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Agro

Qualidade irregular do trigo e demanda retraída limitam avanços no mercado brasileiro

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Colheita ganha força no Sul com clima mais seco

O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana sob influência do avanço da colheita no Sul do país e da volatilidade nas bolsas internacionais, fatores que resultaram em negociações mais lentas no mercado doméstico.

Após um período de chuvas pontuais, o clima mais seco permitiu que os produtores retomassem a colheita com força, especialmente no Rio Grande do Sul (RS), onde as atividades já alcançavam cerca de 50% da área prevista. A prioridade tem sido preservar o potencial produtivo ainda existente nas lavouras, segundo análises de Safras & Mercado.

Trigo gaúcho apresenta qualidade irregular

De acordo com o analista Elcio Bento, da Safras & Mercado, a qualidade do trigo colhido no RS tornou-se o principal ponto de atenção nesta safra. Amostras demonstram boa coloração e PH adequado, mas baixa força e estabilidade, além de uma alta incidência de desoxinivalenol (DON), micotoxina que compromete o uso do cereal na indústria.

Os relatos indicam cargas com níveis de DON entre 1.500 e 4.000, o que limita a utilização do trigo em produtos de maior valor agregado. “O sentimento atual é de que, embora o trigo esteja fraco, ele ainda serve para a fabricação de farinhas comuns. No entanto, seu uso em pães congelados — segmento que tem crescido — é restrito”, explicou Bento.

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Paraná finaliza safra com boa produtividade, mas qualidade afetada

No Paraná (PR), a colheita está praticamente concluída, com 85% das áreas já colhidas. Apesar de uma produtividade acima das expectativas, o excesso de chuvas recentes na região dos Campos Gerais reduziu a qualidade de parte dos grãos, com registros de lotes apresentando PH abaixo do ideal.

Mesmo com esses desafios, a oferta interna segue elevada, o que tem contribuído para estabilidade nos preços ao longo da semana e demanda mais contida por parte da indústria.

Preços do trigo permanecem estáveis nas principais praças

As cotações do trigo permaneceram praticamente estáveis, refletindo o equilíbrio entre oferta abundante e ritmo moderado de compras. No Rio Grande do Sul, os preços do trigo pão ficaram entre R$ 1.130 e R$ 1.150 por tonelada (CIF moinhos), enquanto o trigo branqueador variou de R$ 1.350 a R$ 1.380 por tonelada.

No Paraná, as negociações giraram em torno de R$ 1.230 por tonelada (CIF moinhos), com pagamentos previstos para meados de dezembro.

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Exportações no RS e déficit no PR

No início da semana, foram registrados embarques no porto de Rio Grande (RS), totalizando cerca de 35 mil toneladas negociadas a R$ 1.180 por tonelada (sobre rodas).

Enquanto isso, o Paraná enfrenta um déficit de produção em relação ao consumo total — incluindo moagem, ração e sementes —, considerado o maior do país, superando até mesmo o estado de São Paulo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Etanol ganha sustentação com chuvas no Centro-Sul e amplia vantagem sobre a gasolina em oito estados e no DF

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As chuvas registradas nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil continuam impactando o mercado de etanol. A menor oferta do biocombustível, provocada pelas dificuldades nas operações industriais das usinas, sustentou a valorização dos preços pela terceira semana consecutiva, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com os pesquisadores, as precipitações interromperam o ritmo de moagem e de produção em diversas unidades industriais, reduzindo a disponibilidade de etanol no mercado. Com isso, muitas usinas elevaram os preços pedidos pelo combustível para compensar a menor oferta.

Apesar da tendência de alta, o mercado ainda apresenta liquidez limitada. Em algumas regiões, produtores optaram por negociar volumes pontuais com preços mais baixos, refletindo diferentes estratégias comerciais diante das condições de mercado.

Pelo lado da demanda, distribuidoras seguem adotando uma postura cautelosa. Os compradores acompanham a evolução da safra 2026/27, que apresenta bom desempenho produtivo até o momento, fator que pode ampliar a oferta nas próximas semanas e influenciar o comportamento dos preços.

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Etanol mantém vantagem econômica frente à gasolina

Enquanto a oferta restrita sustenta as cotações, o etanol segue competitivo para os consumidores brasileiros. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 21 a 27 de junho, mostra que o biocombustível foi economicamente mais vantajoso do que a gasolina em oito estados e no Distrito Federal.

Na média nacional, a relação entre os preços do etanol e da gasolina ficou em 61,93%, percentual considerado favorável ao consumo do biocombustível, já que a referência tradicional de competitividade é de até 70%.

Os estados onde o etanol apresentou vantagem econômica foram:

  • Mato Grosso: 55,65%
  • São Paulo: 59,22%
  • Mato Grosso do Sul: 61,79%
  • Distrito Federal: 63,96%
  • Paraná: 63,50%
  • Goiás: 64,46%
  • Minas Gerais: 65,98%
  • Bahia: 69,02%
  • Santa Catarina: 69,23%

Especialistas do setor destacam que, em veículos flex mais modernos e eficientes, o etanol pode permanecer vantajoso mesmo quando a paridade supera o patamar de 70%, dependendo do rendimento específico de cada modelo.

Mercado acompanha clima e ritmo da safra

A combinação entre restrições momentâneas na oferta e demanda cautelosa mantém o mercado de etanol em um cenário de equilíbrio delicado. As condições climáticas nas regiões produtoras continuarão sendo determinantes para o ritmo da moagem da cana e para a disponibilidade do biocombustível nas próximas semanas.

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Ao mesmo tempo, a evolução da safra 2026/27 será monitorada por produtores, distribuidoras e consumidores, já que uma recuperação mais consistente da produção poderá ampliar a oferta e influenciar a trajetória dos preços no mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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