Agro
Preço médio das exportações de café brasileiro sobe 46% em novembro, mesmo com queda no volume embarcado
Exportações de café verde registram valorização expressiva
Os preços médios das exportações brasileiras de café não torrado registraram alta de 46,6% em novembro de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta quinta-feira (4).
Até a 4ª semana de novembro, o preço médio do café verde exportado foi de US$ 7.054,00 por tonelada, contra US$ 4.810,20 registrados em novembro de 2024.
Apesar da valorização, o volume médio diário embarcado apresentou retração. Foram exportadas 11,165 toneladas por dia útil em novembro/25, queda de 25,6% frente à média de 15,015 toneladas registrada no mesmo mês do ano passado.
O volume total embarcado até a 4ª semana do mês foi de 212,288 mil toneladas, ante 285,288 mil toneladas em novembro de 2024.
Receita com exportações cresce 9,1% em relação ao ano anterior
Mesmo com a redução no volume embarcado, o faturamento total das exportações de café verde cresceu, alcançando US$ 1,496 bilhão nos 19 dias úteis de novembro de 2025 — contra US$ 1,372 bilhão durante todo o mês de novembro do ano anterior.
A média diária de receita também registrou alta de 9,1%, passando de US$ 72,226 milhões (novembro/24) para US$ 78,764 milhões (novembro/25).
O resultado reflete preços mais firmes no mercado internacional, em um cenário de menor oferta global e influência positiva do câmbio sobre a competitividade do produto brasileiro.
Café torrado e derivados têm leve recuo nas exportações
No segmento de café torrado, extratos, essências e concentrados, o desempenho foi mais tímido. A média diária de embarques caiu 15,5%, com 392 toneladas exportadas em novembro/25, frente a 464 toneladas registradas no mesmo período de 2024.
O volume total exportado chegou a 7,454 mil toneladas nos 19 dias úteis de novembro/25, ante 8,817 mil toneladas embarcadas durante todo o mês de novembro do ano passado.
O faturamento total ficou em US$ 90,270 milhões, abaixo dos US$ 95,051 milhões apurados em novembro de 2024. A média diária de receita também apresentou leve queda, de US$ 5,002 milhões para US$ 4,751 milhões, uma redução de 5%.
Preço do café torrado sobe 12,3% em um ano
Apesar da queda no volume e na receita, o preço médio do café torrado apresentou avanço. Até a 4ª semana de novembro/25, o produto foi negociado a US$ 12.109,20 por tonelada, aumento de 12,3% em relação ao valor médio de US$ 10.780,40 no mesmo período de 2024.
O movimento reflete a valorização global do café, em um contexto de oferta limitada, custos de produção elevados e estoques internacionais ajustados.
Panorama do setor e perspectivas
Analistas avaliam que, mesmo com a redução nos embarques, os preços mais altos sustentam a rentabilidade das exportações brasileiras, que seguem como referência global em qualidade e volume.
A tendência é que o mercado permaneça firme nos próximos meses, especialmente se persistirem as condições de restrição de oferta em países produtores e volatilidade no câmbio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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