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Plano para impulsionar indústria vai beneficiar também agronegócio e o mercado de bioinsumos

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O governo federal lançou nesta segunda-feira (22.01) o plano “Nova Indústria Brasil (NIB)”, direcionado ao desenvolvimento do setor industrial do país, mas vai, de quebra, beneficiar também o agronegócio. O plano inclui a ampliação do acesso a máquinas e equipamentos para agricultores familiares, visando aumentar a mecanização na agricultura familiar. O objetivo é alcançar 70% de mecanização nos estabelecimentos de pequenos produtores até 2033, um aumento significativo em relação aos atuais 18%.

Durante a apresentação do plano, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou um investimento de R$ 20 bilhões na próxima década para garantir que 95% das máquinas agrícolas sejam produzidas nacionalmente. As ações previstas incluem financiamentos para bioinsumos, produtos de biomassa, melhoramento genético, e redução de uso de água e carbono na agropecuária. O governo também planeja financiar, com juros atrativos, soluções biotecnológicas e máquinas para a agricultura familiar.

A necessidade de ampliar o acesso a maquinários já havia sido destacada no Plano Safra da Agricultura Familiar 2023/24 e com a retomada do Programa Mais Alimentos, que financia a compra de equipamentos para agricultores familiares.

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O Brasil, segundo estudos, ainda não tem acesso a 180 tecnologias voltadas para a agricultura familiar. Dados do último Censo Agropecuário do IBGE em 2017 mostraram que apenas 18% dos pequenos produtores possuíam ao menos um trator.

Um Acordo de Cooperação Técnica foi firmado entre diversos ministérios e instituições, como Embrapa, BNDES, Embrapii, Finep, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia, visando a promoção do acesso e desenvolvimento tecnológico necessário para esta mecanização.

O MDA coordena um conselho, incluindo representantes do setor produtivo e movimentos sociais, para discutir ações de mecanização na agricultura familiar. Este grupo também trabalha no mapeamento das necessidades específicas por região e no acesso a financiamentos.

Além da mecanização, o plano Nova Indústria Brasil tem outras metas para o setor agroindustrial, como aumentar sua participação no PIB agropecuário de 25% para 50% e garantir a sustentabilidade ambiental. Os desafios incluem aumentar a produtividade e o valor agregado da produção agrícola, alinhar políticas industriais e de comércio exterior, aumentar o uso de bioinsumos e desenvolver insumos nacionais, conforme destacado no Plano Nacional de Fertilizantes.

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O plano também prevê ações específicas para o setor agroindustrial, incluindo financiamentos para o desenvolvimento de bioinsumos, produtos de maior valor agregado baseados em biomassa, melhoramento genético, redução do uso de água e da pegada de carbono na agropecuária. O uso de fertilizantes sustentáveis, produzidos a partir da reutilização de resíduos orgânicos, como dejetos de animais, resíduos da agroindústria e restos de alimentos tem crescido exponencialmente no Brasil. O mercado de insumos biológicos deve valer cerca de R$ 100 bilhões até 2026, representando um crescimento de 74% em apenas quatro anos.

Com informações do Globo Rural

Fonte: Pensar Agro

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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