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Recuperação judicial no agronegócio deixa de ser último recurso e vira estratégia financeira

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Alta nos pedidos de recuperação judicial no agro

De janeiro a março, foram registrados 389 pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro, um avanço de 44,6% em relação ao mesmo período de 2024 e de 21,5% sobre o último trimestre do ano passado.

Entre os produtores pessoa física, houve 195 solicitações, representando crescimento de 39,2% frente ao trimestre anterior e de 83,9% em relação ao mesmo período de 2024. Esse grupo inclui, em grande parte, arrendatários e agricultores sem posse formal da terra, que enfrentam maiores dificuldades de acesso a crédito e margens de lucro reduzidas.

No caso de produtores pessoa jurídica, foram 113 pedidos no primeiro trimestre de 2025, número próximo ao trimestre anterior (110), mas 31% maior em comparação anual. Já a cadeia agroindustrial contabilizou 81 recuperações, alta de 15,7% frente ao último trimestre e de 5,1% em relação a um ano antes.

Judicialização como ferramenta de sobrevivência

A inadimplência no campo chegou a 7,9% no primeiro trimestre de 2025, e o cenário de custos crescentes, juros elevados e restrição bancária impulsionou também o aumento de ações revisionais e execuções contra produtores, que avançaram mais de 20% em um ano.

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Para especialistas, esse movimento mostra que a judicialização passou a ser encarada como estratégia de sobrevivência, e não apenas como sinal de fragilidade.

“Produtores recorrem ao Judiciário para ganhar tempo e preservar a operação. Isso é adaptação a um sistema de crédito que deixou de atender à realidade do campo”, avalia Matheus Matos, sócio da MA7 Negócios.

Monetização de ativos judiciais ganha espaço

Outro recurso que tem se expandido no agronegócio é a monetização de ativos judiciais. Essa prática transforma créditos tributários, indenizações e ações em recursos financeiros imediatos, o que ajuda produtores a pagar fornecedores, investir em tecnologia e manter o caixa ativo.

Segundo Matos, ativos que antes passavam despercebidos hoje se tornaram alternativa concreta de liquidez.

“Um crédito tributário ou uma ação judicial pode ser convertido em capital para sustentar o negócio”, explica.

Reinvenção do financiamento rural

Especialistas ressaltam que, apesar de refletir estresse financeiro, o aumento da judicialização também revela a capacidade de reinvenção do agronegócio. Responsável por quase 30% do PIB nacional, o setor começa a combinar estratégias como recuperação judicial, securitização e crédito estruturado para redesenhar o modelo de financiamento no campo.

“O agro mostra que consegue se reinventar mesmo sob pressão. O que era último recurso agora é ferramenta estratégica de reequilíbrio”, afirma Matos.

O grande desafio, segundo analistas, é transformar essas soluções emergenciais em estratégias permanentes, capazes de garantir previsibilidade e sustentabilidade financeira para um dos pilares da economia brasileira.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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“Etanolduto” de R$ 22 bilhões pode reduzir custos logísticos em 20%

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Um projeto de R$ 22 bilhões prevê a construção de dois dutos entre Sinop, em Mato Grosso, e Paulínia, em São Paulo, para transportar etanol ao Sudeste e levar derivados de petróleo no sentido contrário. A estrutura poderá ampliar o mercado para o milho produzido no Centro-Oeste, reduzir custos logísticos e retirar das rodovias cerca de 225 mil viagens de caminhão por ano.

A estrutura poderá ampliar o mercado para o milho produzido no Centro-Oeste, reduzir a dependência do transporte rodoviário e dar maior previsibilidade ao escoamento do etanol. Segundo a empresa, o sistema poderá retirar das estradas cerca de 225 mil viagens de caminhão por ano, mas a economia prevista com o frete ainda não foi divulgada.

Denominado Projeto Pascal, o empreendimento está sendo estruturado pela Inpasa e foi apresentado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o início do licenciamento ambiental federal. A iniciativa ainda depende dos estudos ambientais, das autorizações e da definição do cronograma de implantação.

Os dois dutos serão instalados lado a lado em um corredor de aproximadamente 2,1 mil quilômetros. Uma das estruturas terá capacidade para levar 13,3 bilhões de litros de etanol por ano do Centro-Oeste até Paulínia, principal polo de distribuição de combustíveis do País.

A partir do interior paulista, o produto poderá ser distribuído para grandes centros consumidores e, posteriormente, encaminhado ao Porto de Santos. Essa conexão criaria uma alternativa para as usinas instaladas longe dos mercados de maior consumo e das estruturas de exportação.

O segundo duto será utilizado no sentido inverso. A capacidade projetada é de 6,6 bilhões de litros de derivados de petróleo por ano, transportados de Paulínia para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A operação aproveitaria a mesma estrutura para atender duas necessidades logísticas da região.

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O Centro-Oeste ampliou rapidamente a produção de etanol de milho, mas continua dependente dos caminhões para movimentar grande parte do combustível. Em alguns casos, as usinas estão localizadas a até 1,7 mil quilômetros dos principais centros consumidores.

Segundo os dados apresentados no projeto, 15 usinas de etanol de milho foram construídas na região nos últimos cinco anos. Nesse período, a produção regional de etanol, incluindo diferentes matérias-primas, passou de 11,3 bilhões para 16,2 bilhões de litros e já representa quase metade do volume produzido no Brasil.

Para o agricultor, o avanço dessa indústria significa a consolidação de um comprador permanente de milho próximo às áreas produtoras. Diferentemente das exportações, que dependem da movimentação até os portos, as usinas recebem o cereal durante todo o ano e transformam a produção em etanol, óleo, farelos proteicos e energia.

Uma rota de grande capacidade para escoar o combustível pode dar suporte à instalação de novas unidades e à ampliação das fábricas existentes. Isso tende a fortalecer a demanda regional por milho e sorgo, ampliar as alternativas de comercialização e reduzir a dependência de poucos destinos. O efeito sobre os preços recebidos pelo produtor, entretanto, dependerá da capacidade efetivamente instalada, da concorrência entre compradores e do ritmo de execução do projeto.

A redução do transporte de etanol por rodovia também poderá liberar caminhões para outras atividades do agronegócio, principalmente durante os períodos de colheita. As 225 mil viagens que poderão ser retiradas das estradas por ano representam uma média superior a 600 deslocamentos por dia.

Parte dos veículos poderá ser direcionada ao transporte de grãos entre propriedades, armazéns, usinas, ferrovias e portos. A mudança não elimina a participação dos caminhões, que continuarão necessários nas etapas entre as lavouras, as indústrias e os terminais, mas reduz os percursos mais longos destinados ao transporte de combustíveis.

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A estimativa da empresa é que a substituição de parte do modal rodoviário evite a emissão de aproximadamente 500 mil toneladas de carbono por ano quando os dutos estiverem operando em sua capacidade nominal. A projeção ainda dependerá do volume efetivamente transportado e da configuração definitiva do sistema.

O traçado deverá acompanhar a BR-163 entre Sinop e Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A partir desse ponto, os dutos seguirão em grande parte pela faixa de servidão do Gasoduto Bolívia-Brasil até Paulínia. O aproveitamento de corredores já utilizados busca diminuir a necessidade de abertura de novas áreas.

A análise preliminar identificou, porém, trechos que exigirão estudos mais detalhados, incluindo travessias de rios, zonas úmidas, áreas urbanizadas, remanescentes de vegetação nativa e locais próximos a residências. Essas condições deverão ser avaliadas no Estudo e no Relatório de Impacto Ambiental.

Se receber as autorizações, a construção poderá durar cinco anos. A previsão apresentada pela empresa é manter uma média de quatro mil trabalhadores durante as obras, com pico de até oito mil empregos nas etapas de maior atividade.

O Projeto Pascal ainda está em uma fase inicial e não há garantia de que será executado no formato apresentado. A entrada no licenciamento, contudo, mostra que a expansão do etanol de milho começou a exigir uma infraestrutura compatível com a escala alcançada pelo Centro-Oeste. Para o produtor de grãos, a proposta representa a possibilidade de aproximar a lavoura dos mercados de combustíveis do Sudeste e do comércio exterior sem depender exclusivamente das rodovias.

Fonte: Pensar Agro

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