Agro
Plantio da soja 2025/26 avança no Piauí e já alcança 95% da área estimada, aponta Aprosoja
O plantio da safra 2025/26 de soja no Piauí registrou forte avanço nas últimas semanas, impulsionado pelo retorno das chuvas após o dia 20 de novembro. De acordo com a Associação dos Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja PI), o cultivo já cobre 95% da área estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projeta 1,148 milhão de hectares destinados à oleaginosa no estado.
Chuvas garantem melhora nas lavouras e impulsionam o ritmo de plantio
O diretor-executivo da Aprosoja PI, Rafael Maschio, destaca que as precipitações recentes contribuíram significativamente para a recuperação das lavouras, especialmente nas áreas que haviam sido afetadas pela irregularidade climática no início do ciclo. Segundo ele, a maioria das plantações apresenta bom desenvolvimento vegetativo, com exceção das áreas irrigadas, que mantiveram o ritmo estável mesmo durante o período mais seco.
Maschio ressalta ainda que o retorno das chuvas também trouxe otimismo entre os produtores, que veem possibilidade de avanço de até 4,6% na área cultivada em relação à safra anterior.
Conab projeta alta na produção e melhora na produtividade
Segundo estimativas da Conab, a produção de soja no Piauí deve atingir 4,081 milhões de toneladas na safra 2025/26, representando um crescimento de 8% em comparação com o ciclo anterior.
A produtividade média também deve registrar avanço de 3,3%, alcançando 3.554 quilos por hectare, impulsionada pelas melhores condições climáticas e pelo manejo adequado adotado nas propriedades.
Perspectivas para o ciclo 2025/26
Com o ritmo de plantio praticamente concluído e as condições climáticas mais favoráveis, o Piauí se consolida como um dos estados com maior potencial de crescimento na produção de soja no Nordeste.
Os produtores seguem atentos à regularidade das chuvas e ao manejo fitossanitário, fatores decisivos para garantir bons resultados na colheita prevista para o início de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro
Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.
A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.
A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.
Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.
Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes
O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.
Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.
No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.
De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.
Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.
Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário
Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.
Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.
A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.
Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026
Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.
A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.
Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.
Demanda interna por milho deve seguir aquecida
Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.
O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.
O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.
Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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