Agro
Safra de laranja 2025/26 em SP e MG é revisada para baixo e deve totalizar 292,6 milhões de caixas
Produção de laranja tem nova queda na terceira reestimativa
A terceira reestimativa da safra de laranja 2025/26 no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro prevê uma produção total de 292,6 milhões de caixas de 40,8 kg, conforme dados divulgados pelo Fundecitrus nesta terça-feira (10/02).
O volume representa uma redução de 0,7% em relação à segunda reestimativa, de dezembro de 2025, que indicava 294,81 milhões de caixas, e queda de 7% na comparação com a estimativa inicial de maio, que projetava 314,6 milhões de caixas.
Tamanho menor das frutas impactou a produção
O principal motivo para o recuo na produção é o menor tamanho médio das laranjas das variedades tardias Valência, Folha Murcha e Natal, resultado da chuva abaixo da média em grande parte do ciclo produtivo.
Segundo a Climatempo Meteorologia, entre maio de 2025 e janeiro de 2026, a precipitação média acumulada no parque citrícola foi 10% menor que a média histórica (1991–2020), com 862 milímetros registrados ante 959 milímetros da série anterior.
Colheita já alcança 87% da safra
Até meados de janeiro, 87% da colheita havia sido concluída, com peso médio de 153 gramas por fruto, ligeiramente abaixo da previsão anterior (154 gramas).
Essa redução exigiu mais frutos para compor uma caixa de 40,8 kg, passando de 265 para 267 unidades.
Nas variedades tardias, o comportamento foi semelhante:
- Valência e Folha Murcha: colheita em 75%, peso médio revisado para 161 g (de 165 g);
- Natal: colheita em 77%, peso médio ajustado para 163 g (de 165 g).
Com isso, o número de laranjas por caixa aumentou para 253 frutos nas variedades Valência e Folha Murcha, e 250 frutos na Natal.
Regiões do cinturão citrícola tiveram chuvas irregulares
As chuvas ficaram abaixo da média em 10 das 12 regiões produtoras. Somente o setor Sul, que abrange Porto Ferreira e Limeira, registrou volumes acima da média histórica — respectivamente +15% e +4%.
Nas demais regiões, especialmente no setor Norte (Triângulo Mineiro, Bebedouro e Altinópolis), o déficit hídrico foi expressivo:
- Triângulo Mineiro: 644 mm contra média de 916 mm (-30%);
- Bebedouro: 629 mm contra 922 mm (-32%);
- Altinópolis: 768 mm contra 1.045 mm (-26%).
Taxa de queda de frutos permanece alta
A queda prematura de frutos manteve-se em 23%, o maior índice das últimas 11 safras, influenciado pelo avanço do greening, doença que compromete a sanidade dos pomares.
As taxas de queda variam conforme a variedade:
- Hamlin, Westin e Rubi: 16,9%
- Outras precoces: 18,5%
- Pera: 22%
- Valência e Folha Murcha: 25,6%
- Natal: 28,5%
De acordo com o levantamento, as perdas são mais intensas nos setores Sul, Centro e Sudoeste, enquanto o Norte apresenta os menores índices.
Pesquisa confirma tendência de redução e alerta para desafios
A Pesquisa de Estimativa de Safra (PES) é conduzida pelo Fundecitrus, em parceria com o professor José Carlos Barbosa, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV/Unesp).
O levantamento reforça a influência das condições climáticas e do greening na produtividade dos pomares, consolidando o cenário de redução da safra 2025/26 no principal cinturão citrícola do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar
A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.
Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.
A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.
Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.
Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.
Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.
A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.
O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.
Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.
A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.
Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.
A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.
A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.
Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.
Fonte: Pensar Agro
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