Agro
Agricultura familiar mantém produção e sustenta programas sociais
A determinação do Governo do Estado de que, mesmo com a situação criada pela pandemia do coronavírus, não apenas está mantida a compra de alimentos da agricultura familiar, como o volume será ampliado com aporte extra de R$ 20 milhões, animou as associações e cooperativas de produtores, que veem nisso a possibilidade de manutenção dos planos para seus negócios.
Serão acrescidas 3 mil famílias de agricultores, totalizando 25 mil produzindo em todo o Paraná. Os alimentos que eram da merenda escolar são entregues nas escolas junto com o Programa Leite das Crianças e kits para famílias vulneráveis.
Como as aulas estão suspensas desde o dia 20 de março, as escolas da rede estadual de Educação do Paraná e servidores de outras secretarias estão mobilizados em uma verdadeira força-tarefa para entrega com alimentos da merenda às famílias dos estudantes inscritos no Bolsa Família e também a alunos em situação de vulnerabilidade social.
“O Governo do Estado mantém intacta a recepção e a compra dos alimentos da agricultura familiar e, para manter operando aquilo que é essencial à vida, há uma intensificação nessa compra”, disse o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.
Para a presidente da Cooperativa da Agricultura Familiar de São Jerônimo da Serra (Coafi), Regiane Aparecida Moura, a garantia da continuidade do fornecimento de alimentos significa também uma vida mais digna para os próprios produtores. “Quem mora no sítio e planta tem o que comer, não passa fome, no entanto precisa de dinheiro não apenas para as necessidades do dia a dia, mas para manter o ciclo da produção”, disse.
A Coafi tem cerca de 100 sócios. “Esse momento ímpar pegou de surpresa também a nós, mas estamos nos adaptando à realidade de cada dia”, afirmou a presidente. “Muita coisa a gente consegue superar, até mesmo o coronavírus, agora a fome não tem coisa pior, pois não tem remédio para passar, é só comida. Independente do coronavírus ou não, a agricultura não para, ela continua, é todo dia, é toda hora, cada instante.”
A presidente da Cooperativa da Agricultura Familiar Matoriquense (Coamar), Lindamir Humeniuk, disse que as 171 famílias sócias estão com os produtos prontos para serem entregues. “Uma interrupção iria gerar muitos prejuízos”, afirmou. “Estamos distante de grandes centros consumidores e os programas sociais são quase os únicos compradores.”
LEITE – Para a Copasol Trentina, em Piraquara, o programa mais importante é Leite das Crianças. Dos 92 sócios, 15 trabalham para o programa. “Até o momento estão sendo feitas as entregas normalmente três vezes por semana”, disse a presidente Maria Clara Jess Garcia. “Para a cooperativa, esse é o melhor programa, pois mantém os produtores na atividade e o laticínio de portas abertas, gerando emprego.”
A Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Copran), com sede em Arapongas, abrange uma vasta extensão no Norte e Centro-Oeste, com mais de 1300 associados em assentamentos da reforma agrária.
“Sabemos da importância de fornecer alimentos e da medida importante que é continuar comprando nossa produção para fornecer cestas básicas às famílias em vulnerabilidade social”, disse o presidente da entidade, Alencar Hermes. “Temos obrigação de produzir alimentos e aqui as pessoas estão em pleno trabalho, nada mudou, as famílias estão intensificando o plantio e o cultivo de comida.”
A Cooperativa dos Cafeicultores de Pirapó (Coocapi), em Apucarana, tem 191 cooperados produzindo café e hortifrútis. “A maioria de nossos cooperados é pequeno agricultor e o programa de governo faz muita conta no bolso desses produtores”, disse o presidente Oswaldo Bueno. “Muitas dessas famílias vivem desses programas de governo e isso é o que está acontecendo.”
Apesar das dificuldades, as 57 famílias da Associação dos Profissionais e Produtores Rurais de Floraí e Região (Proflora) estão produzindo, informa o presidente Joaquim Bera. “Com a assistência dos governos estadual e municipal as compras não pararam, os pagamentos são realizados mensalmente e os agricultores recebem por seus produtos, para sua manutenção e continuidade das atividades”, disse. “E isso tem um alcance social de relevância para os menos favorecidos.”
CERTIFICAÇÃO – Para a Cooperativa Mista de Diversificação da Agricultura Familiar de Rio Azul (Comdaf), com 23 cooperados, busca na certificação de produtos orgânicos uma forma de expandir a comercialização. A entrega para programas sociais é recente. “Poder contribuir para o fornecimento de alimentos saudáveis a pessoas de baixa renda, sobretudo neste momento tão delicado é para nós um impulso para produzir ainda mais e melhor”, disse o presidente da entidade, Heliton Miranda.
A não descontinuidade da entrega de produtos trouxe alívio para a Cooperativa Marialvense dos Fruticultores (Comafrut). “A medida adotada pelo governo de continuar entregando os produtos da agricultura familiar e direcionar para as famílias carentes é um alento”, disse o presidente, Nelson Ricieri. Comafrut representa 172 cooperados.
A Cooperativa dos Agricultores Familiares da Região de Maringá (Coafam), com sede em Mandaguaçu, possui cerca de 160 agricultores associados que comercializam seus produtos diretamente em projetos institucionais. “É de extrema importância para eles a liberação para entregar neste período, pois garante renda e destino aos produtos”, disse a gerente administrativa/financeira da entidade, Gabriela Sartorelli da Silva Margonar.
AGROINDÚSTRIAS – Na Cooperativa Mista Triunfense dos Agricultores e Agricultoras Familiares (Cooftril), de São João do Triunfo, 80 cooperados não pararam de plantar e colher. Também estão em atividade as três agroindústrias e a cozinha comunitária.
“A agricultura familiar sabe de sua importância, foi ela que sempre forneceu alimentos de qualidade para a população brasileira e também nesse momento de pandemia cumpriremos a nossa função”, disse a presidente Silvia Mara Woiciechowski.
Para ela, o que precisa agora é um reforço na infraestrutura e logística, com disponibilização de material de segurança, como máscaras, luvas e álcool em gel para as organizações da agricultura familiar e escolas.
A solução para o escoamento dos produtos é a continuidade dos programas sociais, acredita a Associação União, de Castro, que congrega aproximadamente 150 agricultores familiares.
“Há muitos hortifrútis que estão passando da hora de colher e alguns já se perderam”, disse o presidente Oseias de Oliveira. Para ele, não apenas os produtores podem se beneficiar. “A gente sabe que muitas crianças vão para a escola e não têm alimentação em casa, a principal é feita nos colégios, por isso a preocupação é grande.”
Saiba mais sobre o trabalho do Governo do Estado em:
http:///www.facebook.com/governoparana e www.pr.gov.br
Agro
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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