Agro
Setor leiteiro pede medidas mais amplas para evitar colapso dos produtores no Brasil
Conab anuncia investimento de R$ 106 milhões para apoiar produtores de leite
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou um pacote de medidas voltado ao setor leiteiro, que enfrenta forte pressão devido à queda nos preços pagos aos produtores.
O anúncio foi feito durante encontro em Porto Alegre (RS), com a presença de autoridades dos governos federal e estadual, além de representantes de associações e cooperativas.
Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, o aporte total será de R$ 106 milhões, destinados à compra de 2,5 milhões de toneladas de leite em pó. Sete estados serão contemplados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Sergipe e Alagoas.
O Rio Grande do Sul receberá R$ 41,87 milhões, o equivalente a 44% do volume total da aquisição, com o produto sendo armazenado na unidade da Conab em Canoas (RS). O leite adquirido será destinado a cestas básicas, cozinhas solidárias e comunidades indígenas e quilombolas, entre outros programas sociais. O governo pagará R$ 41,89 por quilo de leite em pó.
Produtores reconhecem esforço, mas pedem medidas complementares
O presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, elogiou a iniciativa da Conab, mas destacou que a medida isolada não será suficiente para garantir a sobrevivência dos produtores.
“Precisamos que essa ação seja somada a outras. Que os estados produtores de leite também comprem o produto e se integrem a esse esforço nacional”, afirmou Tang.
O dirigente defendeu uma ação conjunta entre governos, indústria e varejo para reequilibrar o mercado e permitir que os produtores cubram os custos de produção, hoje pressionados pela queda nas cotações.
Entidade cobra controle das importações e tarifa antidumping
Tang também voltou a cobrar regulamentação das importações de derivados lácteos, especialmente dos países do Mercosul, para evitar que o leite estrangeiro continue impactando os preços internos.
“Alguma regulamentação sobre a importação precisa ser feita já”, alertou.
Segundo ele, a retirada de parte do leite do mercado por meio da ação da Conab pode até gerar uma leve recuperação de preços, mas isso não resolve o problema estrutural do setor.
“O que reivindicamos é que o produtor consiga pelo menos cobrir o prejuízo”, acrescentou.
Indústria e varejo também precisam colaborar, diz Gadolando
O presidente da Gadolando ressaltou ainda que a recuperação do setor depende da colaboração de toda a cadeia produtiva, incluindo indústria e comércio.
“Talvez seja o momento de a indústria e o varejo aceitarem margens menores, ou até lucro zero, para que o produtor consiga se manter ativo”, sugeriu Tang.
O dirigente defende que o equilíbrio da cadeia leiteira é essencial para preservar a produção nacional de leite e a segurança alimentar do país, especialmente em estados que têm na atividade leiteira uma das principais fontes de renda rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Preço do milho segue estável no Brasil à espera da safrinha; exportações avançam mais de 70%
O mercado brasileiro de milho registrou pouca movimentação ao longo da semana, refletindo a postura cautelosa de compradores e vendedores diante da proximidade da entrada mais intensa da segunda safra no país. A expectativa de aumento da oferta mantém o ritmo de negociações lento, enquanto produtores buscam sustentar os preços em meio ao avanço da colheita.
Segundo análise da Safras & Mercado, o cenário continua marcado por baixa liquidez e poucas alterações nas cotações, tanto no mercado físico quanto nas negociações futuras.
Compradores aguardam maior oferta da safrinha
Os consumidores seguem atuando de forma pontual, adquirindo apenas volumes necessários para reposição imediata. O comportamento demonstra conforto nos estoques e expectativa de que a colheita da segunda safra amplie a disponibilidade do cereal nas próximas semanas.
Do lado da oferta, os produtores avançam na comercialização da produção, mas mantêm resistência em aceitar preços considerados baixos. Em diversas regiões, as pedidas continuam acima dos valores ofertados pelos compradores, limitando o fechamento de novos negócios.
A expectativa do mercado é que o avanço da colheita da safrinha aumente a pressão sobre os preços, principalmente nas regiões de maior produção.
Clima segue no radar dos agentes do mercado
As condições climáticas continuam sendo acompanhadas de perto pelos participantes do setor.
O mercado monitora a possibilidade de novas chuvas na Região Sul, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e em áreas produtoras de Goiás. Apesar das especulações sobre eventuais impactos na produtividade, ainda não há confirmação de perdas relevantes.
Outro fator observado é o risco de geadas. No entanto, as previsões meteorológicas atuais não indicam ocorrência de frio intenso capaz de provocar danos significativos às lavouras.
Relatório do USDA influencia expectativas globais
No cenário internacional, as atenções estiveram voltadas para a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O documento trouxe atualizações importantes para o mercado global de grãos e reforçou a percepção de ampla disponibilidade de milho, fator que continua pressionando os preços na Bolsa de Chicago.
A queda das cotações internacionais tem reduzido a competitividade do milho brasileiro nos portos, mesmo com a valorização do dólar frente ao real.
Exportações avançam em volume, mas preços médios recuam
Apesar dos desafios relacionados à paridade de exportação, os embarques brasileiros de milho apresentaram crescimento expressivo no início de junho.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 126,061 mil toneladas de milho nos quatro primeiros dias úteis do mês, com média diária de 31,515 mil toneladas.
A receita acumulada alcançou US$ 29,451 milhões, com média diária de US$ 7,362 milhões.
Na comparação com junho de 2025, os resultados mostram:
- Alta de 57,9% na receita média diária;
- Crescimento de 70,6% no volume médio diário exportado;
- Queda de 7,4% no preço médio por tonelada.
O valor médio da tonelada exportada ficou em US$ 233,60.
Cotações do milho permanecem estáveis nas principais regiões produtoras
O preço médio da saca de milho no Brasil foi cotado em R$ 61,12 no dia 11 de junho, praticamente estável em relação aos R$ 61,14 registrados na semana anterior.
Nas principais praças acompanhadas pelo mercado, os preços apresentaram poucas variações:
- Cascavel (PR): R$ 60,00 por saca;
- Campinas (SP/CIF): R$ 65,00 por saca;
- Mogiana Paulista (SP): R$ 60,00 por saca;
- Rondonópolis (MT): R$ 51,00 por saca;
- Erechim (RS): R$ 69,00 por saca;
- Uberlândia (MG): R$ 60,00 por saca;
- Rio Verde (GO): R$ 58,00 por saca.
A estabilidade observada reforça o momento de transição vivido pelo mercado, que aguarda uma definição mais clara sobre o tamanho da safra e o ritmo efetivo da colheita.
Safrinha deve definir tendência dos preços nos próximos meses
O comportamento do mercado de milho nas próximas semanas dependerá diretamente do avanço da colheita da segunda safra, considerada a principal do país.
Caso a produtividade se confirme dentro das expectativas atuais, a entrada de grandes volumes no mercado poderá ampliar a oferta disponível e exercer pressão adicional sobre as cotações.
Por outro lado, eventuais problemas climáticos ou atrasos na colheita podem limitar esse movimento e sustentar os preços por mais tempo.
Enquanto esse cenário não se define, compradores seguem cautelosos e produtores mantêm postura firme nas negociações, resultando em um mercado de baixa liquidez e pouca variação nos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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