Paraná
Pesquisa inédita vai mostrar como paranaenses veem a ciência e tecnologia
O Paraná acaba de concluir a mais ampla pesquisa já realizada no Estado sobre a percepção da população em relação à ciência, tecnologia e inovação. A divulgação de parte dos resultados vai ocorrer no dia 30 de setembro, às 9 horas, durante o evento Paraná Faz Ciência 2025, em Guarapuava. O interesse em educação e a confiança em cientistas são informações que surgem nesta consulta aos paranaenses e que podem redirecionar as políticas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) no Estado.
A Pesquisa de Percepção Pública de CT&I no Paraná (PPC&TI) é uma iniciativa do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, fomentado pela Fundação Araucária. A consulta popular ouviu 2.684 pessoas acima de 16 anos, em 88 municípios, distribuídos pelas dez mesorregiões paranaenses. O objetivo foi traçar um retrato socioeconômico, cultural e comportamental da sociedade e avaliar como os cidadãos consomem, compreendem e se relacionam com temas ligados à ciência e tecnologia.
“A ciência deve estar a serviço da sociedade. Para isso, é essencial compreender como a população percebe, consome e valida o conhecimento científico. Este estudo é um passo decisivo nessa direção”, destaca o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig.
A PPC&TI se concretizou com recursos da Fundação Araucária, por meio do Fundo Paraná, gerenciado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). “Os dados da pesquisa são estratégicos para a formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas, permitindo alinhar ações às reais necessidades da população. Ao mesmo tempo, reforçam a importância de fortalecer a cultura científica como eixo de desenvolvimento econômico, social e regional”, reforçou o secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona.
PRIMEIROS RESULTADOS – O primeiro levantamento de percepção pública da ciência no Paraná traz um dado estratégico para a comunicação científica: 58,8% dos entrevistados mostraram interesse em ciência e tecnologia, valor próximo à média nacional, que registra 60,3% de pessoas “muito interessadas” ou “interessadas” na área. Esse dado é do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, de acordo com resultados de um levantamento realizado em 2023.
A pesquisa também mostrou que a educação aparece como o tema de maior interesse entre os respondentes dos questionários no Paraná. Nenhuma das edições anteriores de levantamentos nacionais incluiu uma pergunta específica sobre o interesse da população por esta área. Essa informação surge na proposta do Paraná e 83,4% dos pesquisados marcaram o tema. Não muito distante, o interesse em medicina e saúde é apontado por 80,6% da população, seguido de 70,1% que se mostraram interessados em meio ambiente e 69,7% em religião.
Por outro lado, 52,6% dos paranaenses afirmam não possuir interesse em política, seguido de arte e cultura, com 47,2%, e esportes, área que soma 43,4% de desinteresse.
A pesquisa também inclui dados baseados em um Índice de Confiança, que varia de +1 (total confiança) a -1 (nenhuma confiança). O levantamento no Paraná mostrou que os cientistas de universidades ou institutos públicos de pesquisa são a fonte de maior confiança para os paranaenses, com um índice de 0,93. Eles superam até mesmo os médicos (0,89), que lideraram o levantamento nacional de 2023.
“A abrangência e o desenho metodológico tornam a pesquisa uma ferramenta estratégica para orientar políticas públicas de popularização da ciência, além de subsidiar universidades, institutos de pesquisa e gestores na formulação de ações voltadas à alfabetização científica e tecnológica no Paraná”, diz o articulador do NAPI Paraná Faz Ciência e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodrigo Reis.
O banco de dados gerado pela PPC&TI Paraná é robusto: as 45 questões originais deram origem a 177 variáveis, resultando em quase meio milhão de registros. Esse material permitirá cruzamentos entre regiões, perfis sociais e indicadores, abrindo espaço para análises profundas sobre a relação da população com a ciência.
A articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Sant’ Ana e professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destaca que é a primeira vez que se tem dados da percepção pública da ciência do Paraná e ainda representativos das dez mesorregiões do Estado. “A pesquisa possibilita compreender os interesses dos paranaenses, sua visão sobre ciência e tecnologia e sua percepção de instituições de pesquisa. Estas informações poderão direcionar ações de divulgação científica, educação para a ciência entre outras”, disse.
METODOLOGIA – A pesquisa utilizou um questionário construído de forma colaborativa pela equipe técnica e validado por pré-teste. Além disso, foram aplicadas variáveis de controle (gênero, idade, escolaridade e renda familiar) calibradas com dados censitários do IBGE.
“O resultado é uma amostra considerada altamente representativa da população paranaense, com nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente 2%”, esclarece a pós-doutoranda da UFPR e uma das responsáveis pela pesquisa, Tamara Dias Domiciano.
Além de Rodrigo Reis, da professora Débora e de Tamara Domiciano, o estudo tem como autores o professor doutor Emerson Joucoski, e os graduandos Vitor Yuji Kiemo e Taissa Carolina Silva dos Santos, os três da UFPR. A empresa contratada para a realização das entrevistas foi a QCP- Quanta Consultoria, Projetos e Editora Ltda.
Serviço:
Lançamento PPC&TI
Data: 30 de setembro de 2025
Horário: 9h às 12h
Local: Centro de Eventos Cidade dos Lagos – Sala de Conferências 1 – Guarapuava – PR
Fonte: Governo PR
Paraná
Nova campanha de prevenção e combate a incêndios florestais é iniciada no Paraná
A 6ª Campanha Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais foi lançada nesta quarta-feira (17), em Curitiba, na sede do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Participam da iniciativa a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre Florestas) e outras 16 instituições públicas e privadas, incluindo a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) e o Simepar – Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná.
O tema desse ano envolve slogans como “Onde há fumaça, há quem solicita ajuda”, “Onde há fumaça, há animais em fuga” e “Onde há fumaça, há florestas desaparecendo”. Para incentivar a participação da população, além das campanhas de mídia digital, foram criados folders e cartilhas.
A campanha ocorre no período de maior incidência de estiagem, entre os meses de maio e outubro, quando as condições climáticas favorecem a propagação das chamas. O setor produtivo, entidades ambientais e órgãos do setor público se uniram para mobilizar a população com o objetivo de reduzir os riscos de incêndios no Estado, já que cerca de 90% das ocorrências têm origem em ações humanas. Em 2025, houve 17.121 casos, mais da metade (9.156 casos) envolvendo queimada de vegetação.
O trabalho de monitoramento climático e identificação de focos de calor também integra a estratégia da campanha. Para isso, o Simepar realiza monitoramento permanente por meio da plataforma VFogo, sistema que utiliza imagens de satélite, processamento de dados geoespaciais e inteligência artificial para identificar focos de calor em diferentes regiões do Estado. Em situações de risco, os alertas são encaminhados à Defesa Civil do Paraná.
E a educação ambiental é uma das ferramentas da campanha. De acordo com diversas lideranças envolvidas, é preciso investir em informação, sobretudo de crianças e jovens, para evitar os prejuízos dos incêndios florestais. Para isso, foram criadas diversas cartilhas que orientam a população a respeito de medidas preventivas como a manutenção de aceiros nas propriedades, medidas imediatas a serem tomadas na ocorrência de um incêndio, além de boas práticas de prevenção.
Uma delas é a cartilha infantil “Turma dos Guardiões da Floresta”, que busca disseminar a cultura de prevenção entre as crianças de forma lúdica. O material, direcionado a crianças de até 10 anos, foi lançado em 2024 e produzido em uma parceria do CBMPR com a Apre, trazendo explicações e dicas de prevenção em linguagem simples e ilustrações atrativas.
Autora dos textos, a capitã Luisiana Guimarães Cavalca, integrante da Câmara Técnica de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais Corpo de Bombeiros, destaca o impacto positivo dessa iniciativa. “Esse tipo de material, aliado a ações que expliquem ainda mais as consequências dos incêndios, tem resultados muito positivos na prevenção em comunidades rurais. Como 90% dos incêndios são causados por seres humanos, a prevenção é possível. Se mudarmos a conduta desde a infância, conseguimos mudar o futuro”, afirma.
AÇÃO INTEGRADA – Durante a cerimônia, o diretor-presidente do IDR-Paraná, Altair Dorigo, lembrou que a ação integrada das instituições na campanha, nos últimos seis anos, tem surtido efeito, com a diminuição significativa dos casos de incêndios no Estado.
Os profissionais do IDR-Paraná levam orientações aos produtores rurais e às comunidades com palestras, workshops, distribuição de cartilhas e atividades educativas voltadas à prevenção.
O diretor executivo da Apre Florestas, Ailson Loper, destacou a importância de informar a população. Segundo ele, os incêndios nas áreas de plantios florestais, em sua maioria, começam fora dessas áreas. “A causa mais comum dos incêndios é a ação humana e uma grande parte é criminosa”.
Ele apontou a queima de lixo e a limpeza de terrenos com fogo como as razões mais frequentes dos incêndios. “Isso tem causado transtornos para a produção florestal, produção agrícola, florestas nativas, fauna e para a saúde humana”, ressaltou. Para Loper, com a participação de diversas instituições na campanha é possível chegar nas regiões mais distantes, onde os incêndios podem ocorrer.
O chefe do Departamento de Sustentabilidade do IDR-Paraná, Amauri Ferreira Pinto, destacou no evento que, atualmente, já se usa o termo “incêndio ambiental” em vez de incêndio florestal. “As consequências desses eventos incluem a destruição da fauna, da flora, degradação do solo e prejuízos para a qualidade do ar”.
Os demais participantes da campanha de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais são: Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Associação Paranaense de Engenheiros Florestais (Apef), Associação Paranaense de Medicina de Animais Selvagens, Embrapa Florestas, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná (Fupep), Ibama/Prevfogo, Instituto Água e Terra (IAT), Rede Nacional de Brigadas Voluntárias, Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e Secretaria de Estado do Turismo e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Os materiais da campanha estão disponíveis no site www.paranacontraincendioflorestal.com.
Fonte: Governo PR
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