Connect with us


Agro

Concentração da produção agropecuária no Brasil desafia logística e expõe riscos regionais

Publicado em

Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revela que a produção agropecuária brasileira está cada vez mais concentrada em poucas regiões, o que garante ganhos de escala e eficiência logística, mas aumenta a vulnerabilidade do setor a choques climáticos e gargalos de infraestrutura.

Culturas estratégicas como algodão, soja, milho, café e laranja estão fortemente concentradas em determinados polos, enquanto atividades como a bovinocultura seguem mais dispersas. Especialistas alertam que a concentração pode elevar riscos de desabastecimento e pressionar custos caso haja problemas em regiões-chave.

Em 2023 (ano base da pesquisa), metade do algodão produzido no país saiu de apenas três microrregiões: Parecis e Alto Teles Pires, no Mato Grosso, e Barreiras, na Bahia. O milho também ilustra o fenômeno: um quarto da safra nacional foi colhido em apenas quatro microrregiões, duas delas no Mato Grosso, uma em Mato Grosso do Sul e outra em Goiás. Já a soja, embora presente em quase todos os estados, também depende de um grupo reduzido de polos produtivos no Centro-Oeste.

Leia mais:  Mercado de Milho Mantém Liquidez Baixa e Reage a Movimentos Externos

O padrão de concentração é explicado por fatores como exigência de maquinário específico, necessidade de infraestrutura robusta de transporte e armazenagem e, em alguns casos, aspectos históricos e culturais. A laranja, por exemplo, segue quase totalmente restrita a São Paulo, enquanto frangos e suínos estão fortemente associados ao Sul, em razão da estrutura de cooperativas e do modelo de integração da agricultura familiar.

Por outro lado, a criação de bovinos segue sendo a atividade mais pulverizada do país, com produção significativa em mais de 50 microrregiões espalhadas pelas cinco grandes regiões, com destaque para Pará, Rondônia e Tocantins. Essa dispersão reduz riscos de concentração, mas também limita ganhos logísticos.

Segundo analistas da Embrapa, a centralização das cadeias produtivas tem impacto direto na logística nacional: em polos altamente concentrados, o desafio é expandir a capacidade das rotas já utilizadas; em atividades mais pulverizadas, a disputa é maior entre diferentes modais de transporte e portos de escoamento. Para o setor, os dados reforçam a necessidade de investimentos pesados em infraestrutura e de políticas que incentivem maior diversificação geográfica, sob risco de que gargalos locais tenham repercussões nacionais e até internacionais.

Leia mais:  INMET realiza evento em Brasília em comemoração ao Dia Meteorológico Mundial

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook

Agro

Estado decreta emergência por risco de seca severa até o fim do ano

Published

on

O governo do Acre decretou situação de emergência em todo o Estado em razão do risco de seca severa e da possibilidade de desabastecimento hídrico nos próximos meses. O Decreto nº 11.932, tem validade de 180 dias e autoriza a adoção de medidas emergenciais para minimizar os efeitos da estiagem em todo o estado.

A decisão foi baseada em estudos climáticos que apontam para o fortalecimento do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026. Segundo o governo, a previsão é de redução das chuvas, temperaturas acima da média e agravamento da seca entre agosto e novembro, período em que o Acre já registra baixos índices de precipitação.

De acordo com o decreto, o cenário pode provocar queda significativa no nível dos rios, escassez de água potável, dificuldades na navegação, isolamento de comunidades e prejuízos à agricultura, pecuária e pesca. O governo também alerta para o aumento do risco de queimadas e incêndios florestais durante o período.

A medida destaca ainda os impactos sobre povos indígenas, ribeirinhos e moradores da zona rural. As 36 terras indígenas, que abrigam 246 aldeias e 16 povos, podem enfrentar isolamento, dificuldades no abastecimento de alimentos e medicamentos, perdas na produção de subsistência e agravamento da insegurança alimentar. O decreto também cita a possibilidade de interrupção do transporte escolar em comunidades acessíveis apenas por via fluvial.

Leia mais:  Escassez global de fertilizantes fosfatados impulsiona preços e traz preocupação ao mercado brasileiro

Com a publicação do decreto, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil ficará responsável por coordenar as ações de enfrentamento, em conjunto com órgãos estaduais, federais e prefeituras. Caberá ao órgão monitorar os níveis dos rios, as condições meteorológicas e os focos de calor, além de apoiar os municípios na elaboração de planos de contingência.

O governo também autorizou a realização de despesas emergenciais, como contratação de serviços, aquisição de insumos, instalação de abrigos e distribuição de água por carros-pipa nas localidades mais afetadas. As ações terão prioridade para comunidades indígenas, ribeirinhas e rurais, além de escolas e unidades de saúde.

Durante a vigência do decreto, também serão reforçadas as ações de prevenção e combate às queimadas, bem como campanhas de conscientização sobre o uso racional da água e os cuidados com a saúde em períodos de calor intenso e baixa umidade. O texto ainda autoriza agentes da Defesa Civil, em situações de risco iminente, a ingressar em imóveis para prestar socorro, determinar evacuações e requisitar temporariamente propriedades particulares, quando necessário, com garantia de indenização em caso de danos.

Leia mais:  FPA se posiciona contra vetos ao PL dos agrotóxicos e vai trabalhar pela derrubada

Com validade de seis meses, o decreto busca agilizar a mobilização de recursos e a adoção de medidas administrativas para reduzir os impactos da estiagem e garantir assistência às populações mais vulneráveis.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262