Política Nacional
Sessão ressalta papel da ciência e da biologia para o futuro do país
O Senado realizou nesta quinta-feira (4) sessão especial para celebrar os 46 anos de regulamentação da profissão de biólogo, instituída pela Lei 6.684, de 1979, que também criou o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Biologia.
A homenagem foi conduzida pelo senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que ressaltou o papel da ciência e da biologia para o futuro do país. Ele lembrou a contribuição da categoria durante a pandemia e iniciativas de conservação ambiental desenvolvidas em sua gestão no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
— Na saúde, na agricultura, na biotecnologia, na conservação, na educação. É ciência que salva vidas e projeta o futuro. E é por isso que hoje, ao celebrarmos o Dia Nacional do Biólogo, reconhecemos o papel indispensável desses profissionais na construção de um país mais justo, saudável e sustentável. Parabéns a todos os biólogos e biólogas do Brasil — afirmou.
Autor do requerimento para a sessão, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) defendeu que a profissão seja reconhecida pela relevância social e científica.
— Mais do que preservação, ciência e preservação é de recuperação da vida. Isso é fundamental, isso é muito bonito, isso é lindo. Eu acho que, se eu não fosse jornalista, teria sido um biólogo. Uma homenagem mais do que merecida a todos vocês — declarou.
A diretora da Anvisa, Daniela Marrecos Cerqueira, destacou a interface entre a biologia e a vigilância sanitária, mencionando a presença de profissionais da área na agência.
— Nós temos hoje na Anvisa sete servidores formados em ciências biológicas, 19 com especialização e 16 com mestrado em biologia. O conhecimento que adquiri durante a minha formação me permitiu analisar processos de registro de medicamentos, trabalhar com dispositivos médicos, cosméticos e até com regras de fronteira na pandemia. Me coloco totalmente à disposição para trabalharmos cada vez mais pela regulação desses projetos tão importantes — afirmou.
Representando o Colégio de Biólogos do Peru, a decana Vilma Montero Celestino ressaltou a união latino-americana em defesa da biodiversidade.
— Ser biólogo é mais que uma profissão, é uma forma de viver. Somos irmãos em um continente, irmãos na biologia, irmãos na natureza, irmãos no cuidado do Rio Amazonas que nos une e que temos que cuidar pelo bem da humanidade. Os biólogos estaremos sempre no passado, no presente e no futuro da ciência — declarou.
A presidente do Conselho Federal de Biologia, Alcione Ribeiro de Azevedo, reafirmou o compromisso da categoria com o desenvolvimento científico e a sustentabilidade.
— Não é exagero dizer que os biólogos estão na linha de frente de alguns dos maiores desafios contemporâneos: conservação da biodiversidade, enfrentamento das mudanças climáticas, produção sustentável de alimentos, vigilância epidemiológica, inovação e tecnologia. Em todos esses campos, o Brasil sempre conta com a competência e a dedicação dos nossos profissionais da biologia — afirmou.
Ao final, foram entregues homenagens a representantes dos dez Conselhos Regionais de Biologia. O senador Astronauta Marcos Pontes encerrou a sessão lembrando que a Terra deve ser cuidada como a “espaçonave azul” que abriga toda a vida.
— Essa é a nossa casa e é muito bom a gente cuidar dela, porque é o que nós temos. Às vezes, as pessoas se esquecem disso, mas olhando do espaço a impressão que se tem é que o planeta em si é algo vivo que cuida de cada um de nós. Sucesso e longa vida à nossa biologia no Brasil e no planeta Terra, na nossa espaçonave Terra. Parabéns a vocês — disse.
Vinícius Gonçalves, sob supervisão de Patrícia Oliveira
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
Minerais críticos: relatório amplia controle público, estabelece limites para exportações e cria incentivos fiscais
O relator da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/24 e apensados), deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirmou que seu parecer buscou agregar valor à cadeia produtiva evitando que o Brasil atue apenas como exportador de minerais críticos.
“Não nos sujeitaremos a ser exportadores de commodities minerais. Queremos processá-las, beneficiá-las, transformá-las aqui e agregar valor”, afirmou. Segundo ele, a ideia é estimular o beneficiamento e a transformação mineral e restringir a exportação de commodities minerais.
Jardim apresentou nesta segunda-feira (4) os principais pontos do texto que estabelece uma estratégia para a gestão desses bens minerais. A leitura do relatório e a votação devem ficar para esta terça-feira (5) já no Plenário, pois o projeto está com urgência.
O texto traz limitações à exportação de minerais brutos sem processamento e cria um sistema de incentivos fiscais progressivos. Ou seja, quanto mais a empresa avança nas etapas de beneficiamento dentro do Brasil, maiores os benefícios que recebe.
Segundo o autor da proposta, deputado Zé Silva (União-MG), há uma “força tarefa” para tentar aprovar o texto até a quarta (6).
“Acredito que o projeto está maduro e o Brasil precisa da aprovação do texto neste momento crítico que o mundo está passando. Temos condição, com uma política dessas, de nos estabelecer como segunda potência mundial na produção desses minerais”, declarou.
Incentivos fiscais
O parecer institui o programa que prevê créditos fiscais de até 20% dos valores pagos pelos projetos contemplados, com limite anual de R$ 1 bilhão entre 2030 e 2034 — totalizando R$ 5 bilhões no período. A concessão dos créditos terá percentual variável conforme o nível de agregação de valor promovido no país.
Segundo Jardim, a negociação dos incentivos fiscais foi o ponto mais difícil no diálogo com o governo. Ele afirmou que o texto final busca incentivar não apenas a extração, mas principalmente o beneficiamento e a transformação industrial dos minerais críticos.
Conselho
A proposta também cria o Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) responsável por definir a lista de minerais estratégicos (revisada a cada quatro anos), classificar projetos prioritários e avaliar operações que possam ameaçar a segurança econômica ou geopolítica do país. Fusões, aquisições, entrada de capital estrangeiro e transferência de ativos minerais passarão por análise prévia do poder público.
“A visão que há no parecer é que deveríamos empoderar o poder público de instrumentos para orientar essa política. É o estado, em vez de provedor, mais regulador”, declarou, ao explicar porque o parecer não buscou criar uma nova empresa estatal para o setor.
O texto permite que o poder público estabeleça parâmetros, condicionantes e requisitos técnicos vinculados à exportação dos minerais, especialmente quando houver baixo grau de processamento.
Jardim afirmou que o texto não cria uma taxação direta, mas abre a possibilidade de o governo estabelecer imposto sobre exportação pontualmente para alguns minerais.
“Nenhum projeto de exploração vai se estabelecer aqui sem anuência prévia do governo. Se tiver uma mudança de controle acionário ou de comando de um determinado projeto ou alteração de seu processo, isso poderá ser revisto”, afirmou.
Fundo garantidor
O projeto cria um fundo garantidor da atividade mineral, com capacidade de até R$ 5 bilhões. A União participará com limite de R$ 2 bilhões e o fundo será administrado por uma instituição financeira federal.
Também poderão integrar o fundo empresas com receita vinda de pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação de minerais críticos ou estratégicos no país.
Pesquisa
O relatório também obriga as empresas exploradoras a aplicar anualmente parcela da receita bruta em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica (P&D). Nos primeiros seis anos, a obrigação é de 0,3% em P&D e 0,2% na integralização de cotas do fundo garantidor; após esse prazo, o mínimo passa a ser de 0,5% em P&D.
O texto cria ainda cadastro nacional, com registro obrigatório de projetos implementados no território nacional, unificando informações de órgãos federais, estaduais, municipais e distritais.
Terras raras x minerais críticos
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos que estão dispersos na natureza, o que dificulta a extração, sendo essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos e sistemas de defesa, por exemplo (Veja infográfico abaixo).
Já os minerais críticos são aqueles essenciais para setores como energia limpa, eletrificação e defesa, com alta demanda global e riscos de fornecimento concentrados em poucos países — como lítio, cobalto e nióbio.
As terras raras podem ser consideradas minerais críticos dependendo do contexto, mas nem todo mineral crítico é uma terra rara.
Crítica
Entidades da sociedade civil presentes à apresentação dos principais pontos do texto criticaram a ausência do relatório final e o que classificaram como análise rápida do tema.
Jardim respondeu que o texto está em discussão há dois anos, teve urgência aprovada há 9 meses e já estaria pronto para votação no Plenário. Segundo o relator, a proposta traz ainda preocupação adequada com as comunidades locais e o licenciamento ambiental.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
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