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Papel do Conama na promoção da justiça climática é destacado em seminário

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A justiça climática e o racismo ambiental foram os temas centrais do seminário organizado no âmbito do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), na última quinta-feira (04/09), em Brasília. O encontro reuniu representantes do governo, da sociedade civil e da academia para discutir os impactos desiguais da crise provocada pela emergência do clima e identificar caminhos para políticas mais inclusivas. 

O ministro substituto do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou a importância do debate no âmbito do Conama. “As populações são impactadas de forma diferente, nem todos os brasileiros são impactados de forma igual e, por obrigação, o Conama deve observar essas diferenças para combinar sua ação”.  

Capobianco ressaltou ainda a necessidade de incluir aqueles que não têm voz nem participação nos processos de decisão política. “É preciso que as vozes dessas populações marginalizadas sejam ativamente consideradas e incorporadas no processo de licenciamento, porque só assim o Ibama, ou os órgãos estaduais e municipais, poderão garantir que esses efeitos desproporcionais sejam mitigados”, concluiu.  

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, em participação por vídeo, defendeu a promoção da justiça climática como uma forma de enfrentamento do racismo ambiental.   

“A expressão racismo tem que ser entendida não só na perspectiva ética, mas também na perspectiva social”, reiterou. “O racismo ambiental não é só discriminação racial, mas inclui discriminação dos vulneráveis de maneira geral, em especial dos habitantes das periferias das cidades, ribeirinhos, povos indígenas e afrodescendentes”, explicou.  

Herman Benjamin reiterou que o racismo ambiental não se restringe à contaminação por substâncias tóxicas, abrangendo também outros aspectos da esfera ambiental. Ele destacou três dimensões em que esse tipo de racismo pode se manifestar: exposição a riscos e danos ambientais, aplicação desigual da legislação ambiental e fragilidade e exclusão dos processos democráticos decisórios.  

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A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, destacou a relevância do debate promovido pelo Conama e afirmou ter feito questão de participar por considerar essencial a conexão entre a pauta ambiental, a defesa dos direitos humanos e a luta dos povos tradicionais.  

Na avaliação da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, a crise climática é um dos maiores desafios do século e seus impactos não afetam a população da mesma forma. A luta por justiça climática e o combate ao racismo ambiental são essenciais para garantir políticas públicas verdadeiramente eficazes e inclusivas, tanto no campo do meio ambiente quanto, sobretudo, no campo dos direitos humanos”, ponderou. 

Também participaram do painel de abertura o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, e a secretária executiva adjunta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Caroline Dias dos Reis. 

Mudança do Clima  

O seminário foi promovido pela Câmara Técnica de Justiça Climática do Conama. Ao participar das discussões, o secretário nacional de Mudança do Clima do MMA, Aloísio Melo, reiterou que não é possível elaborar políticas climáticas sem pensar no fator humano e nas inúmeras necessidades do povo brasileiro, dada a pluralidade do país. “Na agenda climática, a dimensão ambiental e a social estão integradas desde o início. O clima é afetado pela ação humana e, ao mudar, impacta várias dimensões da nossa atividade, do nosso modo de vida”, disse.  

O Brasil, em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), abrangeu as desigualdades no processo de descarbonização. “Deixamos claro que o Brasil tem responsabilidade, tem metas de redução absoluta, mesmo sendo um país em desenvolvimento, mas que faz isso na perspectiva do desenvolvimento nacional que é orientado pela justiça climática e que, nesse processo de descarbonizar e de reduzir as vulnerabilidades, tem que olhar e endereçar as desigualdades, que são históricas na nossa sociedade”, ressaltou Melo.  

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O secretário lembrou que, ao elaborar o Plano Clima, o tema da desigualdade ocupou um espaço central nas discussões. “Nos últimos dois anos desse processo de mobilização para fazer uma agenda de ação climática nacional, a gente colocou isso no centro. O Plano Clima de Adaptação, por exemplo, sempre deu destaque ao tema, no qual está formulada, claramente, uma abordagem centrada nas pessoas, no ser humano, na garantia dos direitos em especial daquelas populações, povos e comunidades em situação de maior vulnerabilidade”, destacou o secretário.  

O seminário reafirmou o papel do Conama como espaço democrático de construção de políticas ambientais que integrem justiça social, igualdade de direitos e proteção do meio ambiente. As discussões abordaram desde a definição dos conceitos de justiça climática e racismo ambiental até suas dimensões jurídicas, sociais e políticas, incluindo o relato das populações mais impactadas. Também houve debate sobre  propostas de políticas públicas que contribuem para o enfrentamento das desigualdades e o fortalecimento da governança ambiental no país. 

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA
 

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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MJSP cria grupo de trabalho para regulamentar banco nacional de dados sobre facções criminosas, milícias e grupos paramilitares

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Brasília, 5/6/26 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) iniciou a construção da regulamentação do Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas Ultraviolentas, Grupos Paramilitares ou Milícias Privadas. Para isso, foi instituído um Grupo de Trabalho Técnico (GTT), responsável por elaborar a proposta normativa que definirá as regras de funcionamento, governança, compartilhamento de informações, interoperabilidade e segurança do sistema.

Previsto no artigo 29 da Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, o Banco Nacional será uma ferramenta estratégica de integração de dados e produção de inteligência no âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), destinada ao fortalecimento das ações de prevenção, monitoramento, investigação e repressão qualificada ao crime organizado.

A proposta em elaboração prevê a criação de uma base nacional unificada com informações sobre integrantes, colaboradores, financiadores e pessoas vinculadas a organizações criminosas ultraviolentas, milícias privadas e grupos paramilitares, além de registros sobre estruturas organizacionais, vínculos operacionais, financeiros e territoriais, dados de inteligência, investigações criminais e articulações interestaduais e transnacionais dessas organizações.

O sistema será coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Gestão e Integração de Informações (DGI), e deverá funcionar de forma integrada aos bancos estaduais que serão implementados pelas unidades da Federação. A proposta também prevê mecanismos de interoperabilidade, auditoria permanente, rastreabilidade dos acessos e elevados padrões de segurança da informação e proteção de dados.

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Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a iniciativa representa um avanço estrutural na capacidade do Estado brasileiro de enfrentar organizações criminosas que atuam de forma articulada em diferentes regiões do país. “O crime organizado não respeita divisas estaduais. Por isso, precisamos de ferramentas capazes de integrar informações, identificar conexões e permitir uma atuação coordenada entre as forças de segurança. O Banco Nacional nasce com esse propósito: transformar dados em inteligência, fortalecer as investigações e ampliar a capacidade do Estado de enfrentar facções criminosas, milícias e grupos armados que ameaçam a população brasileira”, afirmou.

O grupo de trabalho reunirá representantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil (Concpc) e Conselho Nacional dos Comandantes-Gerais das Polícias Militares (CNCG).

Também deverão ser convidados representantes do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central, Receita Federal, Ministério Público Federal, além de pesquisadores e instituições de referência na área da segurança pública, como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP), o Instituto Sou da Paz e o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

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Além de apoiar investigações e ações de inteligência, o banco permitirá identificar vínculos operacionais, financeiros e associativos entre indivíduos e organizações criminosas, fortalecer a cooperação entre os entes federativos, subsidiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências e ampliar a integração entre os sistemas de segurança pública de todo o país.

A regulamentação também deverá estabelecer critérios objetivos para inclusão, atualização e exclusão de registros, protocolos de compartilhamento nacional e internacional de informações, mecanismos de auditoria e responsabilização, além da utilização de tecnologias avançadas para correlação de dados, análise de vínculos e apoio à atividade de inteligência.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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