Agro
Café brasileiro terá que comprovar origem e rastreabilidade para manter espaço no mercado europeu
O avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia pode ampliar oportunidades comerciais para o café brasileiro, mas também inaugura uma nova etapa de exigências para exportadores e produtores nacionais.
Mais do que qualidade, produtividade e competitividade, o mercado europeu deve passar a exigir comprovação detalhada da origem do café, rastreabilidade completa da cadeia produtiva e evidências concretas de conformidade socioambiental.
O alerta é da especialista em ESG e vice-presidente da Sustentalli, Eliana Camejo, que aponta uma mudança estrutural na forma como compradores europeus irão avaliar fornecedores brasileiros.
ESG deixa de ser diferencial e passa a ser requisito comercial
Segundo Eliana Camejo, parte da cadeia cafeeira ainda pode estar subestimando o impacto das novas regras europeias sobre exportações agrícolas.
Na avaliação da especialista, ESG não deve mais ser tratado apenas como pauta reputacional ou ferramenta institucional. Para o setor cafeeiro, a agenda passa a representar condição estratégica para manutenção de mercados, mitigação de riscos comerciais e agregação de valor ao produto.
A tendência é que compradores europeus exijam informações cada vez mais detalhadas sobre a produção, incluindo localização da área produtiva, regularidade ambiental, histórico de desmatamento, segregação de lotes, documentação comprobatória e governança dos dados.
Mesmo empresas já consolidadas no comércio internacional podem precisar ampliar seus sistemas de controle e monitoramento para atender ao novo padrão regulatório europeu.
EUDR aumenta exigências para café exportado à Europa
A pressão sobre a cadeia produtiva tem como base o Comissão Europeia Regulamento Europeu Antidesmatamento, conhecido como EUDR.
A legislação inclui o café entre os produtos sujeitos às novas exigências de rastreabilidade e comprovação de que não possuem relação com áreas desmatadas após o marco regulatório estabelecido pela União Europeia.
Pelas regras divulgadas pela Comissão Europeia, a aplicação ocorrerá em duas etapas:
- 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores;
- 30 de junho de 2027 para micro e pequenos operadores.
Na prática, importadores europeus passarão a responder legalmente pela chamada diligência devida, exigindo de fornecedores brasileiros informações robustas sobre toda a cadeia produtiva.
Isso deve impactar diretamente produtores rurais, cooperativas, armazéns, exportadores, transportadoras, beneficiadores e indústrias ligadas ao café.
Cadeia cafeeira precisará investir em governança e rastreabilidade
De acordo com Eliana Camejo, o diferencial competitivo do café brasileiro tende a migrar da qualidade isolada do produto para a capacidade de comprovação das práticas adotadas ao longo da cadeia.
Segundo ela, empresas que conseguirem demonstrar origem, rastreabilidade, regularidade ambiental e governança terão vantagem na manutenção de contratos e no fortalecimento da confiança junto ao mercado europeu.
Por outro lado, agentes que mantiverem estruturas frágeis de controle documental e gestão socioambiental podem enfrentar perda de valor comercial justamente em um momento de maior abertura internacional.
O cenário reforça a necessidade de modernização da cadeia cafeeira brasileira, especialmente em sistemas de monitoramento, integração de dados, compliance ambiental e transparência das operações voltadas à exportação.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Boi gordo inicia semana com mercado travado, mas exportações de carne bovina disparam e podem bater recorde em maio
O mercado físico do boi gordo começou esta semana com negociações lentas e preços estáveis nas principais praças pecuárias do país. Em São Paulo, frigoríficos atuaram de forma cautelosa ao longo do pregão, avaliando estratégias de compra diante de escalas de abate mais confortáveis e da pressão exercida sobre as cotações da arroba.
Apesar do ritmo mais travado no mercado interno, o setor segue sustentado pelo forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, que continuam avançando em maio e podem levar o país a um novo recorde histórico de embarques e faturamento.
Mercado do boi gordo opera com pouca movimentação em São Paulo
Segundo análise da consultoria Scot Consultoria, divulgada no informativo “Tem Boi na Linha”, parte dos frigoríficos permaneceu fora das compras durante a terça-feira, limitando o volume de negócios no mercado paulista.
As indústrias que estiveram ativas tentaram pressionar os preços logo na abertura do mercado, mas encontraram resistência dos pecuaristas, que evitaram negociar em patamares menores. Com isso, as cotações permaneceram estáveis na maior praça pecuária do Brasil.
O mercado segue condicionado ao alongamento das escalas de abate. Em São Paulo, as programações dos frigoríficos atendiam, em média, cerca de 10 dias úteis, fator que reduz a urgência das indústrias na aquisição de novos lotes de animais terminados.
No Rio de Janeiro, entretanto, houve ajuste negativo nas cotações. A arroba registrou queda diária de R$ 2,00 em todas as categorias monitoradas pela consultoria.
Exportações de carne bovina seguem aquecidas e sustentam o setor
Enquanto o mercado físico apresenta menor dinamismo, as exportações brasileiras de carne bovina continuam sendo o principal fator de sustentação do setor pecuário em 2026.
Até a segunda semana de maio, o Brasil embarcou 141,3 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 14,1 mil toneladas. O volume representa crescimento expressivo de 36,2% em relação à média registrada no mesmo período de maio do ano passado.
Além do avanço nos embarques, o preço médio pago pela carne bovina brasileira também segue em forte valorização no mercado internacional. A tonelada exportada foi negociada, em média, a US$ 6,4 mil, alta de 24,2% na comparação anual.
O cenário reforça o aumento da competitividade da proteína brasileira no mercado externo, principalmente diante da forte demanda da Ásia, do Oriente Médio e de mercados estratégicos da América do Norte.
Maio pode registrar recorde histórico para a carne bovina brasileira
Caso o ritmo atual seja mantido, maio de 2026 poderá se consolidar como o melhor maio da série histórica em volume exportado de carne bovina.
Além disso, o setor também poderá atingir o maior faturamento mensal do ano. Com apenas 10 dias úteis contabilizados até o momento, a receita acumulada das exportações já representa 80,5% de todo o faturamento registrado em maio de 2025.
A expectativa do mercado é que o Brasil possa superar US$ 1,8 bilhão em receita com exportações de carne bovina ao longo do mês, estabelecendo um novo recorde histórico para o período.
Mercado acompanha consumo interno, dólar e demanda internacional
Os próximos dias devem continuar sendo marcados por cautela nas negociações do boi gordo no mercado físico, principalmente em função das escalas de abate mais alongadas e do comportamento do consumo doméstico.
Por outro lado, o cenário externo permanece amplamente favorável à pecuária brasileira. O dólar em patamar elevado, a demanda internacional aquecida e a valorização da proteína bovina no mercado global seguem oferecendo suporte às exportações e ajudando a equilibrar o mercado interno.
Analistas do setor avaliam que o comportamento das exportações continuará sendo decisivo para definir o rumo das cotações da arroba nas próximas semanas, especialmente diante do avanço da oferta de animais terminados em algumas regiões produtoras do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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