou esmagamento de soja em agosto acima das previsões, reforçando a demanda doméstica nos Estados Unidos.
Por outro lado, a ausência de novas compras da safra norte-americana pela China gera cautela. Mesmo após recentes encontros diplomáticos, não houve avanço nas negociações agrícolas, o que mantém os investidores atentos.
De acordo com analistas, a combinação de lucros realizados por fundos e incertezas comerciais limita o avanço das cotações, apesar de fundamentos de demanda sólidos. O foco agora se volta para os próximos relatórios do USDA e possíveis movimentações da China no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mapa apresenta Rgen+Sustentável na Feira Brasil na Mesa
Neste sábado (25), na Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa em comemoração aos seus 53 anos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma palestra detalhando a Política Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Recursos Genéticos para a Alimentação, a Agricultura e a Pecuária (Rgen+Sustentável).
Com o objetivo de conservar, valorizar e promover o uso sustentável dos recursos genéticos para a alimentação e a agricultura (RGAA), a política foi lançada em abril de 2025 e busca ampliar a base genética dos programas de melhoramento das instituições de pesquisa, além de fortalecer o conhecimento sobre esses recursos e contribuir para a segurança alimentar e nutricional. A iniciativa também atua como catalisadora do desenvolvimento científico e tecnológico no setor agrícola.
A política é estruturada para garantir a segurança alimentar nacional por meio da conservação e do uso sustentável da diversidade genética. São considerados recursos genéticos os materiais com valor atual ou potencial para uso direto ou indireto na alimentação e na agropecuária, incluindo espécies de plantas, animais, microrganismos e organismos intermediários.
Durante a apresentação, o representante da coordenação de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Departamento de Inovação do Mapa, Paulo Mocelin, destacou a importância estratégica do tema.
Segundo Mocelin, embora o tema ainda não seja amplamente conhecido pelo público, ele é fundamental para o futuro da agropecuária. “O tema de recursos genéticos não é tão popular, mas traz elementos novos e essenciais para o desenvolvimento do setor. A Política Nacional é uma política de Estado, instituída pelo Decreto nº 12.097, de 2024, e tem como objetivo definir prioridades e estratégias para consolidar uma agenda de longo prazo voltada à conservação, valorização e uso sustentável da biodiversidade agrícola”, explicou.
Também ressaltou que a política está alinhada a compromissos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica e o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura.
“O Brasil é um país megadiverso, com grande variedade de espécies, biomas e ecossistemas. Temos um clima favorável à agropecuária, um sistema nacional de pesquisa robusto, com destaque para a Embrapa e instituições estaduais, além de uma legislação estruturada e parcerias internacionais consolidadas”, pontuou.
No âmbito das diretrizes de pesquisa e inovação, a política busca promover a conservação e o uso sustentável dos recursos genéticos, incentivar a adoção de novas tecnologias, sistematizar e disponibilizar informações científicas e fortalecer a articulação entre atores públicos e privados.
Já em relação aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e ao Conhecimento Tradicional Associado (CTA), a iniciativa incentiva o intercâmbio de variedades tradicionais e raças localmente adaptadas, além de valorizar os saberes tradicionais e promover a participação social.
No eixo de informação e capacitação, estão previstas ações de divulgação da importância estratégica dos RGAA, articulação de redes nacionais e internacionais, formação de recursos humanos e ampliação do acesso a dados qualificados.
A política também se articula com iniciativas como a Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Genética Agrícola para Adaptação às Mudanças Climáticas (Readapta), que desenvolve projetos de melhoramento genético voltados a culturas como arroz, feijão, milho, soja, trigo e mandioca.
O Mapa é responsável pela definição e implementação dos planos de ação, pela estruturação da rede, pelo fomento à conservação e capacitação, além de incentivar pesquisas e inovações baseadas no uso sustentável dos recursos genéticos.
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