Agro
Palmito pupunha do Vale do Ribeira conquista Indicação Geográfica e reforça protagonismo do agro paulista
Com o reconhecimento do palmito pupunha do Vale do Ribeira como Indicação Geográfica (IG), o estado de São Paulo alcançou a marca de 12 registros, nove deles ligados ao agronegócio. O novo selo reforça a valorização dos produtos regionais e o papel estratégico do estado no cenário nacional.
A IG, concedida a uma área que abrange 22 municípios do Vale do Ribeira, reconhece o trabalho da Associação dos Produtores de Pupunha do Vale do Ribeira (Apuvale), que reúne cerca de 1.800 famílias produtoras e 70 agroindústrias. A região responde por 80% da produção nacional de palmito pupunha, consolidando-se como principal polo do país.
Certificação inédita fortalece identidade territorial e combate ao extrativismo predatório
De acordo com Claudio de Andrade e Silva, ex-presidente e atual diretor de marketing da Apuvale, o selo representa uma conquista histórica para o setor.
“É a única indicação de procedência para palmito no mundo e o reconhecimento de um trabalho de longo prazo que transformou a produção local. Antes, o extrativismo predatório da palmeira juçara predominava; hoje, temos uma cultura agrícola sustentável com a pupunheira”, destacou.
A certificação abrange tanto o palmito in natura quanto o processado, permitindo a comercialização em formatos variados — como tolete, rodelas, bandas, espaguete e picado — desde que os produtos atendam às normas técnicas definidas.
Produtores comemoram reconhecimento e esperam mais oportunidades de mercado
Para produtores locais, a IG representa credibilidade, valorização e novos horizontes comerciais. O agricultor Jefferson Souza, de Jacupiranga, afirma que o selo trará benefícios para toda a cadeia produtiva.
“A IG fortalece a confiança do mercado e amplia nossas oportunidades de venda. É um avanço importante para os produtores”, disse.
A história de Jefferson também simboliza o potencial de transformação social da pupunha. Após a pandemia de Covid-19, ele deixou a capital paulista com a família em busca de uma vida mais próxima da natureza.
“Encontramos um sítio que produzia palmito pupunha e começamos do zero. Hoje, temos a Simplesmente Roça, voltada ao palmito in natura. É um alimento versátil e saudável, que pode substituir massas e arroz em receitas com menos carboidrato e mais fibras”, contou.
Vale do Ribeira concentra 80% da produção nacional de palmito
O palmito pupunha, extraído do interior da haste da palmeira pupunheira, consolidou São Paulo como líder nacional na cadeia produtiva. O Vale do Ribeira abriga cerca de 7 mil hectares de cultivo, com predominância de pequenos e médios produtores.
Segundo o engenheiro agrônomo Rogério Sakai, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI/SAA), as condições naturais da região são ideais para o cultivo.
“A pupunha cresce bem em áreas altas e levemente onduladas, sem necessidade de irrigação, já que as chuvas são bem distribuídas ao longo do ano”, explicou.
Sakai lembra ainda que a transição do extrativismo da palmeira juçara, nativa da Mata Atlântica, para o cultivo sustentável da pupunha foi um passo decisivo para a preservação ambiental.
“Com a proibição da exploração da juçara, as indústrias migraram naturalmente para a pupunha, aproveitando a experiência no processamento. Além disso, a pupunheira perfilha, permitindo colheitas contínuas”, ressaltou.
Pesquisa e inovação impulsionam a qualidade do palmito paulista
O cultivo da pupunheira em São Paulo tem origem na década de 1940, quando o Instituto Agronômico (IAC/APTA-SAA) introduziu as primeiras sementes no estado. A partir dos anos 1970, a espécie passou a ser tratada como uma alternativa comercial promissora. Já nos anos 1980, estudos do IAC identificaram o Vale do Ribeira como a região mais favorável ao cultivo, devido ao clima tropical úmido e solo fértil.
Atualmente, o IAC mantém um programa de melhoramento genético voltado à obtenção de variedades mais produtivas e com melhor qualidade de palmito.
“O Instituto possui uma coleção com mais de 400 espécies de palmeiras, nativas e exóticas, com potencial para produção de palmito e uso ornamental. Cada espécie tem sabor, textura e cor únicos, e o estudo dessas diferenças abre novas possibilidades de mercado”, afirmou a pesquisadora Valéria A. Modolo, do IAC.
Sustentabilidade e identidade regional como motores de desenvolvimento
A conquista da Indicação Geográfica do palmito pupunha do Vale do Ribeira simboliza a união entre sustentabilidade, tradição e inovação tecnológica. O selo reforça o compromisso dos produtores com o manejo responsável, o fortalecimento das comunidades locais e a valorização da origem paulista do produto.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Exportações do Rio Grande do Sul somam US$ 4,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para carnes
As exportações do Rio Grande do Sul totalizaram US$ 4,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Em termos nominais, o resultado representa o quarto maior valor da série histórica iniciada em 1997, evidenciando a relevância do estado no comércio exterior brasileiro.
Carnes impulsionam desempenho da pauta exportadora
Entre os principais produtos exportados, o destaque ficou para o segmento de proteínas animais e animais vivos.
As exportações de carne suína registraram crescimento expressivo de 49,6%, com incremento de US$ 75,8 milhões. Também apresentaram avanço:
- Vendas de bovinos e bubalinos vivos: alta de US$ 57,2 milhões;
- Carne bovina: aumento de US$ 33,7 milhões.
O desempenho positivo desses produtos contribuiu para amenizar as perdas em outros segmentos relevantes da pauta exportadora.
Exportações caem em relação a 2025
Na comparação com o mesmo período de 2025, o valor total exportado pelo estado apresentou retração de 7,5%, o equivalente a uma queda de US$ 357,4 milhões.
O recuo foi influenciado principalmente pela redução nas vendas de produtos estratégicos:
- Soja em grão: queda de 77,0% (-US$ 188,3 milhões);
- Fumo não manufaturado: retração de US$ 172,9 milhões;
- Celulose: recuo de US$ 68,1 milhões;
- Polímeros de etileno: diminuição de US$ 45,5 milhões.
Estado mantém posição no ranking nacional
Apesar da retração no valor exportado, o Rio Grande do Sul manteve a sétima colocação entre os principais estados exportadores do país.
O estado ficou atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará e Paraná. No entanto, houve redução na participação relativa, que passou de 6,2% para 5,3% no período analisado.
Diversificação de destinos marca exportações gaúchas
No primeiro trimestre de 2026, o Rio Grande do Sul exportou para 169 destinos, reforçando a diversificação de mercados.
Os principais compradores foram:
- União Europeia: 12,2% das exportações;
- China: 9,2%;
- Estados Unidos: 7,3%.
Entre os parceiros comerciais, a China apresentou a maior queda em termos absolutos, com retração de US$ 301,6 milhões, impactada pela redução nas compras de soja e fumo.
Os Estados Unidos também registraram recuo relevante (-US$ 148,7 milhões), influenciado principalmente pelos setores florestal e de armas e munições.
Egito e Filipinas ganham destaque nas compras
Em contrapartida, alguns mercados ampliaram significativamente suas importações de produtos gaúchos.
Destacam-se:
- Egito: aumento de US$ 105,1 milhões;
- Filipinas: alta de US$ 104,5 milhões.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas de cereais e carnes.
Cenário internacional pressiona comércio exterior
O desempenho das exportações do estado ocorre em meio a um ambiente global de incertezas.
As vendas para o Irã, que representaram 1,8% do total exportado, recuaram 5,5% no período, refletindo impactos de sanções econômicas e restrições financeiras que historicamente afetam as relações comerciais com o país.
No caso dos Estados Unidos, a queda de 31,9% nas exportações foi superior à média geral do estado. O resultado está ligado, entre outros fatores, ao desempenho do setor de armas e munições, sensível a mudanças regulatórias e tarifárias.
Perspectivas indicam cenário desafiador
Apesar do bom desempenho de segmentos como o de carnes, a retração em produtos-chave como soja e celulose evidencia os desafios enfrentados pelo estado no comércio internacional.
O cenário para os próximos meses seguirá condicionado à demanda global, às condições de mercado e ao ambiente geopolítico, fatores que devem continuar influenciando o desempenho das exportações gaúchas ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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