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Rio Bonito do Iguaçu: bombeiros que atenderam cidade tinham concluído curso de atuação em desastres no mesmo dia

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Horas depois de receberem o certificado de conclusão do curso da Força-Tarefa de Resposta a Desastres (FTRD) do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), integrantes da nova turma já estavam em campo para prestar socorro às vítimas do tornado que atingiu a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, na região Centro-Sul do Estado, na noite de sexta-feira (7). Uma das maiores tragédias climáticas registradas no Paraná, o fenômeno provocou destruição em larga escala, deixando mais de mil pessoas desalojadas ou desabrigadas, centenas de feridos e seis mortos.

De acordo com o major Ícaro Gabriel Greinert, comandante da Força-Tarefa e do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), assim que as primeiras informações sobre o desastre chegaram, por volta das 18h, a mobilização foi rápida. Uma unidade do 12º Batalhão de Bombeiros Militar, com militares de Laranjeiras do Sul e de Guarapuava, foi a primeira a chegar a Rio Bonito do Iguaçu. Em paralelo, a força-tarefa estadual foi colocada em prontidão e oficiais do CBMPR se deslocaram para o Comando Central do Corpo de Bombeiros, em Curitiba.

Os 20 bombeiros da região que fizeram o primeiro atendimento receberam, ainda na sexta, o apoio de mais 30 bombeiros da força-tarefa vindos de Cascavel e Ponta Grossa, além de 14 integrantes do GOST acompanhados de cães de busca. “Na sexta-feira mesmo, como primeira resposta, tínhamos cerca de 50 bombeiros e 10 viaturas em operação. Mobilizamos equipes por ordem de proximidade, pois temos 120 bombeiros treinados na força-tarefa, espalhados por todo o Estado, todos capacitados para atuar em estruturas colapsadas e resgate em áreas críticas”, conta o major.

“Eu confesso que já atendi vários vendavais, mas nunca tinha participado de uma ocorrência de tornado. Onde o tornado passou, destruiu tudo. Edificações grandes, de concreto armado, foram totalmente colapsadas. Foi um cenário arrasador, de uma cidade inteira destruída de uma vez só”, relata.

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Entre os militares da força-tarefa mobilizados estava o 1º tenente Pedro Arthur Pierdoná, de Guarapuava, que entrou na corporação em 2018. Ele havia se formado poucas horas antes do desastre e, à noite, já estava em deslocamento para Rio Bonito do Iguaçu. “Foram poucas horas da sensação de conquista de estar formado até a necessidade de atuação imediata. Eu não imaginava que essa necessidade de acionamento fosse chegar tão rápido, mas o sentimento é de prazer em poder contribuir”, diz.

O tenente descreve o cenário encontrado como “um ambiente de guerra”. “Havia destruição para qualquer lado que se olhava. As pessoas estavam completamente perdidas, procurando um parente, um amigo, sem saber o que fariam para retomar suas vidas”, lembra. Para ele, que está na cidade até hoje, a formação recém-concluída foi determinante para a atuação segura e coordenada diante do caos. “O treinamento da força-tarefa te mostra que, independentemente da situação, nossa missão deve ser cumprida com muita organização e determinação, para trazer força aos cidadãos que estão precisando naquele momento”.

Ele conta que um momento marcante para ele no atendimento da tragédia foi durante a vistoria a um supermercado colapsado. “Estava focado no local e nos riscos ao redor, mas como o mercado fica no alto da cidade, em determinado momento deu pra ver toda a destruição municipal, de forma generalizada. Esse impacto de você estar olhando para o micro e de repente ver o macro me fez pensar em cada uma das famílias que vivia ali e teve não só a sua casa, mas toda sua vizinhança completamente devastada”, recorda.

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APOIO HUMANITÁRIO – Desde segunda-feira (10), a atuação dos bombeiros passou da fase de busca e resgate para o apoio humanitário e ações de reconstrução. O CBMPR segue com cerca de 21 bombeiros na cidade, entre eles integrantes da força-tarefa, auxiliando com o transporte de água, entrega de cestas básicas e lonas, entre outros.

De acordo com Pierdoná, as equipes também têm trabalhado em apoio à Defesa Civil, fazendo o levantamento de dados e eliminando riscos de queda de árvores danificadas. “Estamos atuando principalmente na entrega de ajuda humanitária para a população do interior, que está em situação de vulnerabilidade, e na remoção de árvores que representam risco iminente. O acesso a algumas áreas é muito difícil, então é essencial que nossas equipes especializadas façam esse trabalho”, destaca.

Mesmo em meio à destruição, o tenente se diz tocado pela reação da comunidade. “Apesar do desastre, as pessoas nos recebem com gratidão. Ver alguém que tinha tudo para estar reclamando da vida, mas está ali grato por poder olhar para frente, é algo que realmente nos marca”, diz.

“A experiência em Rio Bonito do Iguaçu reforça a importância da preparação e do treinamento técnico dos bombeiros paranaenses para situações extremas. Revela também a força humana e o comprometimento de cada integrante da corporação. Essa ocorrência foi, de certa forma, um batismo para nós, que acabamos de ingressar na Força-Tarefa. Ela mostrou o quanto é importante estar preparado para apoiar as pessoas no momento em que elas mais precisam”, acrescenta Pierdoná.

Preparação e resposta: formandos da força-tarefa dos Bombeiros do Paraná atuaram em socorro após tornado

Foto: CBMPR

CURSO – O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) promove todos os anos a Força-Tarefa de Resposta a Desastres (FTRD), programa que capacita bombeiros militares para atuação em situações de grande complexidade, com foco em quatro tipos de situações: enchentes e alagamentos, deslizamentos, estruturas colapsadas e incêndios florestais. A atividade é coordenada pelo Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), unidade de elite da corporação especializada em busca, salvamento e operações em cenários críticos.

O treinamento, que ocorre ao longo de três semanas, reúne 120 bombeiros de diferentes regiões do Estado, selecionados por suas especializações e pela voluntariedade em integrar a força-tarefa. Durante o curso, os bombeiros passam por módulos teóricos e práticos que envolvem condução de embarcações, operação de veículos 4×4, georreferenciamento, corte de árvores e técnicas de salvamento em diferentes tipos de situações. As atividades são desenvolvidas em ambientes controlados e em locais estratégicos do Estado, incluindo treinamentos específicos na represa de Itaipu, para simular enchentes e inundações.

A formação aconteceu na Escola Superior de Bombeiro Militar (ESBM), em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, entregue há poucos dias pelo governador Ratinho Junior. O novo espaço é o primeiro da história do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) voltado exclusivamente à formação, especialização e aperfeiçoamento dos profissionais da corporação.

Fonte: Governo PR

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Bombeiros formam nova turma de mergulhadores para atuação em diferentes regiões do Paraná

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O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) realizou nesta sexta-feira (17), no quartel do Comando-Geral, em Curitiba, a formatura do Curso de Mergulho Autônomo (CMAut) 2026 destinado a cabos e soldados. A capacitação, que formou 14 militares, sendo 13 bombeiros e um policial, representa um importante reforço da capacidade operacional da corporação nos atendimentos em ambientes aquáticos em todo o Estado.

A cerimônia contou com a presença do comandante-geral da corporação, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino; do comandante da Escola Superior de Bombeiro (ESBM), tenente-coronel Eduardo Gomes Pinheiro; e do comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), unidade responsável pela coordenação do curso, tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert. 

Hiller destacou a importância da capacitação para a corporação. “A formação desses mergulhadores representa não apenas a qualificação de novos especialistas, mas a difusão desse conhecimento dentro de nossas unidades em todo o Estado. Esses militares se tornam referência e ajudam a ampliar a capacidade técnica de toda a corporação”, afirmou.

Criado em 2009, o CMAut forma militares especializados para atuar em ocorrências que envolvem pessoas, veículos ou objetos submersos, em situações que exigem acesso por meio do mergulho autônomo, com uso de equipamentos de respiração subaquática. Esta é a quinta turma formada pela corporação.

PREPARAÇÃO DE ELITE – Com duração de seis semanas e carga horária de 319 horas-aula, a capacitação submeteu os alunos a atividades de elevada complexidade técnica, com exigência de preparo físico, controle emocional e domínio das técnicas de mergulho. Um dos diferenciais do curso ministrado pelo CBMPR em relação a formações semelhantes no Brasil foi o uso de equipamentos e técnicas avançadas específicas do mergulho de segurança pública.

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A formação foi dividida em duas fases. Na etapa inicial, os alunos passaram por treinamentos em piscina, com foco na base teórica e no desenvolvimento do controle emocional. Na sequência, as atividades foram realizadas em ambientes não controlados, como rios, lagos, represas, pedreiras e mar.

Entre os principais desafios da formação estão as condições de baixa ou nenhuma visibilidade e a necessidade de atuação sob estresse. “A fase de piscina é fundamental para preparar o aluno para situações adversas. Trabalhamos com exercícios progressivos e testes que simulam falhas de equipamento, exigindo que o mergulhador resolva tudo debaixo d’água, sem visibilidade”, explica o 1º tenente Gabriel Marcondes, responsável pela coordenação do curso.

Os mergulhadores são acionados em situações que demandam buscas subaquáticas, especialmente em casos de afogamentos, acidentes com embarcações e recuperação de objetos ou evidências.

Uma ocorrência emblemática da atuação de bombeiros mergulhadores no Paraná ocorreu em 2021, após o naufrágio de uma embarcação da PM durante uma operação no Rio Paraná, no Noroeste do Estado, em que armamentos pesados afundaram na água. Após buscas por mais de duas semanas, equipes do GOST conseguiram localizar os armamentos submersos em uma atuação de alta complexidade de mergulho em correnteza.

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EQUIPAMENTOS E TECNOLOGIA – Entre os avanços recentes da corporação estão a aquisição de máscaras full face, que protegem completamente o rosto do mergulhador, permitindo respirar naturalmente pelo nariz e boca, além das chamadas roupas secas, que evitam o contato com a água em ambientes contaminados.

“Esses equipamentos aumentam significativamente a segurança da operação, tanto do ponto de vista físico quanto biológico, permitindo que o bombeiro atue com mais proteção em ambientes adversos”, destaca Marcondes.

A capacitação ainda incluiu técnicas avançadas, como o mergulho com misturas gasosas enriquecidas com oxigênio, que visam aumentar a segurança e o tempo de fundo em mergulhos. O curso contou ainda com instrutores formados em diferentes estados, garantindo a troca de experiências e a atualização de procedimentos.

CAPACIDADE OPERACIONAL – Após a formatura, os militares retornam às suas unidades de origem nas cidades de Curitiba, Paranavaí, Maringá, Cascavel, Francisco Beltrão, Apucarana e Londrina. A estratégia permite que diferentes regiões passem a contar com pelo menos um especialista na atividade.

A formação de novos mergulhadores amplia a capacidade de resposta do CBMPR em ocorrências complexas, especialmente aquelas que exigem atuação em maiores profundidades ou em condições adversas.

A especialização também contribui para o aumento da segurança das operações, uma vez que o mergulho é uma das atividades mais exigentes e de maior risco dentro da atuação dos bombeiros, demandando preparo técnico e tomada de decisão rápida em situações críticas.

Fonte: Governo PR

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