Brasil
Sistema de prevenção a desmatamentos na Amazônia é atualizado e fica ainda mais preciso
O Sistema de Previsão de Desmatamento na Amazônia ganhou uma nova atualização. A modernização solucionou questões técnicas e reduziu cerca de 75% dos erros da versão anterior. A nova tecnologia, lançada em agosto, utiliza inteligência artificial para prever, com até 15 dias de antecedência, as áreas de maior risco de desmatamento e de queimadas na região.
No ar desde agosto, o projeto Deforestation Prediction System (nome do sistema em inglês) está inserido na plataforma TerraBrasilis. O portal foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo a pesquisadora do Inpe Ana Paula Aguiar, do ponto de vista tecnológico, a atualização é um avanço importante e inovador. “Ao conseguir antecipar o local do desmatamento, aumentamos a chance de as equipes de fiscalização chegarem em tempo aos locais onde o desmatamento está ocorrendo e evitar que ele aumente.” O novo sistema contribui para os demais esforços do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) pelo desmatamento zero.
O professor do departamento de Engenharia Elétrica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pesquisador responsável pelo modelo, Raul Feitosa, considera que a previsibilidade do sistema é um grande diferencial. “Enquanto vários outros estudos de previsão de desmatamento se baseiam em períodos mais amplos, como de hoje até um ano, este prevê com precisão o que pode acontecer nos próximos 15 dias. Isso é consideravelmente mais desafiador. Nosso modelo foi desenvolvido especificamente para enfrentar essa complexidade do curto prazo”, diz.
De acordo com dados do Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), de agosto de 2024 a julho de 2025, o número de alertas de desmatamento na Amazônia apresentou queda de 48%, mesmo com o avanço da degradação em estados como Mato Grosso e Amazonas.
A nova atualização é fruto de uma parceria entre o Inpe, o MMA, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Operação
Para fazer a previsão, semanalmente o sistema recebe informações de desmatamento, degradação e dados climáticos dos programas Deter, Prodes (de mapeamentos de supressão e/ou degradação de vegetação nativa) e Queimadas, também do Inpe. “Com os dados em mãos, nós os colocamos no modelo para que ele faça essa relação entre os fatores possíveis da área. Com isso, ele consegue projetar qual local tem maior potencial de ocorrer um desmatamento”, explica Ana Paula.
Segundo Feitosa, o modelo foi treinado com base na série histórica de dados coletados pelo Inpe. “O modelo de IA identifica nesse histórico padrões entre o que acontece imediatamente antes do desmatamento e quais são os fatores determinantes, como a distância de rios e de estradas.”
Ele explica que a inteligência artificial emprega métodos de pesquisa sistemática para identificar padrões no histórico dos dados. “Uma vez treinado, o modelo monitora continuamente informações do passado recente para projetar o que provavelmente ocorrerá no futuro próximo”, finaliza.
No portal TerraBrasilis, o resultado do projeto se traduz em um indicador de risco de desmatamento, disponível para usuários cadastrados. Os indicadores podem ser visualizados em células de 150 km x 150 km ou 25 km x 25 km, 5 x 5 km², organizados por municípios e estados e em diferentes períodos de tempo.
Conheça a Sala de Situação no Painel TerraBrasilis
Brasil
Da ciência ao cuidado: Ministério da Saúde debate estratégias para acelerar o acesso à inovação nos serviços do SUS
Inovação em saúde, pesquisas clínicas, inteligência artificial, terapias avançadas e tecnologias de ponta ocuparam o centro do debate público durante a realização da Feira SUS Inova Brasil. O evento foi promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, na capital carioca nesta sexta-feira (17/04). A programação contou com espaços de conexões e painéis temáticos que reuniu representantes da sociedade civil e especialistas do setor público e privado.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, ressaltou que o evento soma-se aos esforços do Governo do Brasil para acelerar o caminho entre o que é produzido no país e a disponibilização no sistema público. O debate, destacou a secretária, precisa ser feito com a participação direta de gestores municipais e estaduais para construir estratégias cada vez mais integradas e colaborativas.
Entre as medidas já adotadas, está o apoio às pesquisas clínicas. “É a partir delas que a gente vai conseguir testar essas novas tecnologias que estão sendo feitas. E, quanto mais a gente for eficiente nesse processo, mais a gente consegue aproximar e trazer essas tecnologias para o uso efetivo no sistema de saúde lá na ponta”, enfatizou.
Outra ação destacada por Fernanda De Negri foi a implementação do Programa Nacional de Inovação Radical. Realizado em conjunto com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), a inciativa tem o objetivo de impulsionar o conhecimento científico em soluções concretas, por meio de medicamentos, tratamentos e dispositivos que atendam às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). “As ações são justamente para acelerar e reduzir esse gap entre a pesquisa e a inovação, e o uso dessa inovação no sistema público de saúde”, concluiu.
Caminhos da inovação aplicada
Quatro outros painéis também integraram o evento. O primeiro foi dedicado à saúde digital. Nele, especialistas discutiram como o uso eficiente de dados, da inteligência artificial e da medicina de precisão podem apoiar a modernização do SUS e, consequentemente, contribuir para a diminuição de custos. O debate mostrou que a análise qualificada dessas informações já orienta a criação de políticas públicas e apoia gestores locais a tomar decisões mais rápidas, seguras e eficientes, impulsionando novas formas de inovar na saúde pública.
O segundo painel destacou a importância de transformar resultados de pesquisas em soluções reais para o SUS, por meio da pesquisa clínica, da avaliação de novas tecnologias e da inovação em saúde. Os debatedores apontaram oportunidade para avançar em questões regulatórias, de organização dos serviços e de parcerias estratégicas para que essas inovações sejam adotadas em larga escala.
Tecnologia que transforma
A discussão sobre inovação em saúde avançou com o debate sobre o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e seu papel na redução das desigualdades regionais no país. Especialistas destacaram que políticas públicas orientadas às características de cada território podem impulsionar o desenvolvimento produtivo local, fortalecer cadeias estratégicas do SUS e gerar impacto social direto nas comunidades. A aposta em soluções que dialogam com as realidades das regiões brasileiras foi apontada como caminho para ampliar a equidade, promover autonomia tecnológica e consolidar um modelo de inovação capaz de responder às necessidades concretas da população.
O último painel foi em torno de como o cuidado com pacientes com câncer está mudando com a novas tecnologias, que vão desde exames mais precisos, como os que usam biomarcadores e biossensores, até tratamentos avançados, como a terapia CAR-T, que usa as próprias células de defesa do paciente para atacar o tumor. O diálogo reforçou que unir diagnósticos mais confiáveis a terapias inovadoras é fundamental para que o SUS consiga adotar essas novidades de forma sustentável e para um número cada vez maior de pessoas.
Conexões
A programação contou ainda com espaços de conexão. Foi nesse ambiente que a mestranda em Gestão de Competitividade e Saúde, Ariane Volin, de 44 anos, natural do Pará e atualmente morando em São Paulo, encontrou oportunidade de compreender melhor os estágios da inovação no Brasil, especialmente no que diz respeito à pesquisa e à aplicação de práticas de governança.
Para ela, a feira é uma vitrine e um momento oportuno para aprofundar seu olhar sobre gestão. “O conteúdo apresentado contribui diretamente para minha pesquisa sobre governança pública em projetos. Estou acompanhando temas como privacidade, segurança da informação e a aplicação prática do conhecimento”, ressaltou Ariane.
Assista aos debates da Feira SUS Inova Brasil
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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