Agro
Soja avança em Chicago com acordo entre EUA e China, mas irregularidade das chuvas atrasa plantio no Brasil
O Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apontou forte valorização dos contratos de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) em outubro, impulsionada pelo anúncio de um novo acordo comercial entre Estados Unidos e China.
O grão iniciou o mês cotado a US$ 10,13 por bushel e encerrou outubro a US$ 10,99, um avanço de 9%. Na primeira quinzena de novembro, a média atingiu US$ 11,09/bu, alta de 7,5% sobre o mês anterior.
De acordo com o governo norte-americano, os chineses se comprometeram a adquirir 12 milhões de toneladas de soja ainda em 2025 e mais 25 milhões de toneladas ao longo dos próximos três anos, fortalecendo as perspectivas de exportação dos EUA.
Efeito limitado no Brasil: prêmios caem e câmbio reduz ganhos
Enquanto a soja se valorizava no mercado internacional, os prêmios da safra 2025/26 no Brasil recuaram quase na mesma proporção, o que acabou neutralizando parte dos ganhos observados na CBOT.
No Mato Grosso, o preço de paridade de exportação se manteve próximo de R$ 105 por saca (referência março/2026). Já no mercado físico, as cotações apresentaram leve retração — em Sorriso (MT), a soja foi negociada a R$ 119 por saca, queda de 1% em outubro.
Segundo o Itaú BBA, a valorização do real frente ao dólar e o aumento dos custos logísticos também influenciaram a limitação dos preços internos, reduzindo a competitividade dos embarques.
Plantio atrasado preocupa produtores
O avanço da semeadura da soja segue abaixo do ritmo registrado em 2024, principalmente devido à irregularidade das chuvas em importantes regiões produtoras.
De acordo com a Conab, os maiores atrasos foram registrados em Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. Além disso, houve replantios pontuais em áreas do Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Paraná.
No Mato Grosso, as regiões Leste e Sudeste enfrentam escassez de chuvas; no Tocantins e Maranhão, a estiagem prolongada tem prejudicado a emergência das plantas; enquanto no Paraná, excesso de chuvas e tempestades de granizo afetaram áreas isoladas.
Mesmo com os desafios climáticos, o Itaú BBA projeta produção nacional próxima de 178 milhões de toneladas na safra 2025/26, desde que as chuvas se regularizem nas próximas semanas.
USDA revisa para baixo estimativas da safra americana
Após a retomada dos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), interrompidos temporariamente em outubro, as novas projeções indicaram redução na produção e nas exportações americanas.
O USDA agora estima a produção de soja nos EUA em 115,8 milhões de toneladas, uma queda de 1,3 milhão em relação ao relatório anterior, com produtividade revisada para 3,56 toneladas por hectare.
As exportações americanas foram reduzidas para 44,5 milhões de toneladas, refletindo menor oferta doméstica e maior concorrência da América do Sul. Mesmo com o acordo firmado com a China, o órgão alertou que os preços na CBOT podem recuar se as compras chinesas não avançarem conforme o previsto.
Perspectivas para o mercado e gestão de riscos
O Itaú BBA avalia que o cenário da soja segue positivo, mas volátil, combinando otimismo com o acordo comercial e preocupações com o clima e o câmbio.
Embora a produtividade brasileira dependa de chuvas regulares, a consultoria observa que os índices de replantio estão menores que os da safra 2023/24, quando houve recorde de replantio.
A disponibilidade de sementes segue normal, mas alguns produtores devem alterar o portfólio de cultivares para ajustar o ciclo produtivo à nova janela de plantio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns
O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.
Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.
A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.
O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.
A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.
Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.
Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.
Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.
Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.
A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).
O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.
Fonte: Pensar Agro
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