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Projeção de consumo de Diesel B e biodiesel sobe em 2026; impacto do Banco Central e cenário econômico no Brasil

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Estimativa de consumo de Diesel B em 2026 é revisada para cima

A consultoria StoneX atualizou suas projeções para o consumo de diesel B no Brasil em 2026, elevando a estimativa para 70,8 milhões de metros cúbicos, o que representa um aumento de cerca de 1,9% em relação a 2025 e um valor superior ao estimado anteriormente. Essa perspectiva de crescimento reflete uma expectativa de maior atividade no setor agrícola, especialmente em razão de safras mais robustas, e o fortalecimento do transporte de cargas pelo país, influenciando diretamente a demanda pelo derivado.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, essa revisão está vinculada às projeções de safras maiores de commodities como a soja, incentivando o fluxo de veículos pesados rodoviando insumos e produtos, resultando em maior consumo de Diesel B em 2026.

Cenários para demanda de Diesel A e importações elevadas

A StoneX também elaborou projeções para o consumo de diesel A em 2026 sob dois cenários: manutenção do mandato de biodiesel em 15% (B15) e adoção de 16% (B16) a partir de julho. Em ambos os cenários, a produção nacional deve crescer levemente, compensando ajustes operacionais nas refinarias, como a suspensão temporária da oferta pela refinaria de Manguinhos e menor número de paradas programadas.

No cenário base com B15, a demanda por Diesel A deve chegar a 60,4 milhões de m³, com importações em torno de 17,8 milhões de m³, volume que pode se tornar o maior da série histórica. Já na hipótese de B16, o consumo de Diesel A ficaria em 59,9 milhões de m³, com importações estimadas em 17,3 milhões de m³. A participação das importações na oferta nacional deve permanecer alta, variando entre 29,0% e 29,3%.

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Biodiesel pode registrar novo recorde com avanço da mistura

A StoneX projeta que o biodiesel também terá desempenho robusto em 2026, sustentado pela maior demanda de Diesel B e por possíveis mudanças no cronograma de mistura obrigatória. Com manutenção do mandato em B15, o consumo pode alcançar 10,4 milhões de m³, crescimento de 7,1% em comparação com 2025, estabelecendo um novo recorde na série histórica. Caso o mandato de B16 seja implementado a partir de julho, a demanda pode ultrapassar 10,7 milhões de m³, um crescimento de 10,8% e um requerimento de até 8,6 milhões de toneladas de óleo de soja como matéria-prima para biodiesel.

A analista de Inteligência de Mercado da StoneX destaca que a evolução da mistura de biodiesel dependerá das decisões do Conselho Nacional de Política Energética, que ainda não definiu cronogramas firmes para o aumento obrigatório da mistura no país.

Retrospectiva de 2025: Diesel B e biodiesel já cresceram

Em 2025, o consumo de Diesel B no Brasil totalizou cerca de 69,4 milhões de m³, alta de 3% em relação a 2024, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Esse volume ficou ligeiramente acima das projeções iniciais da StoneX, impulsionado por safras favoráveis e aumento da atividade industrial, refletindo maior fluxo de veículos pesados no país.

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No mesmo ano, o consumo de biodiesel somou aproximadamente 9,7 milhões de m³, avanço de 7,4% frente a 2024, com destaque para crescimento das vendas no quarto trimestre. A mistura obrigatória de 15% a partir de agosto foi apontada como um fator determinante para esse desempenho.

Perspectiva econômica com Banco Central e mercado de combustíveis

O Banco Central do Brasil manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano em sua primeira reunião de política monetária de 2026, citando um cenário global ainda incerto e pressões inflacionárias controladas. Essa postura reflete a necessidade de observar a evolução das expectativas inflacionárias e os efeitos das condições fiscais sobre a economia.

Embora o Relatório Focus do Banco Central não traga projeções diretas sobre combustíveis, ele indica que a atividade econômica brasileira deve ter crescimento moderado em 2026, o que pode influenciar positivamente a demanda por derivados como Diesel B e biodiesel ao longo do ano.

Os preços dos combustíveis, incluindo diesel e biodiesel, entraram em 2026 em tendência de alta, em parte devido à ampliação das alíquotas de ICMS, que elevaram os preços cobrados nas bombas mesmo após ajustes realizados pela Petróleo Brasileiro S.A. em 2025.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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