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Soja inicia a semana em queda na Bolsa de Chicago, com foco na demanda chinesa e atenção à safra brasileira

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A semana começou com os contratos futuros da soja em queda na Bolsa de Chicago (CBOT). Apesar da pressão negativa nos preços, o mercado mantém atenção redobrada sobre a demanda chinesa e o andamento da safra 2025/26 no Brasil, em um cenário ainda fortemente influenciado por fatores geopolíticos.

Soja recua em Chicago, mas mantém suporte na demanda global

Por volta das 7h30 (horário de Brasília) desta segunda-feira (1º), as cotações da soja recuavam entre 4,75 e 5,25 pontos na CBOT, devolvendo parte dos ganhos registrados na última sexta-feira (29). O contrato com vencimento em janeiro era cotado a US$ 11,33 por bushel, enquanto o de maio — referência para a safra brasileira — operava em US$ 11,50 por bushel.

Nas últimas semanas, o mercado tem oscilado dentro de uma faixa entre US$ 11,20 e US$ 11,60, refletindo a combinação entre fatores políticos e fundamentos de oferta e demanda. A atenção dos agentes permanece voltada para o ritmo das compras chinesas de soja norte-americana, ao mesmo tempo em que o clima no Brasil e o avanço da safra 2025/26 entram no radar dos traders.

No complexo soja, o óleo iniciou a semana em baixa, enquanto o farelo se manteve estável.

Avanço do plantio e preços no mercado físico brasileiro

Região Sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná

De acordo com informações da TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul mantém bom ritmo de semeadura, com preços no porto a R$ 140,00/sc e no interior em torno de R$ 131,00/sc em Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz. Em Panambi, o mercado apresentou maior resistência à queda, com a pedra a R$ 121,00/sc.

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Em Santa Catarina, o avanço das lavouras segue limitado pela irregularidade das chuvas. A busca por estabilidade produtiva levou produtores a investir em estratégias de reservação de água, visando reduzir o impacto de veranicos. No porto de São Francisco do Sul, a saca é cotada a R$ 140,00, queda semanal de 0,38%.

No Paraná, o plantio foi concluído e as lavouras apresentam desenvolvimento uniforme. As principais praças registram os seguintes valores: Paranaguá (R$ 141,79/sc), Cascavel (R$ 130,59/sc), Maringá (R$ 130,99/sc) e Ponta Grossa (R$ 133,46/sc). No balcão, Ponta Grossa mantém cotações a R$ 120,00/sc.

Centro-Oeste: Mato Grosso do Sul e Mato Grosso

No Mato Grosso do Sul, o mercado se mantém ativo, impulsionado pela competição entre indústrias de esmagamento e tradings. A utilização de silos e a boa capacidade de secagem têm garantido eficiência operacional. As cotações variam entre R$ 123,76 e R$ 125,76/sc, dependendo da localidade.

No Mato Grosso, com o plantio encerrado, a safra entra na fase de definição produtiva. Os preços seguem estáveis: Campo Verde, Primavera do Leste e Rondonópolis a R$ 123,40/sc, enquanto Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso registram R$ 118,96/sc, com leve alta semanal.

Compras chinesas seguem como principal fator de sustentação

A demanda da China segue como o principal pilar de sustentação dos preços internacionais, ainda que os volumes efetivamente comprados estejam abaixo das projeções iniciais. De acordo com dados recentes, apenas 18,76% das compras prometidas até o fim do ano foram concretizadas, bem abaixo dos 35% esperados.

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Como a soja americana mantém preço superior à brasileira, as aquisições chinesas têm sido lideradas por estatais, em um movimento interpretado como estratégico e político. Ainda assim, o interesse do país asiático ajudou a sustentar os preços no fechamento de novembro.

Desempenho recente e perspectivas para o mercado

No fechamento do mês de novembro, a soja acumulou alta de 1,99%, equivalente a 22,25 cents por bushel. No mesmo período, o farelo registrou queda de 2,2%, enquanto o óleo de soja subiu 6,33%, impulsionado pela maior demanda por biocombustíveis e produtos derivados.

Mesmo diante da volatilidade, o mercado segue equilibrado entre as pressões baixistas — ligadas à oferta robusta e à concorrência com a soja brasileira — e os fatores de suporte, especialmente as compras externas e o comportamento do dólar.

Expectativas para os próximos dias

Com as cotações ainda confinadas em uma faixa estreita, o mercado deve continuar altamente sensível à movimentação da China e às condições climáticas no Brasil. O avanço do plantio, o desempenho das lavouras e o comportamento do câmbio serão determinantes para as próximas variações de preço.

Enquanto isso, as exportações e o ritmo interno de comercialização seguem lado a lado, influenciando diretamente o posicionamento dos produtores e o comportamento das tradings nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/2027: crédito rural enfrenta barreiras e exclui até 40% da agricultura familiar

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O acesso ao crédito rural no Brasil segue marcado por desigualdades estruturais que devem ganhar protagonismo nas discussões do Plano Safra 2026/2027. Levantamentos recentes indicam que até 40% dos agricultores familiares, especialmente povos indígenas e comunidades tradicionais, enfrentam dificuldades para acessar financiamento por falta de documentação e entraves burocráticos.

Crédito rural não alcança todos os produtores

Embora seja a principal política pública de financiamento do setor, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar ainda apresenta forte concentração regional e produtiva.

Na prática, produtores ligados à sociobioeconomia — como extrativistas, pescadores artesanais e sistemas agroflorestais — encontram mais obstáculos para acessar crédito, sobretudo em regiões remotas do Norte e Nordeste.

Entre os principais entraves estão:

  • Exigência de documentação, como o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF)
  • Dificuldade de atualização cadastral
  • Baixa oferta de assistência técnica qualificada
  • Limitações logísticas e acesso restrito a serviços financeiros

Esse cenário acaba excluindo uma parcela significativa de produtores que atuam em sistemas sustentáveis e de baixo impacto ambiental.

Falta de documentação é um dos principais gargalos

O Cadastro da Agricultura Familiar é requisito essencial para acessar linhas como o Pronaf e programas públicos de comercialização.

No entanto, estimativas apontam que cerca de 40% das famílias da sociobioeconomia não possuem o cadastro ativo, o que limita o acesso não apenas ao crédito, mas também a políticas como:

  • Programa Nacional de Alimentação Escolar
  • Programa de Aquisição de Alimentos
Leia mais:  Entidades começam a discutir crédito, seguro e alívio para dívidas no Plano Safra 2026/2027

Em regiões mais isoladas, o problema se agrava com a dificuldade de emissão de documentos, falta de internet e distância de agências bancárias.

Recursos seguem concentrados na pecuária

Outro ponto crítico é a concentração dos recursos do crédito rural. Atualmente:

  • Cerca de 70% do crédito do Pronaf está nas regiões Sul e Sudeste
  • Mais de 85% das operações estão ligadas à pecuária

Na região Norte, por exemplo, 85,4% dos recursos foram destinados à atividade pecuária em 2025, enquanto menos de 8% chegaram às cadeias da sociobioeconomia.

Entre as atividades menos financiadas estão:

  • Produção de açaí, cacau e castanha-do-Brasil
  • Óleos vegetais
  • Pesca artesanal
  • Sistemas agroflorestais

Apesar de algum avanço recente, as operações ainda se concentram fortemente em poucas cadeias — como o cacau — impulsionadas por fatores de mercado, como valorização de preços.

Plano Safra será decisivo para reequilibrar o crédito

Especialistas apontam que o Plano Safra 2026/2027 será estratégico para corrigir distorções e ampliar o acesso ao financiamento rural.

Entre as principais medidas esperadas estão:

  • Ampliação do crédito para cadeias da sociobioeconomia
  • Descentralização da emissão do CAF
  • Fortalecimento da assistência técnica no campo
  • Criação de mecanismos de garantia para cooperativas
  • Incentivos para instituições financeiras ampliarem a oferta de crédito

O objetivo é tornar o crédito mais alinhado à diversidade produtiva do país, promovendo inclusão e desenvolvimento sustentável.

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Sociobioeconomia ganha espaço como estratégia de desenvolvimento

A sociobioeconomia tem ganhado destaque como alternativa estratégica para o agronegócio brasileiro, ao combinar geração de renda com conservação ambiental.

Essas cadeias produtivas apresentam alto valor agregado e potencial de expansão, especialmente em regiões com forte presença de biodiversidade.

No entanto, a falta de acesso ao crédito ainda limita o crescimento dessas atividades, reduzindo oportunidades de desenvolvimento local e manutenção dos ecossistemas.

Tecnologia surge como aliada no acesso ao crédito

Iniciativas digitais começam a surgir como solução para reduzir barreiras. Um exemplo é o desenvolvimento de plataformas que auxiliam cooperativas e produtores na organização documental e na elaboração de projetos de financiamento.

Essas ferramentas permitem:

  • Facilitar o cadastro para acesso ao crédito
  • Organizar documentação exigida
  • Conectar produtores a instituições financeiras

A digitalização pode acelerar a inclusão financeira no campo, especialmente em regiões mais isoladas.

Desafio vai além do volume de recursos

Mais do que ampliar o volume de crédito, o principal desafio do Plano Safra está em reestruturar o modelo atual, tornando-o mais acessível, inclusivo e eficiente.

A reorientação do crédito rural é vista como essencial para:

  • Fortalecer a agricultura familiar
  • Valorizar comunidades tradicionais
  • Impulsionar cadeias sustentáveis
  • Promover desenvolvimento regional equilibrado

O sucesso dessa agenda pode redefinir o papel do crédito rural como instrumento de transformação econômica e ambiental no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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