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Produção de cana deve superar 620 milhões de ton. e ampliar foco no etanol

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A safra 2026/27 do setor sucroenergético no Centro-Sul deve marcar recuperação da moagem e mudança relevante na estratégia industrial. As primeiras estimativas indicam processamento próximo de 629 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, acima dos cerca de 610 milhões previstos para o ciclo 2025/26, que se encerra em março. Se confirmada, a alta ficará em torno de 3%.

O avanço ocorre em um ambiente menos favorável ao açúcar no mercado internacional e de maior atratividade do etanol no mercado doméstico. A combinação desses fatores deve alterar o mix de produção das usinas, com maior destinação da matéria-prima ao biocombustível.

Projeções de consultorias apontam que a participação do açúcar no mix tende a recuar de cerca de 51% para algo entre 47% e 48%, enquanto o etanol pode concentrar mais da metade da produção total. A mudança reflete uma diferença incomum de remuneração: o etanol hidratado chegou a apresentar prêmio próximo de 30% em relação ao açúcar, patamar acima da média histórica.

Em termos absolutos, a nova temporada pode resultar em produção próxima de 40 milhões de toneladas de açúcar, cerca de 20 bilhões de litros de etanol hidratado e 14 bilhões de litros de anidro, a depender da consolidação do mix ao longo da safra.

A demanda interna contribui para esse direcionamento. A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 27% para 30%, ampliou estruturalmente o consumo do biocombustível. A expectativa é de acréscimo superior a 1,8 bilhão de litros nos próximos 12 meses apenas por efeito da nova proporção.

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No mercado externo, o açúcar enfrenta pressão. As cotações em Nova York chegaram a operar abaixo de 14 centavos de dólar por libra-peso, em meio a um superávit global estimado em cerca de 11 milhões de toneladas. Parte das usinas brasileiras, no entanto, conseguiu fixar preços mais elevados anteriormente por meio de operações de hedge, o que preserva margem e sustenta exportações projetadas entre 32 e 33 milhões de toneladas.

No mercado interno de combustíveis, o etanol hidratado registrou valorização significativa durante a entressafra, influenciada por estoques mais enxutos. Dados oficiais indicam que os volumes disponíveis ficaram cerca de 30% abaixo dos níveis do ano anterior em determinados momentos, pressionando os preços. Com o início da moagem em abril, a tendência é de recomposição gradual da oferta.

A sustentabilidade financeira do etanol depende, contudo, da relação com a gasolina nas bombas. Quando o preço supera o limite técnico de competitividade — em torno de 70% do valor da gasolina, a depender do estado — o consumo tende a perder fôlego. A expectativa do setor é que o aumento da produção contribua para restabelecer o equilíbrio ao longo do ciclo.

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O cenário climático adiciona incerteza. Modelos atmosféricos indicam possibilidade de nova ocorrência do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico equatorial. Em anos anteriores, o evento alterou o regime de chuvas no Centro-Sul, afetando produtividade agrícola e concentração de açúcares na cana. Caso se confirme, poderá influenciar tanto o volume colhido quanto o rendimento industrial.

No exterior, o mercado de biocombustíveis também segue como variável relevante. Nos Estados Unidos, dados recentes da Energy Information Administration mostram produção superior a 1,1 milhão de barris diários de etanol de milho, com estoques acima de 25 milhões de barris. A ampliação da oferta norte-americana pode influenciar fluxos comerciais e preços internacionais.

A safra 2026/27 começa, portanto, sob dupla transição: agrícola, com recuperação do volume processado, e industrial, com o etanol assumindo papel central na formação de margem. Em um ambiente de maior volatilidade externa, o biocombustível tende a funcionar como principal âncora de rentabilidade do setor ao longo do ciclo.

Fonte: Pensar Agro

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Crédito rural entra em nova era com exigência de monitoramento remoto e pressão sobre bancos

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A publicação da Resolução CMN nº 5.267/2025 marca uma mudança estrutural no modelo de fiscalização do crédito rural no Brasil. A nova regra amplia as exigências de monitoramento por sensoriamento remoto e impõe às instituições financeiras um novo padrão de controle técnico, rastreabilidade e conformidade nas operações agropecuárias.

Na avaliação de Vitor Ozaki, CEO da Picsel e professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), a medida representa um divisor de águas para o setor, ao transformar o uso de imagens de satélite e inteligência geoespacial em requisito regulatório obrigatório para parte relevante das operações de crédito rural.

Segundo o Voto 78/2025-CMN, que fundamenta a resolução, a obrigatoriedade será aplicada, de forma cumulativa, às operações de custeio e investimento contratadas a partir de 1º de março de 2026, vinculadas a empreendimentos com área superior a 300 hectares.

O objetivo é ampliar o uso do sensoriamento remoto em operações nas quais a tecnologia já apresenta maior confiabilidade operacional, escala e redução de custos de observância para os agentes financeiros.

Nova regra amplia pressão operacional sobre instituições financeiras

Embora a exigência represente avanço regulatório, o sistema financeiro já vinha sendo preparado gradualmente para esse movimento. A Resolução nº 4.427/2015 autorizou o uso do sensoriamento remoto para fiscalização das operações de crédito rural e determinou o registro das coordenadas geodésicas dos empreendimentos financiados no Sicor.

Agora, porém, a principal mudança é que a tecnologia deixa de ser apenas uma possibilidade operacional e passa a integrar o conjunto obrigatório de mecanismos de fiscalização.

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A medida amplia significativamente o peso operacional sobre bancos, cooperativas e demais instituições que atuam no financiamento do agronegócio brasileiro.

Risco de retração no crédito preocupa setor agropecuário

O cenário acende um alerta para possíveis impactos no acesso ao crédito rural, especialmente em regiões menos estruturadas tecnologicamente ou entre produtores com menor disponibilidade de dados georreferenciados.

O Plano Safra 2024/2025 anunciou R$ 400,59 bilhões para o crédito rural empresarial. No entanto, entre julho de 2024 e junho de 2025, o volume efetivamente concedido ficou em R$ 369,8 bilhões.

Para especialistas, a exigência de evidências técnicas contínuas pode tornar a concessão de crédito mais criteriosa e elevar os custos operacionais das instituições financeiras, aumentando o risco de retração em determinados perfis de operação.

A busca por maior transparência e rastreabilidade tende a fortalecer a governança do sistema, mas também pode ampliar desigualdades já existentes no acesso ao financiamento rural.

Tecnologia passa de diferencial competitivo para exigência regulatória

Com a nova resolução, o uso de dados satelitais, inteligência geoespacial e monitoramento digital deixa de ser um diferencial competitivo e passa a integrar o núcleo básico de conformidade regulatória.

Grandes instituições financeiras possuem maior capacidade para absorver investimentos em tecnologia e infraestrutura analítica. Já cooperativas de crédito e agentes menores tendem a depender de fornecedores externos especializados para atender às novas exigências do Conselho Monetário Nacional.

Esse movimento pode acelerar a concentração de mercado no sistema de crédito rural, historicamente sustentado pela diversidade de agentes financeiros.

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Interpretação de dados será desafio estratégico no agro

O desafio, contudo, não está apenas na coleta de imagens por satélite. A interpretação correta dos dados, validação de ciclos produtivos, identificação de inconsistências e elaboração de relatórios técnicos confiáveis serão fatores decisivos para o cumprimento das novas regras.

Nesse contexto, empresas especializadas em inteligência geoespacial ganham relevância ao oferecer metodologias, integração de dados satelitais e modelos analíticos voltados à realidade do agronegócio brasileiro.

Mesmo assim, especialistas alertam que a adoção dessas soluções tende a ocorrer de forma desigual entre os diferentes agentes financeiros.

Regulação moderna expõe gargalos estruturais do crédito rural

Para Vitor Ozaki, a Resolução CMN nº 5.267/2025 moderniza o monitoramento do crédito rural ao incorporar critérios técnicos compatíveis com a complexidade do agronegócio nacional.

Por outro lado, a medida também evidencia uma contradição estrutural: o avanço regulatório ocorre antes da plena preparação operacional do sistema financeiro para executar as novas exigências em larga escala.

O resultado deverá ser um período de forte adaptação tecnológica e operacional, no qual instituições financeiras precisarão reformular processos internos rapidamente para evitar que uma medida criada para ampliar a transparência se transforme em uma nova barreira de acesso ao crédito rural brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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