Agro
Produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul evidencia forte concentração regional e polos de alta produtividade
A produção de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil na safra 2025/26 revela um cenário de forte concentração regional e presença de polos municipais de alta produtividade. De acordo com dados da Serasa Experian, a área disponível para colheita ultrapassa 8,9 milhões de hectares, com destaque expressivo para o estado de São Paulo.
São Paulo concentra maior parte da área cultivada
O levantamento, realizado com base em imagens de satélite, aponta que São Paulo responde por 57,5% da área cultivada com cana-de-açúcar no Centro-Sul. Os outros 42,5% estão distribuídos entre Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Além disso, o estudo mostra que cerca de 25% dos municípios da região cultivam cana, evidenciando a ampla presença da cultura no território, apesar da concentração produtiva em áreas específicas.
Quatro estados concentram mais de 90% da produção
Na safra 2025/26, quatro estados concentram 91% da área total de cana-de-açúcar na região Centro-Sul:
- São Paulo: 57,5% (mais de 5,1 milhões de hectares)
- Goiás: 12,3%
- Minas Gerais: 12,2%
- Mato Grosso do Sul: 8,9%
O protagonismo paulista também se reflete no crescimento da área cultivada ao longo das últimas décadas. Em 2003, o estado possuía 3,35 milhões de hectares destinados à colheita, número que superou 5 milhões em 2025 — um avanço de 52,8%.
Potencial de expansão em novas áreas agrícolas
Embora São Paulo lidere com ampla vantagem, estados como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul apresentam maior disponibilidade de áreas com aptidão agrícola ainda não ocupadas pela cultura.
Enquanto São Paulo utiliza cerca de 36% de suas áreas aptas para o cultivo de cana, os demais estados registram ocupação entre 5% e 6%. Esse cenário indica espaço relevante para expansão da cultura, especialmente no Centro-Oeste e no Triângulo Mineiro.
Segundo Dyego Santos, gerente executivo de soluções agro da Serasa Experian, o Brasil mantém posição de destaque global no setor. “Mesmo sendo o maior produtor e exportador mundial de cana-de-açúcar e referência em biocombustíveis, ainda há potencial de crescimento, principalmente com o uso de áreas agrícolas disponíveis”, afirma.
Municípios concentram polos estratégicos de produção
O mapeamento também revela concentração em nível municipal. Apenas 12 municípios, entre os 842 analisados, concentram cerca de 10,4% da área de cana disponível para colheita no Centro-Sul.
Entre os principais polos produtivos estão:
- Uberaba (MG)
- Quirinópolis (GO)
- Nova Alvorada do Sul (MS)
- Rio Brilhante (MS)
- Morro Agudo (SP)
- Barretos (SP)
- Guaíra (SP)
Apesar dessa concentração, cerca de 90% da área cultivada está distribuída entre mais de 800 municípios, o que garante ampla capilaridade da cultura na região.
Tecnologia amplia precisão e gestão no campo
O uso de geotecnologia e imagens de satélite foi fundamental para o levantamento, permitindo maior precisão na identificação das áreas cultivadas.
De acordo com Dyego Santos, esse tipo de monitoramento fortalece a análise do setor e a tomada de decisão. “A tecnologia permite mapear com exatidão o que está sendo produzido no campo, algo essencial diante do avanço das exigências regulatórias e da necessidade de mitigação de riscos na cadeia agroindustrial”, destaca.
Cana-de-açúcar ganha protagonismo na agenda energética
Com o retorno dos biocombustíveis ao centro das discussões globais sobre energia, a cana-de-açúcar volta a assumir papel estratégico no agronegócio brasileiro. A cultura se mantém relevante tanto pela produção de açúcar quanto pela geração de etanol, dividindo espaço com outras commodities como soja e milho.
O cenário atual indica que, apesar da concentração produtiva em grandes polos, a cana-de-açúcar segue como uma cultura amplamente distribuída e com potencial de crescimento em diversas regiões do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Dependência de fertilizantes importados expõe agro brasileiro a riscos geopolíticos e acelera debate sobre transição verde
A instabilidade geopolítica em regiões estratégicas para a produção de insumos agrícolas voltou a acender um alerta no agronegócio brasileiro: a forte dependência de fertilizantes importados. Conflitos recentes no Oriente Médio, somados aos impactos ainda sentidos da guerra entre Rússia e Ucrânia, afetam diretamente a oferta global desses produtos e pressionam os custos de produção no campo.
Atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Esse percentual tem aumentado nos últimos anos, ampliando a exposição do país a riscos externos.
Brasil lidera importações globais de fertilizantes e amplia vulnerabilidade
Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 16% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil. Considerando também países em regiões sensíveis, como Rússia e Venezuela, esse volume chega a 32% das importações nacionais.
O Brasil é hoje o maior importador mundial de fertilizantes, com crescimento médio de 3,8% ao ano entre 2014 e 2023, enquanto a média global foi de 0,8%, segundo dados da International Fertilizer Association (IFA).
Para especialistas, a baixa produção doméstica torna o país especialmente vulnerável. Além disso, a demanda segue em expansão impulsionada pela conversão de pastagens degradadas em áreas agrícolas, pela expansão dos sistemas integrados e pelo avanço da segunda safra.
Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050
Diante desse cenário, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado em 2022, ganha relevância estratégica. O programa estabelece como meta reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.
Entre as diretrizes estão:
- Incentivo à produção nacional de fertilizantes
- Modernização da indústria do setor
- Melhorias na infraestrutura logística
- Estímulo à inovação tecnológica
Apesar das metas, o avanço do plano enfrenta desafios importantes, como o alto custo do gás natural, gargalos logísticos e a necessidade de maior coordenação entre órgãos públicos e privados.
Fertilizantes verdes surgem como alternativa para reduzir emissões
Os fertilizantes verdes são apontados como uma alternativa estratégica para o setor, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental. Produzidos a partir de hidrogênio verde — obtido por eletrólise da água com energia renovável —, esses insumos podem reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa associadas à agricultura.
Segundo especialistas, além de diminuir a pegada de carbono, essa tecnologia pode aumentar a segurança no abastecimento ao reduzir a dependência de importações.
Tecnologia ainda enfrenta barreiras de custo e escala
Apesar do potencial, a escalabilidade dos fertilizantes verdes ainda enfrenta desafios relevantes. O principal deles é o custo de produção, que pode ser até oito vezes superior ao dos fertilizantes convencionais, baseados em combustíveis fósseis.
A viabilização dessa tecnologia depende de políticas públicas de incentivo, contratos de longo prazo e mecanismos como o mercado de carbono.
Uso eficiente de fertilizantes pode reduzir emissões no campo
Além da substituição tecnológica, especialistas destacam que o uso mais eficiente dos fertilizantes no campo também é fundamental. O manejo adequado pode reduzir desperdícios e emissões de óxido nitroso (N₂O), um gás com potencial de aquecimento global 265 vezes superior ao CO₂.
No Brasil, esse gás representa cerca de 6% das emissões provenientes do setor agrícola.
Transição verde é vista como estratégica para o futuro do agro
Para especialistas do setor, a agenda de fertilizantes deve ser tratada como estratégica para o país. O Brasil possui matriz energética majoritariamente renovável e condições favoráveis para se tornar produtor global desses insumos.
No entanto, esse avanço depende de coordenação entre setores, investimentos consistentes e planejamento de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade externa e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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