Brasil
Pavilhão do Círculo dos Povos recebe inscrições para eventos até 24 de outubro
O Pavilhão do Círculo dos Povos da COP30, gerido pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), da Igualdade Racial (MIR) e dos Povos Indígenas (MPI), recebe, até 24 de outubro, inscrições para propostas de atividades.
O espaço, que também conta com o apoio dos Ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Desenvolvimento Agrário e Familiar (MDA), ficará na Zona Verde, que não exige credenciais específicas e é aberto ao público em geral.
São bem-vindas as propostas de diálogos, apresentações e trocas culturais que valorizem as vozes e saberes dos afrodescendentes, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares. O espaço irá receber as atividades – que devem durar até 50 minutos – entre os dias 10 e 20 de novembro.
A proposição desse espaço pensado para sociedade civil, movimentos sociais, governos subnacionais, comunidade científica e público geral, se deu no âmbito das Comissões que compõem o Círculo dos Povos.
O Círculo dos Povos, presidido pela ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, é uma iniciativa que buscar dar visibilidade, participação e protagonismo aos povos afrodescendentes, indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares nos processos da conferência e no diálogo climático internacional. Ele é composto pela Comissão Internacional de Comunidades Tradicionais, Afrodescendentes e Agricultores Familiares, cujos diálogos são liderados pela da Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a Comissão Internacional Indígena, cujos diálogos são liderados pela ministra dos Povos Indígenas.
Zonas Verde e Azul – A Conferência das Partes (COP) é o maior evento global da Organização das Nações Unidas (ONU) para discussão e negociações sobre as mudanças do clima. Realizado anualmente, a presidência do encontro se alterna entre as cinco regiões reconhecidas pela ONU. A cidade de Belém (PA) será palco do evento, que em 2025 é sediado pelo Brasil.
O espaço da Conferência é dividido em duas áreas: as zonas Verde e Azul. A Zona Verde (Green Zone) é uma área em que a sociedade civil, instituições públicas e líderes globais se unem para conectar diálogo, inovação e investimento sustentável. Ela não exige credenciamento específico e valoriza a busca de soluções climáticas concretas, fomentando redes e alianças ao ampliar o diálogo e a conscientização pública.
Já a Zona Azul (Blue Zone) é o espaço onde ocorrem as negociações climáticas oficiais da cúpula de líderes e dos pavilhões nacionais. Ela é organizada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e apenas delegações oficiais, chefes de Estado, observadores e imprensa credenciada têm acesso autorizado.
(Com informações do Ministério de Igualdade Racial)
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Brasil
Presidente Lula assina Medida Provisória que proíbe as bets no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.
PROIBIÇÃO DAS BETS
Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.
Confira o cronograma das medidas:
- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.
INTERESSE PÚBLICO
A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.
FISCALIZAÇÃO E COMBATE AO MERCADO ILEGAL
O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para obloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.
A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.
As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.
PROJETO DE LEI TIPIFICA CRIMES
Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:
- exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
- divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);
- uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
- facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
- fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou
- localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).
SAÚDE PÚBLICA
As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.
“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.
O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.
Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.
Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.
Fonte: Ministério da Saúde
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