Paraná
Ratinho Junior apresenta projeto inovador do transporte a prefeitos de Santa Catarina
O pioneirismo do Paraná na implantação do primeiro Bonde Urbano Digital (BUD) da América do Sul despertou o interesse de autoridades de outros estados. Uma comitiva formada por prefeitos de Santa Catarina e representantes do governo de Mato Grosso visitou o Estado nesta terça-feira (14) para conhecer o projeto e acompanhar o andamento da montagem do sistema, que vai operar no transporte coletivo entre Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
Os visitantes foram recebidos no Palácio Iguaçu pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, pelo secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, e pelo diretor-presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), Gilson Santos. Após o encontro, o grupo seguiu para o Parc Autódromo de Pinhais, onde o BUD está em processo de montagem.
“Nós estamos felizes em trazer essa inovação para o transporte público para a América do Sul. Estamos em processo de montagem do veículo e isso tem despertado a curiosidade de diversos estados e cidades. Isso nos deixa animados principalmente por ser uma possibilidade de levar mais comodidade e qualidade de vida para os trabalhadores e para as pessoas que utilizam o sistema de transporte público todos os dias”, disse o governador.
Participaram da visita os prefeitos Tiago Maciel Baltt (Balneário Piçarras), Leonel Pavan (Camboriú), Libardoni Lauro Claudino Fronza (Navegantes), e Joel Orlando Lucinda (Porto Belo), o vice-prefeito de Balneário Camboriú, Nilson Probst, o secretário de Urbanismo de Itajaí, Jace Juay, além dos executivos da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (Amfri), Jaylon Jander Cordeiro e Daniel Cecilio Neves. Também acompanharam o vice-governador de Mato Grosso, Otaviano Olavo Pivetta, acompanhado dos secretários Rogério Luiz Gallo (Fazenda) e Marcelo Oliveira (Infraestrutura).
Apresentado em setembro pelo Governo do Paraná, o Bonde Urbano Digital é fruto de um investimento da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep). O sistema utiliza tecnologia chinesa de transporte coletivo sem trilhos, desenvolvida pela empresa CRRC Nanjing Puzhen, e combina inovação, sofisticação, sustentabilidade e baixo custo operacional.
Diferentemente dos VLTs, movidos sobre trilhos, ou dos ônibus elétricos convencionais, o BUD opera sobre o asfalto com pneus de borracha e é guiado por um sistema de “trilhos virtuais”, com marcações digitais e sensores de alta precisão que definem o caminho a ser seguido. Essa tecnologia emprega recursos como detecção ferroviária, controle coordenado de eixo e rastreamento automático, garantindo segurança e precisão mesmo sob chuva, vibrações ou desgaste da pista.
O veículo possui 30 metros de comprimento, três eixos, capacidade para 280 passageiros, ar-condicionado, operação bidirecional e pode alcançar 70 km/h. A linha inicial do BUD terá cerca de 13 quilômetros, ligando os terminais de Pinhais e Piraquara, em um trajeto atualmente utilizado por cerca de 10 mil pessoas por dia.
Segundo o diretor-presidente da Amep, Gilson Santos, as últimas peças para a montagem do BUD paranaense chegaram. “Com isso, acreditamos que nas próximas semanas a gente já inicie os testes antes de começar a operação com o público. Foi algo que gerou muito interesse, então também estamos atendendo delegações de diversas partes do Brasil que querem conhecer a tecnologia”, detalha.
O prefeito de Piçarras e presidente da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí, Tiago Maciel Baltt, explicou que a região está buscando financiamento junto ao Banco Mundial para investimentos em transporte público. “O Paraná está de parabéns e quando se fala em transporte público, o Estado é exemplo para o mundo. Então viemos conhecer e aprender. A nossa região tem cerca de 800 mil habitantes e estudamos possibilidades de melhorar a ligação entre as cidades. Esse projeto é uma possibilidade que poderia ser vantajosa”, analisa.
MONTAGEM E OPERAÇÃO – O veículo está sendo montado no Parc Autódromo de Pinhais, onde passará por testes antes de iniciar a operação. Paralelamente, avançam as obras da garagem e base de manutenção do sistema, que funcionará no Terminal São Roque, em Piraquara. O espaço abrigará também o Centro de Controle Operacional (CCO), responsável por acompanhar o deslocamento do veículo em tempo real, por meio de câmeras e sensores instalados ao longo do percurso.
A previsão é de que o Bonde Urbano Digital comece a operar em novembro, oferecendo à Região Metropolitana de Curitiba uma alternativa moderna e sustentável de mobilidade urbana.
INTERESSE – Logo após o anúncio, o modelo paranaense de transporte coletivo despertou interesse nacional e internacional. Estados e capitais como Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e Cuiabá (MT) já procuraram o Governo do Paraná para conhecer detalhes do sistema. No exterior, Buenos Aires e Córdoba, na Argentina, além de representantes da Costa Rica, Colômbia e Chile, também demonstraram interesse em adotar o modelo.
Fonte: Governo PR
Paraná
Ministro André Mendonça faz palestra magna na abertura do Encontro Nacional do Cira 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça foi o responsável pela palestra magna na abertura do Encontro Nacional CIRA 2026 – Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos, nesta sexta-feira, 14 de agosto, no Ministério Público de São Paulo. Autor do prefácio do livro “Crimes contra a ordem econômica e tributária: desafios atuais e perspectivas”, lançado durante o evento, Mendonça tratou dos critérios para quantificar o dano, o enriquecimento ilícito e o produto de atividades criminosas.
Em uma exposição de caráter técnico, o ministro discutiu os parâmetros que devem orientar a definição dos valores objeto de pedido de ressarcimento ou perdimento. Citou, entre outros exemplos, a Operação Sanguessuga e situações envolvendo gestores públicos em casos de fraude, para mostrar que a identificação do dano nem sempre pode ser reduzida a uma simples correspondência entre o valor contratado e o prejuízo causado.
A palestra dialoga diretamente com o prefácio assinado pelo ministro André Mendonça, sendo um dos temas centrais da coletânea os desafios jurídicos e práticos para investigar a criminalidade econômica, responsabilizar seus autores e recuperar valores decorrentes de atividades ilícitas.
André Mendonça discutiu os parâmetros que devem orientar a definição dos valores objeto de pedidos de ressarcimento ou perdimento. Ao citar exemplos como a Operação Sanguessuga e casos envolvendo gestores públicos, destacou que a identificação do dano não pode ser reduzida, em todos os casos, à diferença entre o valor contratado e o prejuízo causado.
O ministro chamou atenção para a necessidade de distinguir produto da atividade ilícita, dano e enriquecimento ilícito. Segundo a abordagem apresentada, essa diferenciação é necessária para definir os valores que podem ser objeto de recuperação de ativos em casos de corrupção e improbidade administrativa.
Mendonça também apresentou referências do direito comparado, citando a legislação dos Estados Unidos, como o Civil Asset Forfeiture Reform Act (CAFRA), de 2000, e o Fraud Enforcement and Recovery Act (FERA), de 2009. Na experiência italiana, abordou o Decreto Legislativo nº 231/2001 e decisões da Corte de Cassação relacionadas à definição do produto obtido com a prática ilícita.
No ordenamento brasileiro, a análise passou pelo Código Penal, pela Lei de Lavagem de Dinheiro, pela Lei de Improbidade Administrativa e pela Convenção de Mérida.
Ao final, o ministro destacou a necessidade de critérios técnicos para a definição dos valores e do apoio das áreas da administração pública responsáveis pela receita. A adoção de uma metodologia mais precisa, segundo Mendonça, pode contribuir para dar maior segurança às investigações, às apurações e às decisões judiciais.
Livro sobre crimes contra a ordem econômica e tributária é lançado durante Encontro Nacional do Cira 2026
Na sequência da programação, foi lançado o livro “Crimes contra a ordem econômica e tributária: desafios atuais e perspectivas”, coordenado pelo Procurador-Geral de Justiça, Francisco Zanicotti, e pelo promotor de Justiça Diego Gomes Castilho, ambos do Ministério Público do Paraná. Publicada em 2026 pela Editora Tirant Lo Blanch, a obra reúne estudos de especialistas sobre diferentes aspectos do direito penal econômico.
A publicação tem 340 páginas e reúne artigos sobre investigação e responsabilização por crimes econômicos e tributários. Entre os temas estão a análise probatória em delitos financeiros complexos, fraudes estruturadas, empresas de fachada, recuperação de ativos e sonegação fiscal.
A coletânea também aborda a aplicação da Lei Anticorrupção, a individualização e a dosimetria da pena em crimes tributários e os limites da responsabilização penal de empresários e administradores.
Fonte: Ministério Público PR
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