Agro
Preço do diesel sobe mais de 6% e acumula alta superior a 20% após reajuste da Petrobras
Os preços do diesel continuam em trajetória de alta nos postos brasileiros, impulsionados por fatores externos e reajustes recentes no mercado interno. Levantamento da Edenred Mobilidade, com base no Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), aponta avanço superior a 6% apenas na segunda quinzena de março.
Diesel registra forte alta nos postos
Entre a segunda e a terceira semana de março, o diesel apresentou aumentos expressivos em todo o país:
- Diesel comum: alta de 6,41%, passando de R$ 6,90 para R$ 7,34 por litro
- Diesel S-10: avanço de 6,44%, de R$ 7,02 para R$ 7,48 por litro
Os dados refletem o repasse gradual dos reajustes ao consumidor final, movimento típico da cadeia de combustíveis.
Reajuste da Petrobras e cenário externo pressionam preços
As altas ocorrem após o reajuste promovido pela Petrobras, em vigor desde 14 de março, além da influência do cenário internacional, marcado pela volatilidade nos preços do petróleo em meio a tensões no Oriente Médio.
Outro fator relevante foi a decisão do governo federal de zerar PIS e Cofins sobre o diesel importado, medida que busca amenizar pressões, mas que ainda não foi suficiente para conter a alta nas bombas.
Gasolina e etanol também sobem, mas em ritmo menor
Outros combustíveis também registraram elevação no período, embora com menor intensidade:
- Gasolina: alta de 2,34%, de R$ 6,63 para R$ 6,79 por litro
- Etanol: avanço de 0,86%, de R$ 4,89 para R$ 4,93 por litro
O movimento indica que, apesar da pressão generalizada, o diesel segue como principal vetor de alta no setor.
Alta acumulada do diesel já supera 20%
Desde o fim de fevereiro, quando houve intensificação dos conflitos no Oriente Médio, o diesel acumula aumentos expressivos:
- Diesel S-10: alta de 20,26%
- Diesel comum: avanço de 17,82%
O ritmo acelerado de valorização reforça o impacto direto das condições externas e dos ajustes internos sobre os preços.
Repasse ao consumidor ainda está em curso
Segundo análise da Edenred Mobilidade, o comportamento atual segue a dinâmica esperada do setor, em que os reajustes nas refinarias levam alguns dias para serem totalmente refletidos nos postos.
De acordo com o diretor de Unidades de Negócio da empresa, Vinicios Fernandes, o diesel ganha força na segunda quinzena de março, refletindo um ambiente ainda pressionado.
Perspectivas: mercado segue volátil
O atual patamar de preços indica um momento de maior pressão para o diesel, com variáveis ainda indefinidas. A evolução nas próximas semanas dependerá do cenário internacional, especialmente do comportamento do petróleo, e de possíveis ajustes no mercado doméstico.
Para setores como o agronegócio e o transporte, o avanço do diesel representa aumento direto nos custos logísticos, podendo impactar preços ao longo de toda a cadeia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente
Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.
Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.
O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.
O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.
Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.
As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.
Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.
A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.
Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.
Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.
Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.
A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.
Fonte: Pensar Agro
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