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Plano decenal do MMA estabelece diretrizes para fortalecer o Sisnama até 2036 e ampliar capacidades da gestão ambiental

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) apresentou, nesta terça-feira (10/3), o Plano Decenal de Fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama 2036). O documento define diretrizes para fortalecer a cooperação entre União, estados e municípios na gestão ambiental, ampliar as capacidades institucionais, sobretudo no âmbito municipal, e aprimorar os mecanismos de coordenação e financiamento do sistema. 

O plano foi elaborado com base em um diagnóstico desenvolvido em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)O estudo foi organizado em três eixos principais: arquitetura e governança, capacidades estatais e financiamento. 

A iniciativa foi apresentada durante o evento “Sisnama 45 anos: caminhos para o fortalecimento da cooperação federativa”, na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília (DF). 

No evento, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que o avanço da agenda ambiental depende de um sistema robusto e articulado. “Não há desenvolvimento sustentável sem um sistema ambiental fortalecido. As práticas sustentáveis não se firmam diante do caos da insustentabilidade. Para avançarmos na agenda da sustentabilidade, é fundamental que tenhamos um sistema forte”, afirmou. 

Na avaliação de Marina, o fortalecimento do sistema é fundamental para ampliar a participação social na formulação e na implementação das políticas públicas ambientais. “Para que haja controle social e participação na formulação e na implantação das políticas, inclusive nos processos de autocorreção do sistema, é preciso que ele esteja fortalecido”, pontuou. Ainda segundo a ministra, os desafios ambientais atuais exigem respostas articuladas entre diferentes áreas do governo e da sociedade. “Não há como responder a esses desafios sem uma política sistemática e integrada”, concluiu. 

A presidente do Ipea, Luciana Mendes Servoreforçou que a iniciativa contribui para o fortalecimento institucional da agenda ambiental no país. “O que estamos fazendo aqui é um passo para, entre outras coisas, avançar no desenvolvimento do nosso país”, afirmou. 

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A elaboração do diagnóstico ocorreu em seis etapas: análise documental e revisão bibliográfica; pesquisa de campo com gestores municipais, estaduais e federais; observação de reuniões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e da Comissão Tripartite Nacional; aplicação de enquete virtual; análise de bases de dados secundárias; e realização de reuniões de trabalho e oficinas de validação. 

A coleta de dados foi realizada entre novembro de 2024 e setembro de 2025. 

O encontro reuniu representantes do Governo do Brasil, de estados e municípios, além de integrantes da Comissão Tripartite Nacional, principal instância de debate e construção do plano. 

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, em participação por vídeo, reforçou a amplitude e a relevância institucional do Sisnama. “É um sistema que funciona de forma vertical e horizontal, compondo um modelo de proteção ambiental que está entre os mais avançados do mundo”, enfatizou. 

O Plano Sisnama 2036 está disponível para consulta pública na plataforma Brasil Participativo até 7 de abril.  

Acesse a consulta pública do Sisnama aqui

Sisnama 

O encontro no Ibama integrou as comemorações pelos 45 anos do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). Criado pela Lei nº 6.938/1981, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, o sistema articula órgãos da União, dos estados, do Distrito Federal, dos municípios e da sociedade civil na implementação da política ambiental brasileira. Trata-se da principal estrutura institucional de proteção ambiental do país. 

Homenagem 

Durante a cerimônia, o professor Paulo Nogueira Neto foi homenageado por sua contribuição histórica à política ambiental brasileira. Naturalista, pesquisador e político, foi o primeiro secretário de Meio Ambiente do Governo do Brasil, função hoje equivalente à chefia de ministério. Paulo faleceu em 2022. 

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Como parte da homenagem, foi descerrada uma placa no auditório da sede do Ibama, em Brasília, que passou a levar o nome do professor. 

Para o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, o legado do pesquisador para a institucionalização da política ambiental no país. “Ao celebrarmos os 45 anos do Sisnama, reconhecemos sua contribuição extraordinária para a construção da política ambiental brasileira e para a criação do sistema. Sua visão pioneira lançou as bases da proteção ambiental no país e inspirou gerações na defesa da natureza e do futuro do Brasil”, afirmou. 

O encontro serviu também de oportunidade para a apresentação de duas publicações voltadas ao fortalecimento da gestão ambiental. A primeira é a segunda edição do estudo “Procedimentos de Licenciamento Ambiental no Brasil”, que reúne e sistematiza as práticas de licenciamento adotadas no país. A publicação foi elaborada em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi lançado ainda o Guia para Destinação de Recursos de Compensação Ambiental Federal para Estados e Municípios, voltado a orientar gestores públicos sobre a aplicação desses recursos. 

Participaram do evento a secretária-executiva adjunta do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Anna Flávia de Senna Franco; o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho; o presidente da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), Eduardo Costa Taveira; e o presidente da Associação Nacional dos Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), Marçal Cavalcanti. 

Também estiveram presentes o engenheiro químico e especialista em gestão ambiental Cláudio Langone, os jornalistas Fernando Gabeira e Rodrigo Lara Mesquita, além do professor Zé Pedro de Oliveira, entre outras autoridades. 

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA 

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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